! Seleção treina em Soweto, mas ignora bagagem histórica do local - 23/06/2009 - UOL Esporte - Futebol
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23/06/2009 - 09h14

Seleção treina em Soweto, mas ignora bagagem histórica do local

Na semifinal da Copa das Confederações, a seleção brasileira treinou na tarde desta terça-feira em Johanesburgo para o duelo de quinta contra a África do Sul. O local do treino foi o Orlando Stadium, no coração do Soweto, região histórica e internacionalmente ilustre em razão dos conflitos raciais que mudaram a história do país.

AFP
Jogadores da seleção, como Luís Fabiano, preferem não se apegar à história do local
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MAIS DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES
Mesmo com a oportunidade de visitar um local com tanta bagagem histórica, núcleo da resistência contra o Apartheid, regime que negava direitos de cidadãos aos negros, os jogadores do time de Dunga dizem não conhecer a fama de Soweto e também demonstram quase nenhum interesse pelo local.

"Nem sabia disso. Fique sabendo só agora desse negócio de racismo. A gente não procura saber muito do que tem no entorno da onde a gente vai. A gente quer saber mais do gramado, condições do campo. Falta tempo para saber. Ficamos mais no computador, videogame, na conversa", afirmou Luís Fabiano, artilheiro da seleção no torneio com três gols.

Outro titular de Dunga que disse não conhecer a reputação histórica de Soweto é Ramires, um dos destaques individuais da Copa das Confederações até o momento. O meio-campo, no entanto, afirmou que espera saber mais a respeito do conglomerado de bairros pobres de Johanesburgo.

"Não sei, é complicado. A gente não tem muito tempo para saber. Acho que vale procurar saber, ficar mais informado", disse o meio-campo, que em breve trocará o Cruzeiro pelo Benfica.

O Soweto é um subúrbio de Johanesburgo, maior cidade da África do Sul, com aspecto de uma imensa favela. É uma espécie de conglomerado de townships (antigas áreas residenciais que confinavam não-brancos), onde a resistência ao Apartheid se desenvolveu ao longo do regime oficial do país que negava cidadania aos negros.

Em junho de 1976, uma das manifestações do período de resistência foi reprimida com violência policial e acabou na morte de um estudante negro. O ato contra a obrigatoriedade nas escolas do Afrikaans (idioma branco do país, com origem holandesa) ficou para a posteridade como o 'massacre de Soweto'. Sua data, 16 de junho, é hoje o mais importante feriado da África do Sul.

O líder político Nelson Mandela foi o principal símbolo de luta contra o regime racista, que foi oficialmente abolido em 1990, pelo então presidente Frederik de Klerk.

Após a visita ao Soweto nesta terça, a seleção brasileira enfrenta a África do Sul na quinta-feira, às 15h30 (horário de Brasília), no estádio Ellis Park, em Johanesburgo, em duelo que concede ao vencedor uma vaga na decisão, contra o ganhador da semifinal entre Espanha e Estados Unidos.

*atualizada às 15h49

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