Narradores de Atlético e Cruzeiro têm fama de astro e viraram até políticos

Luiza Oliveira

Do UOL, em Belo Horizonte

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    Mário Henrique Caixa é narrador do Atlético pela Itatiaia e virou ídolo da torcida

    Mário Henrique Caixa é narrador do Atlético pela Itatiaia e virou ídolo da torcida

Os gritos de "É Caixa!" e "É gol, gol, gol, gol" na hora do gol estão incorporados na rotina dos mineiros há décadas. Os bordões de Alberto Rodrigues e Mário Henrique Caixa, narradores da rádio Itatiaia, se tornaram verdadeiros símbolos de Atlético-MG e Cruzeiro. A maior prova é que hoje eles são ídolos das torcidas a ponto de serem eleitos vereador e deputado estadual com uma votação bem expressiva.

Os dois são narradores da rádio Itatiaia que impressiona pela força em Minas chegando a ter uma audiência de 90%. Diferentemente da maior parte das rádios do país, a Itatiaia tem um narrador específico para os jogos de cada time.

Alberto Rodrigues narra apenas os jogos do Cruzeiro há quase 40 anos e sua história se confunde com a do clube. Ele transmite emoção para a torcida desde a Taça Brasil de 1966, considerado o primeiro título brasileiro do clube. De lá para cá, foram quatro campeonatos brasileiros, quatro Copas do Brasil e ainda a Supercopa.

A velocidade e a técnica apurada para narrar renderam o apelido de 'Vibrante'. Seu hábito de dar apelidos aos jogadores como no título do Brasileiro de 2003 em que Alex virou o "Talento Azul" ou agora que Ricardo Goulart é o "Rambo Azul" ganhou uma legião de adeptos.

Para o cruzeirense, ele virou referência e é mais famoso que muitos jogadores, chegando a ser conhecido nas ruas fora do Brasil. "Eu não apareço na televisão, mas o pessoal que reconhece a gente na rua quer tirar retrato, conversar, manda muitas mensagens nas redes sociais, é como um ator de novela. Já me pararam nos Estados Unidos", brinca, Alberto que tem 75 anos.

Do lado do Atlético-MG não é diferente, Mário Henrique, o Caixa, conquistou a massa. É ovacionado onde vai e seu grito de gol inusitado "É Caixa" caiu no gosto dos torcedores. Hoje, é usado para muitas situações do dia a dia.

Mário Henrique há mais de dez anos assumiu o posto de narrador da Itatiaia depois que Willy Gonser, que foi o narrado do clube por quase três décadas, se aposentou.

A popularidade é tão grande que Mário se candidatou a deputado estadual pelo PC do B e foi o segundo mais votado do estado e o primeiro de Belo Horizonte com 130.593 votos. A votação expressiva da torcida do Atlético o fez ter uma grande responsabilidade na Câmara que ele espera honrar.

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"Entendo a grande responsabilidade que tenho, sou um político ainda novo, entendo que a classe política está extremamente desgastada e eu quero fazer parte desse novo. Quero dar uma esperança nova para o brasileiro, entrar para ser mais um me dá náusea, se for para cometer os mesmos erros eu passo até mal. Quero ser bom, leal, honesto e honrar quem votou em mim".

Alberto também se enveredou para o campo da política desde a década de 90. Ele foi eleito vereador duas vezes em 2004 e 2008. Em 2010, Aécio Neves o então governador o convidou para ser Secretário Estadual de Esportes e da Juventude.

"É engraçado porque muita gente me apoiava, mas muita gente também falava: 'eu não vou votar em você porque se eu votar você vai abandonar a rádio'. Eu fiz um trabalho muito voltado para a parte social, esportiva e do futebol amador. Foi muito bom, consegui ajudar muita gente".

Deixando a política de lado, os dois se preparam para narrar um dos jogos mais importantes da história dos dois times com a final da Copa do Brasil, nesta quarta-feira. Como sempre acontece nos clássicos, eles vão dividir a transmissão e cada um narra um tempo.

Mário Henrique vai narrar o primeiro e Alberto ficou encarregado de transmitir as emoções da etapa final. Mas se o Galo estiver prestes a ser campeão, o Caixa volta ao microfone para fazer a festa da torcida do Atlético. Em caso de pênalti, se o Cruzeiro vencer o duelo por 2 a 0, cada um vai narrar o pênalti cobrado por seu time.

O curioso sistema de narração já faz parte da rotina da Itatiaia há décadas. Quando os dois times jogam no mesmo horário, por exemplo, eles dividem o espaço e cada um narra os momentos de ataque de sua equipe. Quando a bola sai, o outro assume. Hoje em dia, já conseguem fazer isso sem grandes atropelos por causa do bom relacionamento e de uma sintonia bem fina, sentimento que eles esperam transmitir aos torcedores rivais.

"Nossa relação é ótima. Nos damos muito bem. Esperamos que o torcedor sinta isso e leve isso para os campos", conta Caixa. "Essa é a nossa mensagem. Pode brincar, provocar, mas sempre prevalecendo a paz", concorda Alberto.

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