Política e boicote impediram 3ª passagem de cruzeirense Mano no Corinthians

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Marcello Zambrana / Light Press / Cruzeiro

Para muitos, Mano Menezes foi considerado a escolha natural para suceder Tite no Corinthians. Mas, para quem vive o clube do Parque São Jorge por dentro, desde 2014 ficou claro que o retorno do treinador seria impossível dentro da gestão de Roberto de Andrade.

Nesta quarta-feira, os corintianos se reencontram mais uma vez com Mano, identificado e em sua segunda passagem pelo Cruzeiro, em jogo que vale vaga na semifinal da Copa do Brasil. A política interna do Corinthians e acusações veladas de boicote ao trabalho do treinador em 2014 é que azedaram o clima entre ele e as maiores lideranças políticas do Parque São Jorge atualmente, o presidente Roberto e o ex-presidente Andrés Sanchez. 

O início do racha em torno do nome de Mano Menezes

A história que rachou as partes envolvidas teve início em meio à campanha ruim do Corinthians no Brasileirão 2013. Naquele momento, parte da cúpula se posicionava contrária à permanência de Tite para o ano seguinte. Após uma derrota diante do Botafogo em setembro, dirigentes corintianos abordaram Abel Braga e defenderam para o então presidente Mário Gobbi que o comando deveria ser trocado. 

Gobbi, na época, tomou duas decisões importantes que, internamente, desagradaram Andrés, o então diretor de futebol Roberto de Andrade e também Duílio Monteiro Alves, adjunto do departamento. A primeira foi manter Tite até o fim de seu contrato, e a segunda foi acertar com Mano Menezes para o ano seguinte logo após sua saída do Flamengo. Há semelhanças entre o que ocorre atualmente no Corinthians, em que Roberto escolheu Oswaldo de Oliveira sem dar importância à opinião de aliados. 

Em 16 de janeiro de 2014, assim que Mano se apresentou, Duílio e Roberto se desligaram do departamento de futebol. O primeiro apresentou publicamente a justificativa de problemas de saúde e se mudou para Miami. O segundo, por sua vez, visava preparar sua candidatura à presidência do Corinthians. Mas, além desses motivos estava a incompatibilidade de relacionamento com o treinador que havia sido contratado. 

Mano fica no meio de 'fogo amigo' do Corinthians

O último ano da gestão Mário Gobbi foi marcado pela ampla reformulação do elenco e por vários problemas com Andrés Sanchez, o que já era indicado desde que Luís Paulo Rosenberg, vice-presidente, se afastara do cargo. Às intervenções de Andrés, Gobbi costumava se referir como "fogo amigo", já que ambos compunham o grupo Renovação & Transparência. 

Esse clima político ruim se refletiu diretamente no trabalho do treinador que havia passado com destaque pelo Corinthians entre 2008 e 2010. Na volta ao clube, Mano se tornou aliado ainda mais próximo de Gobbi e considerou, em alguns momentos, que Sanchez atuava nos bastidores contra seu trabalho.

Movimentações importantes de mercado daquele ano como o empréstimo de Emerson Sheik ao Botafogo ou a contratação de Elias ao Sporting-POR, considerou o treinador na ocasião, se tornaram mais difíceis pela participação do ex-presidente nos bastidores. Além disso, Mano acreditou, na ocasião, que Andrés defendeu sua demissão ao longo da temporada - Sanchez nunca confirmou ou disse isso publicamente. 

A consequência desse cenário foi que, devido ao grande número de pessoas de confiança do Andrés em atividade no CT Joaquim Grava, Mano Menezes se isolou, de certa forma. Membros de comissão técnica e diretoria se queixavam que, ao contrário da passagem anterior, Mano só tinha quatro pessoas de confiança: Gobbi, o então diretor de futebol Ronaldo Ximenes, o auxiliar Sidnei Lobo e o então diretor de comunicação Guilherme Prado.

Nem trabalho de reconstrução manteve Mano, vetado duas vezes por Roberto

Depois de um primeiro semestre complicado, em que sequer foi à fase final do Paulista, o Corinthians de Mano deu sinais de evolução dentro da temporada. Acabou o Brasileiro classificado à Libertadores e com o título do returno, mas nem isso fez se cogitar a manutenção do treinador. Roberto de Andrade, que seria candidato da situação para o pleito de dois meses depois, não tinha disposição em trabalhar com quem havia sido escolhido, e se aliado, ao presidente Gobbi. Assim, foi atrás de Tite para o cargo. 

Em entrevista coletiva em junho deste ano, após perder seu treinador para a seleção brasileira, Roberto foi enfático sobre a possibilidade de Mano voltar. Naquele momento, ele estava desempregado, e o clube procurou pelo menos cinco nomes até escolher Cristóvão Borges. "Mano Menezes não vem trabalhar comigo aqui, não quero, não é o perfil que eu gosto. Respeito o Mano, foi vencedor no Corinthians, mas quero novidade, quero outras coisas", disse. 

Mano x Corinthians vale vaga na semifinal da Copa do Brasil

De volta ao Cruzeiro após uma passagem irregular pela China, o treinador busca levar sua equipe à semi do torneio que venceu, em 2009, pelo Corinthians. Em São Paulo, no jogo de ida, os corintianos venceram por 2 a 1, e assim jogarão com a vantagem do empate no Mineirão. A partida está marcada para 21h45 (de Brasília). 

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