Beijos, pedras, Carol no campo e telão: Grêmio na final em 10 momentos

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

Grêmio e Cruzeiro foi uma semifinal tensa. Ao mesmo tempo, em Belo Horizonte, Internacional e Atlético-MG faziam jogo com emoção semelhante. Na Arena do Tricolor, 10 momentos simbolizaram o avanço. Beijos de Rafael Sóbis, pedras no ônibus cruzeirense, festa antes da partida e fumaça na zona mista, telão 'parcial'. Tudo acabou com grande comemoração em azul, branco e preto. 

O jogo começou bem antes do apito do árbitro. A volta a uma final após nove anos, com o empate em 0 a 0 combinado com a vitória fora de casa por 2 a 0, a chance de quebrar o incômodo jejum de títulos, tudo esteve presente a cada minuto. 

Confira 10 fases da noite de quarta-feira que acabaram com êxtase dos aficionados gremistas, classificados à final a Copa do Brasil. 

1. (Antes do jogo) Festa e pedras do lado de fora

Antes da bola rolar, o Cruzeiro sofreu. Postados no caminho que seria feito pelos ônibus das duas delegações, os torcedores do Grêmio usaram sinalizadores e instrumentos para ditar o clima de apoio aos seus e pressão aos rivais. Mas alguns extrapolaram. O veículo que carregava a delegação visitante foi alvo de pedras. Uma delas por pouco não acertou o técnico Mano Menezes. Com vidros quebrados e nenhum ferido, o ônibus estacionou na Arena. O clube mineiro realizou um Boletim de Ocorrência por conta do fato. Da festa, além de toda alegria, a fumaça tomou conta. A fumaça dos sinalizadores acabou adentrando a zona mista, deixando o ambiente longe do ideal. 

Marinho Saldanha/UOL

2. (Aquecimento) Beijos de Rafael Sóbis irritam

Ao entrar no gramado para o aquecimento com os jogadores do Cruzeiro, Rafael Sóbis recebeu as tradicionais vaias. Nada anormal para o atacante que foi bicampeão da Libertadores pelo Internacional. Em vez de calar ou ignorar o que ocorria nas cadeiras mais próximas do campo, o jogador mandou beijos aos torcedores do Grêmio. Irritados, só ampliaram o expediente de xingamentos. Que a partir de então não tiveram mais resposta. Quando Sóbis entrou no jogo, já no segundo tempo, cada toque na bola era acompanhado de vaias. 

3. (Antes do jogo) Silêncio sem banda

A festa da torcida do Grêmio foi mais forte fora do estádio do que dentro dele. Uma determinação do Ministério Público de Porto Alegre na madrugada desta quarta impediu a banda da organizada Geral do Grêmio de ter seus instrumentos na área que lhe é reservada na Arena. A definição ocorreu por conta de uma briga com seguranças do clube e com a Brigada Militar depois do clássico Gre-Nal do Campeonato Brasileiro. Sem o apoio da bateria, o silêncio contrastou com gritos, mas sem a mesma sonoridade. 

4. (Primeiro tempo) Comemoração e telão parcial

Sem vibrar com gols ou mesmo chances claras no jogo que ocorria em frente, os torcedores gremistas destoaram ao vibrar em um momento no primeiro tempo e outro no segundo. Gols do Atlético-MG, que enfrentava o Inter em Belo Horizonte. Foram dois, um em cada etapa de jogo, ocorrendo simultâneo ao de Porto Alegre. Enquanto isso, o telão do estádio, acostumado a informar todos os gols da rodada, deixou a parcialidade falar mais alto e anunciou apenas os gols do Galo. O primeiro e o de empate foram motivo de vibração dos aficionados. 

LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

5. (Primeiro tempo) Ganhar tempo é preciso, ordem é cair

A cada lance mais perigoso do adversário, a ordem era cair. Em vantagem pela vitória no jogo de ida, o Grêmio fez o que Renato Gaúcho pede desde sua chegada: foi malandro. Tanto que o goleiro Marcelo Grohe aproveitou uma bola na trave de Ariel Cabral, na etapa inicial, para ganhar tempo no chão. Caiu ao menos mais duas vezes antes do apito final. No segundo, por pouco não foi substituído, e voltou a fazer cera. 

6. (Segundo tempo) Vibração foi com a defesa

Quando o ataque não marca, cabe a defesa dar alegria aos torcedores. E foi assim. Kannemann e Pedro Geromel ganharam mais aplausos que Luan e Douglas. Marcelo Grohe extravasou nos minutos finais. Depois de cair algumas vezes e ganhar tempo, o goleiro tratou de chamar a torcida, chutou para longe uma bola que estava perto de si e ergueu os braços mesmo antes do apito final. Não tomaria dois gols faltando um minuto para o fim do jogo. A comemoração já tinha começado. 

7. (Segundo tempo) Pênalti? Os dois querem

Se os gols não saíam com a bola rolando, Grêmio e Cruzeiro trataram de pedir pênalti. O que os mineiros protestaram foi em um cruzamento. Kannemann teria puxado um dos atacantes, que caiu já com braços abertos. Nada foi dado. Em seguida, quase no mesmo lance, o Grêmio protestou com algo mais grave. Ramiro dominou na área e sofreu uma carga. Caiu e reclamou. Novamente a penalidade foi negada. Aproveitando a onda de reclamar, Edílson, mais tarde, entrou na área e se atirou. Foi quem mais perto esteve de levar o amarelo, por simulação. Mas também não ocorreu. 

8. (Fim do jogo) Carol Portaluppi invade o campo

Bastou o juiz apitar que o 'amuleto' Carol Portaluppi invadiu o campo. Comemorando ao lado do pai, a jovem de 22 anos que assistiu o jogo nos camarotes filmou cada momento com seu celular. Usando a camisa rosa do Grêmio, modelo feminino que não é de jogo, acompanhou cada passo de Renato, até mesmo quando ele foi conceder entrevista coletiva. Agradeceu ao lado dele e vibrou muito. 

LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

9. (Pós-jogo) Mano Menezes, jejum e coincidências

O Grêmio se classificou e voltou a uma grande decisão. Não conseguia isso desde 2007, quando o técnico do time era Mano Menezes, que foi rival no comando do Cruzeiro. Era a Libertadores daquela temporada e o Boca Juniors levou a melhor. O jejum gremista de conquistas relevantes vem desde a Copa do Brasil de 2001. São 15 anos. Nem mesmo Gauchão tem sido conquistado desde 2010. Pelo menos, a chance de voltar a erguer uma taça se dá em um torneio em que o clube tem história. Tetracampeão e com oito decisões de Copa do Brasil, o Grêmio se enche de esperanças. 

Rodrigo Rodrigues/Light Press/Cruzeiro

10. (Coletivas) Eleição? Renovação? Nada disso

Na sala de coletivas da Arena, não foi só Carol Portaluppi que chamou a atenção. Mas a determinação do clube em ignorar assuntos que não forem de campo. Renato Gaúcho vetou o assunto renovação. Disse que só tratará isso após a final. E o presidente Romildo Bolzan Júnior também tratou de esquecer a eleição do próximo dia 12. Disse que não participará de debates e nem mesmo tratará da chance de se reeleger publicamente.

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