Rival corintiano, Caldense levou Casagrande após briga e devolveu goleador

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    Casagrande, agachado e ao centro, pela Caldense: passagem marcante em 1981

    Casagrande, agachado e ao centro, pela Caldense: passagem marcante em 1981

Caldense e Corinthians abrem suas participações na Copa do Brasil 2017 na próxima quarta-feira com um ingrediente histórico em comum: ídolo corintiano, o ex-centroavante e hoje comentarista Casagrande teve, em Poços de Caldas, uma passagem absolutamente fundamental para se tornar jogador profissional em 1981. 

Em entrevista ao UOL Esporte, Casagrande relembra que havia brilhado em um torneio de divisões de base no sul mineiro nos anos 80 e que, por isso, a Caldense se dispôs a recebê-lo quando tinha somente 18 anos. A saída por empréstimo do Corinthians no começo de 1981 ocorreu por uma briga com Oswaldo Brandão, que divide com Tite o título de treinador mais importante da história corintiana e já tinha status (ler mais abaixo). 

Cedido à Caldense, Casagrande brilhou em uma cidade pacata na primeira vez que se afastou dos pais na vida. Foi destaque duas vezes contra o Atlético-MG e, por muito pouco, nem volta a São Paulo para marcar seu nome no Corinthians. 

Confira a entrevista exclusiva de Casagrande ao UOL Esporte:

TORNEIO AMADOR UNIU CALDENSE E CASAGRANDE
"Em 1980, houve um campeonato amador no Sul de Minas e Caldas chamou quatro ou cinco jogadores do Corinthians para atuar lá. Eu joguei no time de Caldas contra a Caldense e ganhamos de 2 a 1, eu fiz os dois gols. Em janeiro de 81, quando pedi para sair do Corinthians, a Caldense me levou. O administrador do Corinthians me ligou, disse 'a Caldense quer te levar' e eu não pensei duas vezes". 

O COMEÇO DE TUDO FOI EM POÇOS DE CALDAS
"Essa passagem foi ótima para o meu crescimento. Foi a primeira vez que morei fora da casa dos meus pais, eu tinha 17 anos e praticamente tive uma família por lá. Eu fui vice-artilheiro do Campeonato Mineiro, fiz quatro gols no Atlético-MG, sendo dois em casa e dois no Mineirão". 

DOIS FILHOS NA CALDENSE
"O Symon, que é goleiro, está lá hoje em dia. Já o Ugo (centroavante), assinou contrato para atuar por lá mas rompeu o ligamento do joelho no mesmo dia (janeiro de 2015)".

QUASE PAROU NO CRUZEIRO OU NO GALO 
"Fiz um ótimo campeonato e o Cruzeiro e o Atlético me queriam. Eu não queria ficar no Corinthians, mas voltei com moral, o Adílson Monteiro Alves (então diretor de futebol) e o Mário Travaglini (treinador) queriam que eu ficasse, bateram o pé e eu voltei. Para um garoto, eu fui bem por lá, mostrei que eu tinha condições". 

Silvio Ferreira/Folhapress
Casagrande no Corinthians em 1980: emprestado antes da estreia no profissional

O DIA EM GANHOU UM MONTE DE PRESENTES
"Essa passagem foi a mais marcante por lá. Nós ganhamos do Galo no Mineirão, e era a base da seleção com o Flamengo, um time muito forte. Foi 2 a 1 e fiz os dois gols. No dia seguinte, era uma segunda-feira e 7 de setembro, então eu desci da república onde morava para ir até a praça e os lojistas estavam na porta e saíram correndo atrás de mim, dando presentes. Foi uma coisa que nunca mais me esqueci". 

O que conta ainda a biografia "Casagrande e seus demônios", escrita por Gilvan Ribeiro e ele próprio*

A BRIGA COM VICENTE MATHEUS E OSVALDO BRANDÃO

Depois de ser avisado por Brandão que viajaria pela primeira vez com o elenco do Corinthians, Casagrande comprou roupas novas e uma mala de viagem. "Eu estava completamente duro e me virei de todos os lados", conta ao livro. Na manhã seguinte, no aeroporto, o treinador comunicou que, em função da renovação de Geraldão, centroavante renomado, ele estava livre do embarque. O anúncio diante dos colegas deixou Casão humilhado, e deu início a discussões ríspidas com Brandão e o então presidente Vicente Matheus. Foi tomada a decisão consensual de que ele deixaria o Parque São Jorge. 

VIAJOU DE FUSCA ATÉ A CALDENSE
Depois de acertar a mudança, Casagrande entrou em seu Fusca e levou os amigos Marquinho e Magrão de surpresa para Poços de Caldas. "Entra aí, a gente já volta", avisou a Magrão. O trio só chegou à sede da Caldense de noite e pediu ao vigia que encontrasse o presidente do clube, chamado Bento Gonçalves, para providenciar um hotel para eles. Em outra viagem, mesmo sem habilitação, Casagrande dirigiu o Gol de Marquinho e foi parado na volta a São Paulo por um policial, a quem convenceu ser liberado ao se apresentar como jogador corintiano. 

NÃO QUERIA VOLTAR AO CORINTHIANS
Casagrande tinha propostas de Cruzeiro e Atlético-MG e o Corinthians avisou que não queria fazer negócio com outro grande do futebol brasileiro, mas acertou um negócio que levaria o jogador ao América-RJ para depois ser vendido aos cruzeirenses. "A visão que eu tinha do Corinthians se associava ao Matheus como presidente. Não concordava com sua ditadura", contou ao livro. O retorno ao Parque São Jorge esteve por uma assinatura, pois valores estavam acertados. O treinador Mário Travaglini contornou a crise e pediu a volta do jovem. Casão foi campeão paulista em 82 e artilheiro do torneio. 


* Casagrande e seus Demônios foi publicado pela GloboLivros

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