Contra Bahia, Paraná joga por vaga na Copa do Brasil e recuperação moral

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL, em Curitiba (PR)

  • Rodrigo Sanches - 07.mar.2017 / Divulgação / Site oficial do Paraná

    Wagner Lopes comanda treino do Paraná Clube na última terça-feira

    Wagner Lopes comanda treino do Paraná Clube na última terça-feira

Há 10 anos o Paraná encarava a fase de grupos da Libertadores, no grande momento da história do clube; de lá pra cá, porém, as coisas mudaram muito. O time chegou a amargar até mesmo a segunda divisão estadual e estacionou na Série B do Campeonato Brasileiro. E é de olho em sua imagem que o time encara o confronto contra o Bahia, nesta quarta-feira, às 19h30, pela segunda fase da Copa do Brasil.

Para o diretor de futebol do time, Rodrigo Pastana, o jogo único contra o Bahia é a chance de a equipe mostrar sua reação no cenário nacional. "O Paraná precisa se recuperar moralmente", diz o dirigente, que assumiu o cargo no início do ano. Com ele, chegou o técnico Wagner Lopes e um time todo novo.

Sob a nova gestão, o time lidera o Paranaense e decide em casa contra o Bahia não só a vaga, mas também a chance de ganhar dois meses de fôlego financeiro. "Pra gente representa muito, não só financeiramente, mas também esportivamente. Financeiramente nos dá um fôlego de duas folhas salariais. É significativo em período de crise. O fato de estarmos em dia a dois meses, dá uma tranquilidade pra trabalhar", afirma, contando com a chance de levantar R$ 680 mil (valor bruto) se avançar na competição.

"Estaremos enfrentando um clube gigante, de Série A. Deve ter 7, 8 vezes mais investimento que a gente. E a gente volta a ter credibilidade como equipe, nossos dois últimos brasileiros foram ruins. Então voltaremos a ter esse respeito nacional", projeta Pastana, sabendo da dureza que virá pela frente. O Bahia está invicto no ano, com sete vitórias em 11 jogos. A defesa baiana foi vazada apenas duas vezes.

O Paraná não fica tão atrás. No Estadual teve apenas um tropeço, no clássico contra o Coritiba, quando usou o time reserva. Perdeu também o duelo com o Londrina, pela Primeira Liga. Os resultados animam, mas o dirigente prefere manter a calma. "O planejamento do ano é ter competitividade. Não temos grandes promessas. Nem ser campeões, nem ter o acesso [à Série A]. Não fizemos nenhum tipo de promessa, não dissemos isso ao torcedor ou à imprensa. O Paraná precisa se recuperar moralmente, voltar a ser uma grande marca. As conquistas vem em consequência do trabalho. Nós iniciamos bem. É a nossa avaliação presente".

Mesmo com poucos recursos, o Paraná parece não ter medo de arriscar. Colocou a Copa do Brasil como prioridade exatamente pelo retorno financeiro. Administra um grupo de 32 jogadores que foram buscados no mercado com perfil de quem tem ambição. Uma leitura feita diante do mesmo cenário que trouxe o ex-diretor de Guarani e Ceará para Curitiba. "Você olhando para trás, por tudo que o Paraná já fez, Libertadores, Campeão da B, do Paranaense... você vê um potencial grande. Numa boa cidade como Curitiba, que é boa para viver, tem outras duas equipes grandes, geograficamente bem localizada, a estrutura é boa. Eu aceitei porque vi potencial de crescimento. Acho que o Paraná não tinha onde se prejudicar mais, por tantos erros que aconteceram. Só tínhamos o caminho de crescimento".

Contra o Bahia, o Paraná joga por uma vitória simples. O empate leva a decisão da vaga para os pênaltis. Pastana comemorou o novo regulamento da Copa do Brasil, mas sem deixar de lembrar que poderia estar na outra ponta. "É legal por que dá oportunidade de clubes menores, como o Rio Branco-AC que tirou o Figueirense. Mas hoje eu comemoro porque jogo com o Bahia em casa, poderia estar reclamando também. É muito difícil quando encara um clube com qualidade parelha fora de casa. O sorteio me favoreceu, mas é muito difícil jogar fora de casa".

Para avançar e seguir saneando o clube, Pastana acredita no técnico Wagner Lopes, a quem é só elogios. "Um treinador extraordinário, com conceito de jogo muito bom, também como ser humano, como pessoa. Ele facilita muito o trabalho de um gestor esportivo. E em campo ele tem seus conceitos, facilita muito o padrão de jogo. Ele é o grande responsável por isso", diz, sobre o ex-jogador do São Paulo que fez fama e carreira no Japão, onde chegou até a se naturalizar.
 

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