O contestado: Cristóvão e sua dura rotina que levanta até tese de racismo

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Paulo Fernandes / Flickr do Vasco

    Técnico Cristóvão Borges sofre momento de forte pressão no Vasco

    Técnico Cristóvão Borges sofre momento de forte pressão no Vasco

"A maioria não gosta do Cristóvão. Eu gosto. Eles não gostam porque ele não tem a mesma cor que eu. É preconceito". Foi com esta análise que o presidente do Vasco, Eurico Miranda, definiu a dura rotina de pressão que Cristóvão Borges encara praticamente desde que chegou ao Cruzmaltino, clube que, coincidentemente, é conhecido pela luta por igualdade de raças em seus primórdios.

Aos mais próximos, porém, o treinador costuma dizer que não gosta de tocar neste assunto, meio que para não dar brecha à interpretações de que está utilizando o tema como escudo. Todavia, quando questionado sobre a declaração do mandatário, concorda:

"Isso é uma questão social. Assino embaixo".

A bem da verdade, porém, é que as vaias que o acompanham não são uma exclusividade do torcedor vascaíno. Cristóvão tem sofrido com tal pressão há algum tempo. Ao substituir Tite no Corinthians, por exemplo, também encarou xingamentos e não resistiu após três meses de trabalho, mesmo período que durou no Flamengo, onde foi contestado praticamente desde sua chegada.

No Atlético-PR, ficou por cinco meses. No Bahia, sete. Os trabalhos mais duradouros foram no Fluminense, por 11 meses, e na primeira passagem pelo Vasco, em 2012, por um ano, quando deixou de ser auxiliar de Ricardo Gomes e foi efetivado ao cargo de treinador. Em todos eles, porém, a vaia sempre o acompanhou durante boa parte do tempo.

Indagado se entedia os motivos pelo qual era tão perseguido, não soube responder, mas revelou que tem tentado matar essa curiosidade:

""Eu tenho procurado estudar para entender isso, mas não cheguei a conclusão ainda. Eu sou muito observador, venho observando e acho que vou chegar a uma conclusão em algum momento. Mas ainda não consegui".

Boa-praça

Carlos Gregório Júnior / Flickr do Vasco

O que não há como negar é que Cristóvão Borges atinge unanimidade em um quesito: a simpatia. Por onde passou, deixou amigos e tornou-se querido. De perfil calmo e culto e adepto de uma boa conversa, ele não deu motivos para cultivar mágoa a alguém nestes quase cinco anos de carreira como treinador.

Promessa da base vascaína, Guilherme Costa, por exemplo, só tem razões para elogiá-lo. Foi com Cristóvão que o meia teve sua primeira oportunidade como profissional, em 2012, e também com o técnico que voltou a ter chance na equipe, como vem acontecendo agora.

"Sou muito grato ao Cristovão. Passaram vários treinadores aqui que nunca me deram oportunidades e ele me deu", fez questão de dizer o garoto.

Em entrevista coletiva, o UOL Esporte pediu para que Nenê, um dos líderes e mais experientes do grupo, definisse Cristóvão em termos pessoais e profissionais. E assim o camisa 10 o avaliou:

"Cristóvão é um cara muito aberto, sempre conversa com a gente. É honesto, claro em todas as coisas que vai fazer. Com ele não tem essa coisa de jogador mais velho e mais novo. Somos todos iguais. Isso é um muito bacana. E, profissionalmente, ele acredita muito no trabalho dele e nós também acreditamos. Claro que, às vezes, pode não dar certo dentro de campo. Mas ele tem uma coisa bem clara na cabeça dele em relação a isso e confia muito no trabalho".

"N questões"

Paulo Fernandes / Flickr do Vasco

Sempre com o discurso de que não demite técnico, Eurico Miranda segue garantindo Cristóvão Borges no cargo, destacando que os motivos que o levaram a contratá-lo são muitos.

"Não se contrata ninguém no Vasco que eu não aprove. O Cristóvão foi uma escolha por 'N' razões, especialmente pela primeira passagem no Vasco, que foi excelente", disse à Espn Brasil.

Nos bastidores, no entanto, há quem garanta que uma eliminação nesta quinta-feira, perante o Vitória, às 21h, em Salvador (BA), pela terceira fase da Copa do Brasil, pode deixar a situação insustentável para o comandante. Como empatou o primeiro jogo em 1 a 1 no Rio de Janeiro, o Vasco precisa vencer ou empatar por dois ou mais gols para ficar com a vaga.

VITÓRIA X VASCO
Local:
Barradão, Salvador (BA)
Hora: 21h (horário de Brasília)
Árbitro: Dewson Freitas da Silva (PA)
Auxiliares: Helcio Araújo Neves (PA) e Heronido Freitas da Silva (PA)

Vitória
Fernando Miguel; Patric, Kanu, Alan Costa e Euller; José Welison e Willian Farias; Paulinho, Cleiton Xavier e Gabriel Xavier; Kieza.
Técnico: Argel Fucks

Vasco
Martín Silva, Gilberto, Rafael Marques, Rodrigo e Henrique; Jean, Douglas, Guilherme Costa (Escudero) e Nenê; Kelvin e Luís Fabiano
Técnico: Cristóvão Borges
 

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