Acusação contra Corinthians põe Zago no centro de jogo quente no Beira-Rio

Dassler Marques e Marinho Saldanha

Do UOL, em São Paulo e Porto Alegre

  • Ricardo Duarte/Internacional.com.br

    Treinador do Inter, Zago passou pelo Corinthians como zagueiro e dirigente

    Treinador do Inter, Zago passou pelo Corinthians como zagueiro e dirigente

"Se falou que o Inter ofereceu ele [Valdívia, em troca por Giovanni Augusto], é mentira. Se começarem a contar mentira, vou falar a verdade e mostrar as mensagens do meu celular. Ficamos chateados". Com essas declarações na última quarta-feira, mesmo sem citar o adversário nominalmente, o treinador Antonio Carlos Zago se tornou centro das atenções para mais um Internacional x Corinthians que promete ser quente, no Beira-Rio, na quarta-feira. Justamente a partir dos bastidores. 

As declarações de Zago a uma semana de decisão pela Copa do Brasil revoltaram dirigentes e funcionários corintianos, que atribuem internamente ao treinador a iniciativa para que a troca entre Giovanni Augusto e Valdívia tenha avançado, até que a recusa do meia alvinegro encerrasse o negócio. Um ponto fundamental causou irritação no Parque São Jorge, onde Antônio Carlos tem um passado marcante. 

Além de ter sido zagueiro campeão paulista em 1997, Zago iniciou a carreira como dirigente, logo após pendurar chuteiras como jogador do Santos, justamente no Corinthians em 2008. Naquela ocasião, um dos primeiros reforços fechados por ele, amigo de infância do ex-presidente Andrés Sanchez, foi o então santista Alessandro. Hoje, o ex-lateral ocupa justamente o cargo que foi de Antônio, como gerente de futebol. 

Zago, o executivo de futebol Jorge Macedo e o vice de futebol Roberto Melo participaram de conversas para uma série de trocas com o Corinthians nas últimas semanas, seja com o diretor de futebol Flávio Adauto ou com o próprio Alessandro.

Fernando Santos/Folha Imagem
Alessandro chegou ao Corinthians contratado por Antônio Carlos

A primeira possibilidade cogitada foi Guilherme por Anderson, em janeiro, e desde então se pensou em Seijas por Guilherme, Ernando por Giovanni Augusto, Sasha por Giovanni Augusto e, enfim, Valdivia por Giovanni Augusto. O único negócio a vingar foi a venda de Uendel ao time gaúcho. 

No Corinthians, o então dirigente teve passagem conturbada. Primeiro, foi alvo de críticas porque se desligou do Santos, assinou com o novo clube e trouxe consigo colegas do elenco santista, como Alessandro e o também lateral Denis.

Ele também teve o nome ligado à ida de Ronaldo à boate Pop Drinks, em Presidente Prudente. Na ocasião, Zago havia convidado o elenco corintiano para uma festa em sua casa na cidade e alegou que fora à casa noturna para levar o Fenômeno à concentração. Dias depois, Antônio Carlos se demitiu, mas alegou divergências com Mano Menezes para sair. 

Corinthians espera por jogo quente no Beira-Rio; Inter transmite tranquilidade

A rivalidade forte entre os clubes nos últimos 12 anos ganhou novo capítulo com o episódio Giovanni-Valdívia. Diante da troca de declarações públicas com o Internacional, corintianos passaram a se preocupar com a viagem a Porto Alegre. Nos bastidores, dirigentes alvinegros falam do temor de uma recepção a "pedradas". Há um ano, no Beira-Rio, a vitória corintiana acabou com confusão entre torcidas dos dois clubes. 

"Inter x Corinthians é sempre complicado", disse o goleiro Cássio, formado no Grêmio. "Teve a história do DVD, sempre tem clima diferente. Sendo gaúcho e sabendo como é no Sul, sempre há rivalidade, sempre há rixa, então vai ser um jogo difícil, um jogo complicado. O Corinthians vai se preparar para chegar lá bem, jogar bem e buscar a vitória", acrescentou. 

Divulgação/Internacional
Uendel foi o único negócio que vingou entre os clubes em 2017

O Inter, por sua vez, não vê motivos para preocupação. Segundo o vice de futebol do clube, Roberto Melo, a rixa não ultrapassa o campo e até é positiva para o clube. "É uma grande rivalidade, temos de reconhecer. Com certeza, fora do Estado é a maior que temos. Mas é uma rivalidade sadia, apenas dentro de campo. Os dois já decidiram Brasileiro, Copa do Brasil, são gigantes do nosso futebol. A rivalidade aumentou em anos recentes, mas eu vejo isso com bons olhos. Não tem problema nenhum, eu acho até bom", afirmou Melo.

Há uma semana, porém, foi ele quem fez o mais duro ataque colorado ao Corinthians. "Saíram notícias de que o Inter teria interesse em determinado jogador e ofereceria o Valdívia. Isso é mentira. Lamento este tipo de informação. Alguns clubes têm uma torcida gigante, mas não têm diretores à sua altura. Não tem diretores sérios à altura do clube", reclamou o vice de futebol. 

"Nos últimos anos a rivalidade aflorou", admitiu o volante colorado Rodrigo Dourado. "Tanto para a torcida do Inter quanto para a do Corinthians. Falam que é o segundo clássico para nós, depois do Gre-Nal. Mas deixamos isso de lado, sabemos que é um jogo difícil", acrescentou.

Rivalidade é mais antiga

A rivalidade entre Internacional e Corinthians é mais antiga. Mesmo que já existisse em um passado distante, ganhou novos patamares a partir de 2005, quando a anulação de jogos do Campeonato Brasileiro por denúncia de manipulação e resultados movimentou a tabela. Com as disputas das novas partidas, os dois clubes trocaram de posição. O Inter liderava, tornou-se segundo. O Corinthians, então vice, acabou campeão.

Reprodução
Giovanni Augusto encontrará o Inter depois de recusa

Naquele ano a disputa entre os dois times na reta final do Brasileiro também teve um lance que jamais saiu da lembrança dos colorados. O pênalti cometido pelo goleiro Fábio Costa em Tinga, não assinalado pela arbitragem de Márcio Rezende de Freitas, poderia mudar o dono da taça. E mesmo como vice, o Inter foi recepcionado com festa em Porto Alegre após a última rodada e autoproclamado 'campeão moral'.

Em 2007, quando o Corinthians foi rebaixado para a Série B, o goleiro Felipe acusou o Internacional de ter entregue o jogo ao Goiás para forçar a queda corintiana. E em 2009, quando os times se encontraram na final da Copa do Brasil, o episódio lembrado até hoje aconteceu: o DVD.

Foi quando o vice de futebol colorado, Fernando Carvalho, convocou a imprensa e mostrou um DVD que reunia lances em que os árbitros supostamente beneficiavam o Corinthians na competição. O material também foi entregue à CBF, mas não teve ressonância alguma na prática, já que os corintianos ficaram com o título. O caso virou 'piada eterna' e é lembrado a cada duelo, como no último e marcante, em Itaquera, quando um gol de Marlone deu vitória aos mandantes e ajudou a rebaixar o Inter à Série B. 

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