O fantasma Botafogo. Atlético-MG desafia seu maior carrasco desde 2007

Victor Martins

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Divulgação/Vitor Silva/SSPress

    Em 2013, mesmo com Ronaldinho Gaúcho, Atlético foi eliminado pelo Botafogo na Copa do Brasil

    Em 2013, mesmo com Ronaldinho Gaúcho, Atlético foi eliminado pelo Botafogo na Copa do Brasil

Atlético-MG e Botafogo disputavam uma vaga na semifinal da Copa do Brasil de 2007. Após o empate sem gols no primeiro jogo, no Mineirão, a vitória por 2 a 1, de virada, era o suficiente para a equipe carioca avançar na competição. Perdendo desde os 10 minutos do segundo tempo, com gol do zagueiro Alex Bruno, o Atlético pressionava o adversário, mesmo no Rio de Janeiro. Aos 47 minutos da etapa final, após uma bola cruzada na área, o goleiro Júlio César não conseguiu fazer a defesa e Tchô pegou o rebote. O meia estava praticamente em cima da marca do pênalti quando foi derrubado Alex Bruno. O árbitro Carlos Eugênio Simon nada marcou.

Já cercado pelos atleticanos, o juiz gaúcho apitou o fim da partida e precisou da ajuda da polícia para conter a ira dos jogadores do Atlético e conseguir deixar o gramado do Maracanã. Dois dias depois, em 12 de maio, durante entrevista à Rede Globo, Simon assumiu o erro. "Eu não marquei porque não tive a convicção clara da penalidade e a bola ainda sobrou para o companheiro do atacante, que errou na finalização. Agora, revendo pela televisão, eu vi que houve pênalti e errei", justificou o árbitro, até hoje não perdoado pela torcida do Atlético.

A partir daquele jogo, o Botafogo se tornou o maior carrasco do clube mineiro nos últimos dez anos. Tanto que nos 28 jogos que os dois clubes disputaram desde 2007, o Botafogo venceu 16 vezes. Isso significa que o Botafogo venceu 57% das partidas. Desempenho que nenhuma outra grande equipe do país conseguiu nos confrontos com o Atlético de uma década para cá.

Dez anos depois daquele polêmico jogo, o sorteio da Copa do Brasil colocou Galo e Botafogo frente a frente mais uma vez pelas quartas de final do torneio. Para chegar à semifinal pela quinta vez na história, o Atlético vai precisar eliminar de vez um dos maiores fantasmas recentes de sua história. Nos últimos cinco mata-matas com o Botafogo, incluindo o duelo que teve Carlos Eugênio Simon como protagonista.

Depois de 2007, o Botafogo também eliminou o Atlético da Copa do Brasil do ano seguinte e de 2013, nas quartas e oitavas de final, respectivamente. Além de dois encontros pela primeira fase da Copa Sul-Americana, em 2008 e 2011, sempre com a equipe carioca levando a melhor.

Vitórias importantes do Atlético sobre o Botafogo

Apesar das derrotas e eliminações que o Atlético viveu os últimos anos contra o Botafogo, o clube mineiro também conseguiu importantes triunfos, mas sempre pelo Campeonato Brasileiro. O primeiro deles foi em 2011, na 37ª rodada. Com a goleada por 4 a 0, na Arena do Jacaré, o Galo eliminou qualquer risco de rebaixamento.

No ano seguinte, também pela 37ª rodada, no Estádio Nílton Santos, o Atlético venceu por 3 a 2, mesmo jogando boa parte da partida com um jogador a menos. Com o resultado, a equipe mineira seguiu na briga com o Grêmio pelo vice-campeonato do Brasileirão, que foi confirmado na rodada final. Com a segunda colocação, o Atlético se classificou diretamente para a fase de grupos da Copa Libertadores de 2013.

A última grande vitória do Atlético sobre o Botafogo foi no Campeonato Brasileiro do ano passado. Vitória por 5 a 3, no Mineirão, com direito a grande atuação e recorde do meia Cazares. O equatoriano precisou de apenas 12 segundos para fazer 1 a 0, o gol mais rápido da história do Galo na história do Brasileirão. "Cada jogo é diferente. Para mim, aquele já foi. Trato de pensar em fazer uma boa partida agora. Fiz gols, gostei, mas agora vai ser contra jogadores diferentes. Então, vamos tratar de entrar com a cabeça tranquila, para fazer um bom jogo, ganhar e sair em vantagem neste mata-mata", disse Cazares.

Atlético exorcizou fantasmas nos últimos anos

Algo que anima a torcida do Atlético é o desempenho do time em competições no formato de mata-mata nas últimas temporadas. E tudo começou a mudar com a conquista da Libertadores de 2013, que ajudou o clube mineiro a exorcizar alguns fantasmas. O longo tempo sem uma grande conquista e as vitórias sobre Newell's Old Boys e Olímpia, na disputa de pênaltis, foram alguns dos fantasmas exorcizados.

Mais alguns no ano seguinte, na inédita conquista da Copa do Brasil, sobre o Cruzeiro. Além das duas vitórias na final, o título do Atlético ficou marcado por duas viradas espetaculares sobre Corinthians e Flamengo, nas quartas e semifinal, respectivamente. E o histórico atleticano contra paulistas e cariocas não era nada bom em mata-mata.

E um dos pontos determinantes para o Atlético se dar bem em torneios recentes foi o bom desempenho dentro de casa. Se no Brasileirão a equipe alvinegra venceu apenas um dos cinco jogos que disputou, nesta quinta-feira, fazer do Independência um caldeirão e pressionar o Botafogo é o que deseja os jogadores do Galo, para afastar de vez um dos últimos fantasmas dos torcedores atleticanos.

"Temos de jogar com inteligência, saber que temos 180 minutos para decidir a classificação. Claro que jogando em casa, o Atlético tem de propor o jogo, tem que procurar ir para cima do adversário. Mas com organização, dentro do aspecto tático que trabalhamos e fazendo aquilo que temos de melhor no Independência, que é pressionar o adversário", disse o goleiro Victor.

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