"Barcelona do interior"? Auxiliar de Felipão conta quem é o rival do Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

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    Paulo Turra, hoje auxiliar de Felipão, foi técnico do Cianorte em 2012, 2015 e 2016

    Paulo Turra, hoje auxiliar de Felipão, foi técnico do Cianorte em 2012, 2015 e 2016

Mais do que o calor, o estádio acanhado, gramado 'de jardim' ou mesmo a pressão da torcida, o Inter deve temer a qualidade do Cianorte. O 'Barcelona dos times do interior' precisa ser respeitado. Esta é a avaliação do ex-zagueiro Paulo Turra, que foi técnico do time do noroeste paranaense em 2012 e entre 2015 e 2016. Hoje auxiliar de Felipão, ele explicou ao UOL Esporte as dificuldades que o Colorado irá enfrentar nesta quarta.

"Eles sempre montam bons times, contratam jogadores não por contratar, mas que conhecem, pesquisam, vão atrás de indicações. O ambiente lá também é complicado. Um estádio acanhado, estará lotado, a torcida ajuda, tem gramado antigo, de jardim, e um pouco alto. Não bastasse isso é bastante calor, muito abafado. O Inter não vai ter facilidades, não", contou o treinador.

A organização do clube é exemplar. Quem passa por lá, na avaliação de Turra, encontra salários em dia, boa estrutura e uma ambiente totalmente positivo para executar seu trabalho.

"Eu brinquei no jogo do Beira-Rio que o Cianorte é o Barcelona dentro da realidade dele (times do interior). É um clube muito organizado, tem três pessoas que comandam o futebol, o presidente, executivo e vice de futebol. Não tem conselheiros, é um clube empresa muito bem gerido, paga em dia. Tem uma estrutura simples, mas funcional. Qualquer jogador que chega lá, ou profissional do futebol, se sente à vontade. Sabe seus direitos e deveres. É um clube muito organizado", explicou.

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Turra foi zagueiro do Caxias, do Palmeiras, do Botafogo, jogou em Portugal e na Escócia. Aposentado desde 2007, tornou-se auxiliar e depois técnico. Comandou o Cianorte em 2012, quando foi terceiro colocado no Campeonato Paranaense e por pouco não levou seu time à Série C do Brasileiro. Perdeu a vaga para o Mogi Mirim, então treinado por Guto Ferreira, nos pênaltis. Rodou por outros clubes e voltou ao Cianorte em 2015. Em 2016, conquistou a Segunda Divisão Paranaense de forma invicta com o clube. Posteriormente precisou se desligar para ser auxiliar técnico de Felipão no Guangzhou  Evergrande, da China, mas não perdeu contato.

"O Cianorte tem jogadores que assumiram a mentalidade do clube, vêm desde a base identificados com eles. Sinceramente acho que a primeira dificuldade do Inter será isso. Trabalhei com João Gabriel, goleiro, Rafael Xavier, meia, William, lateral esquerdo, Sid, volante e o Maikinho eu indiquei em 2015, foi meu jogador no Operário. Assim como o Patrick, que hoje está no Inter, também foi. O Marcelo Caranhato, técnico do Cianorte, foi meu auxiliar. Quando fui para China trabalhar com o Felipão, eu o indiquei para seguir o trabalho e vem muito bem", afirmou.

O treinador tem parte na invencibilidade de dois anos e quatro meses do time no estádio Albino Turbay. São 23 jogos sem perder em casa. "É um estádio de 2500 lugares, a torcida organizada puxa muito, é interior, não é um alçapão, mas a torcida pressiona bastante", referiu.

De volta ao Brasil, Turra segue como auxiliar de Luiz Felipe Scolari. Aguarda o próximo trabalho do comandante e esteve com ele no Beira-Rio no jogo de ida do embate na Copa do Brasil. Aproveitou o período para fazer o curso de Licença Pro da CBF, estagiou por 12 dias no Corinthians com Carille e acompanhou mais de 18 jogos dos Estaduais de Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

"É claro que o Internacional é um clube grande, mas precisa ficar atento. O Cianorte tem muita qualidade e tudo isso parte da organização do clube, da montagem de um bom time. Será um jogo complicado", finalizou.

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