Everton Ribeiro venceu dúvida de Mano e Tite para ser um dos melhores do BR

Dassler Marques e Vinicius Castro

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians - Thiago Ribeiro/AGIF

    Cria corintiana, Everton é protagonista no Flamengo que briga pelo título nacional

    Cria corintiana, Everton é protagonista no Flamengo que briga pelo título nacional

Foi em julho de 2008, portanto há pouco mais de dez anos, que Everton Ribeiro descobriu que seu caminho precisaria seguir longe do Corinthians, que optou por emprestá-lo ao São Caetano para que continuasse sua história fora do Parque São Jorge. Hoje na linha de frente de destaques do Flamengo, ele vive temporada de destaque e se confirma como um dos nomes de maior sucesso do futebol brasileiro nesta década.

Ainda que chegue à semifinal da Copa do Brasil entre Flamengo x Corinthians nessa condição, Everton Ribeiro não poderia talvez imaginar tamanha ascensão até o jogo desta quarta-feira, no Maracanã. Sem conseguir sequência no clube onde foi criado, ele precisou "roer o osso" na Série B por uma decisão de Mano Menezes, então treinador corintiano.

"Será importante para ele. Por termos muitos jogadores de características parecidas resolvemos liberar. Com a chegada do [Wellington, revelação do futebol goiano] Saci, ele perdeu espaço. E ainda temos o André Santos [lateral], o Douglas [meia hoje no Grêmio], que também é canhoto", justificou, na época, o treinador corintiano.

O São Caetano de Zago fez a promessa corintiana desabrochar

Anderson Rodrigues/AD São Caetano
Everton Ribeiro no São Caetano

Everton Ribeiro tinha só 19 jogos com a camisa do clube, se dividia entre duas posições e não conseguia sequência. O estilo tímido e discreto do garoto ainda rendeu um apelido brincalhão por parte de Vampeta: "tiriça". O responsável pela aposta que mudaria a história do jogador foi Antônio Carlos Zago, que havia passado pelo Corinthians como diretor e, logo depois, iniciou sua carreira como treinador do São Caetano.

"Ele era um jogador de qualidade acima da média, que sobrava tecnicamente em relação a vários jogadores do Corinthians, mas não teve muito espaço. Ele também jogava de lateral esquerdo e por ser franzino não teve muitas chances", recorda Zago, ao UOL Esporte.

"Chegou como lateral ao São Caetano, mas coloquei para jogar na meia, às vezes até aberto, e ele correspondeu a tudo que eu achava. Era a posição certa para ele naquele momento, porque precisávamos de um jogador daquela qualidade. Era uma posição que ele já conhecia da base e ajudou ele a se tornar esse grande jogador nos últimos anos", complementa. 

Um ano e meio depois, com destaque pelo São Caetano, Everton Ribeiro se reapresentou no Corinthians para um novo treinador. Também tinha sido campeão sul-americano sub-20 pela seleção brasileira, mas nem isso chamou muito a atenção de Tite. Em meio à pré-temporada, a direção corintiana e o comandante concluíram que ele teria pouco espaço e aceitaram uma proposta do Coritiba de R$ 1 milhão. 

"Trabalhei muito pouco com o Éverton e não pude fazer uma real avaliação naquele período. Era um garoto jovem, com potencial, mobilidade e uma boa qualidade técnica, mas não tive o tempo necessário para analisar", afirmou Tite anos depois.

O caminho não seria linear, mas fez Everton Ribeiro cumprir com o status de promessa, com destaque pelo Coritiba que foi vice-campeão da Copa do Brasil e êxito como principal nome do Cruzeiro, bicampeão brasileiro em 2013 e 2014.

"Peguei dois momentos complicados, ainda mais para quem estava começando, que era o meu caso. Quando estava na base, atuava como meia mais aberto. Fui para seleção da categoria e ajudei na conquista do título sul-americano. Mas, como o clube precisava na época, subi para o profissional como lateral. Depois fui para o São Caetano como meia e as coisas deram certo. Mas sou muito grato ao Corinthians. Foi um clube que ajudou muito na minha formação", disse Everton ao UOL.

Sucesso também com a camisa rubro-negra

Gilvan de Souza / Flamengo

O principal jogador do Brasil em 2013 e 2014 é também um dos melhores do Flamengo na atual temporada. Depois de um 2017 difícil por conta da readaptação ao país, a segunda maior contratação da história rubro-negra ((R$ 22 milhões) apareceu. Não apenas com gols, mas o camisa 7 passou a ser fundamental para decidir jogos.

Na atual temporada, Everton Ribeiro tem feito a torcida relembrar o protagonismo de outrora. São oito gols em 41 jogos oficiais. Mas o fator diferencial é que ele se tornou alternativa importante na criação, algo que foi muito pouco visto nos primeiros meses de Ninho do Urubu.

"Me preparei bastante para chegar nesse momento. Me sinto muito bem e o foco está totalmente no Flamengo. Só penso em ajudar cada vez mais. Sabemos da nossa responsabilidade e do que a torcida espera de cada um de nós", afirmou.

O bom momento em campo está ligado ao fato mais marcante na vida do meia. O nascimento do filho Augusto, que precisou ficar internado na UTI Neonatal, fortaleceu jogador e família. Já com quatro meses, o bebê é o motivo pelo qual o camisa 7 tenta quebrar marcas e reviver as suas melhores atuações. Hoje, se o Flamengo busca títulos, boa parte do sonho passa pelos pés de Everton Ribeiro.

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