Xingamentos ao VAR, raiva e choro: como corintianos viram vice em Itaquera

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

  • MARCO GALVãO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Os versos do hino do Corinthians foram entoados pelas arquibancadas antes mesmo de o árbitro dar o apito final. A torcida mostrou apoio mesmo perdendo o título da Copa do Brasil para o Cruzeiro por 2 a 1 em plena Arena Corinthians. Mas o gesto não deixou de lado a tristeza, a raiva e o choro do torcedor corintiano que voltou para casa frustrado com o VAR, com conselheiros do clube e até com os próprios corintianos.

Após o fim do jogo, enquanto o Cruzeiro comemorava no gramado e boa parte da torcida já havia deixado o estádio, alguns torcedores estavam desolados na arquibancada. A torcedora Nicole Silva era uma delas. Isolada em uma fileira, ela tentava enxugar as lágrimas. Era dia do seu aniversário, mas o presente não havia sido nada agradável.

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Nicole saiu de sua cidade São José dos Campos para ver o título do Corinthians, mas o presente não veio. "Estou feliz e triste. A gente nunca espera pela derrota ainda mais no dia do aniversário. Mas a vida ensina a gente a seguir em frente, a gente tem que aceitar".

Luiza Oliveira/UOL

Se uns se emocionam na derrota, outros colocam para fora a própria agressividade. Quando Arrascaeta sacramentou o título do Cruzeiro, aos 39 minutos do segundo tempo, muitos torcedores começaram a ir embora. Um grupo de corintianos não perdoou e hostilizou os outros por deixarem o time antes do apito final. 'Modinha do c.. bando de modinha. Fica aí, c..'.

O sentimento de raiva foi compartilhado por outros corintianos que iam embora da Arena.  Quando eles passaram pelo saguão, não se contiveram em relação a ex-integrantes da diretoria do clube. O clima ficou tenso em um momento. Torcedores começaram a gritar assustando os outros que passavam: 'Ladrão, ladrão! Bando de arrombado'. Os gritos eram destinados aos conselheiros vitalícios do clube Mané da Carne e Jacinto Antônio Ribeiro, vulgo Jaça. 'Foge mesmo, seu arrombado. Vocês manipularam a eleição', acusou outro.

Apesar desses pequenos focos, o clima era amistoso e até de certo conformismo entre os torcedores. Não houve registros de incidentes fora do estádios e muitos deles foram embora em direção ao metrô discutindo as falhas do time, especialmente as de Leo Santos que que acabou sendo responsabilizado por dois gols.

O VAR também não escapou das reclamações. "Esse VAR é traiçoeiro. A derrota vai para a conta do Leo Santos e desse VAR", disse o torcedor Gustavo Perignata, que ainda tentava digerir a derrota.

Choro, apoio durante o jogo
Durante o jogo, os sentimentos foram misturados. A torcida demonstrou nervosismo com o número de cartões amarelos aplicados pelo árbitro para o Corinthians durante o primeiro tempo. Um foco de briga ocorreu entre as torcidas Pavilhão e a Estopim, mas logo foi contornado pelos próprios torcedores.

No segundo tempo, quando o árbitro assinalou pênalti após consultar o VAR e Jadson marcou aos 9 minutos, o torcedor foi à loucura. Alguns deixaram as lágrimas escorrer em meio aos cantos de "Pra te ver Corinthians", 'Vamos, Corinthians". Mas a explosão da Arena ocorreu mesmo quando Pedrinho balançou as redes. Mas a outra intervenção do juiz e do VAR anulando o gol baixou a guarda da torcida e a deixou bem irritada. 'Pipoqueiro' foi o xingamento mais leve que ele recebeu.  

EDUARDO CARMIM/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
O gol de Arrascaeta, aos 36min do segundo tempo, selou o caixão e a paciência dos corintianos. A segunda falha de Leo Santos no jogo não foi perdoada. 'Essa zaga é muito ruim', gritou uma torcedora. 'Podia ter feito a falta. Toma o cartão', bradou outra. Duas fileiras atrás, o jovem também não perdoou. "Fecha o ângulo'.

A festa da torcida do Cruzeiro que compareceu em bom número no estádio também provocou a reação dos adversários. "Vamos cantar, galera. Deixar cruzeirense cantar? Que p...". Os colegas obedeceram e começaram os gritos de 'Timão EÔ' até o fim do jogo como forma até de agradecimento ao time por se doar em campo. No fim não faltou o clássico: 'Eu nunca vou te abandonar porque eu te amo'.

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