Chape tenta afastar crise ao iniciar defesa de título da Sul-Americana

Daniel Fasolin

Colaboração para o UOL, em Chapecó (SC)

  • AP Photo/Jorge Saenz

    Plinio de Nes, presidente da Chapecoense, "divide" o troféu da Copa Sul-Americana com representante do Atlético Nacional

    Plinio de Nes, presidente da Chapecoense, "divide" o troféu da Copa Sul-Americana com representante do Atlético Nacional

Após ouvir protestos de parte da torcida no Campeonato Brasileiro, a Chapecoense iniciará nesta quarta (28) uma nova caminhada na Copa Sul Americana, onde defenderá o título conquistado em 2016.

O jogo contra o Defensa y Justicia-ARG marcará a volta da equipe à competição exatamente sete meses após a tragédia aérea em Medellín. O clube faria a primeira partida da final da competição contra o Atlético Nacional, mas a aeronave da empresa LaMia colidiu com o morro Cerro Gordo e causou a morte de 71 pessoas, incluindo jogadores, comissão técnica e dirigentes do clube.

Como campeã da competição, a equipe brasileira teve o direito de jogar a Libertadores de 2017, mas acabou em terceiro lugar no grupo 7, após ser punida pela escalação irregular de Luiz Otávio.

Do atual elenco da Chapecoense, apenas Alan Ruschel, Neto e Neném são remanescentes do ano passado. Os dois primeiros estavam no avião que sofreu o acidente, ainda se recuperam das lesões sofridas na ocasião e não voltaram aos gramados. Já o meia Neném, que não estava no voo, está relacionado para a partida desta quarta.

O jogador que conviveu com a maior parte do elenco que morreu em Medellín afirmou estar ansioso com o retorno à competição. "Significa muito pra gente, pois marcou muito nas nossas vidas. É uma competição que, mesmo antes de tudo acontecer, nós já tínhamos uma identificação e um carinho até pelas boas campanhas. A gente espera fazer um grande trabalho e também uma grande competição para nós, para nosso torcedor e nossa cidade que tem um carinho especial pela Sul-Americana. Ela se tornou mais que especial para todos nós", disse Neném em entrevista ao UOL Esporte.

Para o presidente da Chapecoense, Plínio David de Nês Filho, a competição pode ajudar o time a superar o momento ruim no Brasileirão. "Estamos conscientes de nossa responsabilidade nesta competição. Não passamos um bom momento, mas vamos voltar a trilhar o caminho do sucesso certamente. Essa competição significa muito para nós e é muito importante estarmos bem", avaliou.

Terceiro jogador que sobreviveu à tragédia na Colômbia, o ex-goleiro Follmann espera que o time consiga repetir o desempenho do ano passado. "É um significado muito grande para mim e para o clube estar nessa competição, fizemos uma excelente campanha no ano passado com nossos guerreiros. Para a cidade é muito importante e também para o clube", afirmou ao UOL Esporte.

Hoje comentarista, Follmann afirmou que ainda lembra muitos dos companheiros mortos no acidente. "Tenho muitas lembranças dos meus companheiros. Não tem como apagar, meus irmãos fizeram uma campanha excelente no ano passado. A saudade é imensa, pois parece que foi ontem que estreamos na Copa em 2016 e estávamos fazendo história pelo clube. A saudade ficará até a eternidade". disse o ex-goleiro que teve a perna direita amputada após o acidente.

A Chapecoense chegou nesta segunda-feira (26) em Buenos Aires e ainda na terça fará o reconhecimento do gramado do estádio Norberto Tito Tomaghello, na província de Florencio Varela. 

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