Flu perde para o Nacional, mas resiste à altitude e avança na Sul-Americana

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • DAVID MERCADO/

    Pablo Dyego disputa bola entre dois jogadores bolivianos

    Pablo Dyego disputa bola entre dois jogadores bolivianos

Em um jogo disputado nos 4.070 metros de altitude de Potosí, o Fluminense  conseguiu resistir às adversidades e, apesar da derrota por 2 a 0, com gols de Reina, arrancou a vaga para a próxima fase da Copa Sul-Americana, já que havia vencido o jogo de ida por 3 a 0.

Diante de um adversário frágil tecnicamente, o Tricolor teve nas condições extremas da cidade boliviana o seu maior adversário. Após um primeiro tempo no qual conseguiu segurar o ímpeto da equipe mandante, o Flu levou sufoco no segundo tempo, mas traz de volta para o Rio de Janeiro um placar que garante ao clube a manutenção do sonho de vencer o torneio continental.

Com a vaga na mão, o time de Abel Braga aguarda o sorteio para saber quem será o rival pela próxima fase. Após a missão cumprida, a equipe volta suas atenções para o Brasileiro. Na segunda, o Fluminense visita o Botafogo, às 20h, no Nilton Santos.

O melhor: Júlio César aparece bem

Os treinos com bola de vôlei parecem ter surtido efeito para o goleiro Júlio César. Diante da proposta da equipe da casa de usar a altitude como aliada e arriscar chutes de fora da área, o goleiro do Fluminense foi peça-chave para o resultado. Colocado insistentemente à prova, ele fez ótimas defesas e cometeu um único erro em um cruzamento rebatido para dentro da área.

O pior: Frazan sofre pelo lado esquerdo

O Nacional rapidamente detectou que o mapa da mina poderia ser o seu lado direito de ataque. Diante disso, o zagueiro Frazan sofreu com as triangulações criadas por ali e que resultaram em cruzamentos perigosos. A atuação do defensor foi comprometida também pela partida do lateral-esquerdo Ayrton Lucas, que sofreu com a falta de fôlego e foi envolvido com certa facilidade. O titular foi substituído por Marlon logo no intervalo.

Potosí chuta de todo os lados

O primeiro tempo de jogo seguiu um roteiro previsível em Potosí. Com uma vantagem confortável e diante de uma condição climática inédita para os brasileiros, o Flu viu o frágil time do Potosí tomar a iniciativa. Apesar do aparente domínio inicial, o time da casa só levou mesmo perigo em chutes de média e longa distância. Em um deles, Reina acertou a trave tricolor. Em tiros de Torres e de Reina, o goleiro Júlio César fez importantes defesas.

O Flu foi se encontrando aos poucos no jogo e conseguiu trocar mais passes após os 15 minutos iniciais. De forma cautelosa, o time tentou "cozinhar" o rival na base da técnica. Em sua melhor oportunidade, o Tricolor levou muito perigo em bom chute de Pedro. O primeiro tempo seguiu nesta toada: o Nacional tentando se aproveitar de seu maior aliado, e o Flu amarrando a partida de maneira a fazer o tempo passar e frear o ímpeto do Nacional.

Donos da casa sufocam o Fluminense

Marlon entrou no lugar de Ayrton Lucas, mas o lado esquerdo de defesa do Flu seguiu sendo o melhor caminho para a equipe mandante, que aproveitou cochilo do lateral para bater sem chance e abrir o placar. Com a contagem aberta aos 5 minutos, o Nacional foi para cima e quase ampliou logo em seguida, mas o cabeceio de Meza passou raspando e saiu.

Mas o drama tricolor logo foi ampliado. Aos 14, o juiz marcou pênalti discutível de Jadson em Perez. Reina, o grande nome do Nacional, bateu no canto e marcou. A desvantagem "no limite" acordou os tricolores, que tentaram colocar a bola no chão e aproveitar os espaços deixados pelo Nacional. Em excelente trama de Pedro e Sornoza, Pablo Dyego saiu na cara do goleiro e perdeu um gol que poderia resolver a parada. Após outro ótimo passe do equatoriano, Robinho levou perigo na conclusão.

O "Time de Guerreiros" fez jus ao apelido e deu tudo que tinha. Exaustos, os jogadores colocaram o coração em campo para segurar uma derrota que pode (e deve) ser festejada por todos os tricolores.

Vítima

Os mais de 4.000 metros de altitude de Potosí fizeram a primeira vítima antes mesmo de a bola rolar. A assessoria do clube informou que o atacante Marcos Jr."apresentou indisposição com o efeitos da altitude" para justificar o corte.

"Campo neutro"

O Flu encarou o time da casa, as condições adversas da cidade de Potosí, mas não teve contra si aquele clima de caldeirão típico das competições sul-americanas. A arquibancada do Victor Agustín Ugarte estava praticamente vazia na noite desta quinta.

Popstars

Em uma cidade não habituada a receber grandes clubes do futebol sul-americano, a ida do Fluminense a Potosí atraiu a curiosidade de jovens bolivianos, que aguardaram a saída da delegação para o estádio. Ao contrário das selfies comuns no Brasil, os entusiasmados fãs pediram autógrafos para os tricolores.

NACIONAL POTOSÍ-BOL X FLUMINENSE

Data e hora: 10/05/2018, quinta-feira, às 21h45 (horário de Brasília)
Local: Victor Agustín Ugarte, em Potosí
Árbitro: Estebán Ostojich (URU)
Auxiliares: Nicolás Taran (URU) e Gabriel Popovits (URU)
Gols: Reina, aos 5 minutos minutos do segundo tempo; Reina, aos 15 minutos do segundo tempo
Cartões amarelo: Richard, Pablo Dyego, Gum (FLU); Galain (NAC)
Cartão vermelho: -

Nacional Potosí
Romero; Torres, Torrico, Montenegro (Velasco) e Galain; Salazar, Paniagua e Meza; Reina, Pérez (Quiroga) e Piñero (Gallegos).
Técnico: Edgardo Malvestiti
Fluminense
Júlio César; Renato Chaves, Gum e Frazan; Gilberto, Richard, Jadson, Sornoza ( Mateus Norton) e Ayrton Lucas (Marlon); Pablo Dyego (Robinho) e Pedro
Técnico: Abel Braga

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