São Paulo joga mal, perde a cabeça e a primeira no Morumbi com Aguirre

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Marcello Zambrana/AGIF

    Hudson é cercado por dois argentinos. O careca, Fritzler, marcou o gol da vitória do Colón

    Hudson é cercado por dois argentinos. O careca, Fritzler, marcou o gol da vitória do Colón

O São Paulo esteve muito longe das últimas atuações no Campeonato Brasileiro na noite desta quinta-feira. E justamente quando o espírito brigador da equipe de Diego Aguirre poderia fazer a diferença na Copa Sul-Americana. Os argentinos do modesto Colón tiraram proveito da jornada ruim e tiveram a marcação perfeita premiada com um contra-ataque que definiu a surpreendente vitória por 1 a 0 no Morumbi, que viu o primeiro revés da Era Aguirre. O resultado causou descontrole nos paulistas, que tiveram Brenner expulso e passaram perto de perder também Diego Souza por cartão vermelho.

Veja os melhores momentos de São Paulo 0 x 1 Colón

Foi a primeira derrota do Tricolor em seu estádio para um clube argentino nas competições organizadas pela Conmebol. Eram 22 vitórias e oito empates até esta noite. Agora, o confronto de volta está marcado para o dia 16 deste mês, em Santa Fé, na Argentina. Será preciso vencer por por pelo menos um gol para seguir vivo - devolver o 1 a 0 leva a decisão para os pênaltis. Quem se classificar enfrenta o colombiano Junior Barranquilla, que derrotou o Lanús nos pênaltis ainda no fim de julho.

A próxima partida do time paulista é pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, às 16h de domingo. O Vasco da Gama será o adversário no Morumbi, antes de uma semana inteira para descansar até o duelo com o Sport, na Ilha do Retiro. 

Os melhores

Bruno Alves manteve sua já costumeira regularidade. Esperto para antecipações e eficiente também na saída de bola, o zagueiro tem cada vez mais a confiança de Aguirre. Mesmo sendo reserva. Nenê e Everton, por buscarem a bola o tempo todo, merecem a menção, mas contribuíram muito com o excesso de lances pelo meio do São Paulo. O zagueiro Ortiz, do Colón, também viveu boa jornada.

Os piores

Rojas poderia ser o diferencial do Tricolor por sua capacidade em lances de um contra um. Mas não tentou nenhuma jogada individual, ficando escondido na ponta direita. Entre os argentinos, o ex-gremista Alan Ruiz deveria ser o responsável por puxar os contragolpes, mas pouco foi notado em campo. Militão, responsável por boa parte dos cruzamentos desesperados dos paulistas, também entra na lista dos piores.

Marcello Zambrana/AGIF

Argentinos fazem mistério até o último instante

A comissão técnica do Colón adotou o mistério como estratégia antes da partida. Com a intenção de esconder o seu esquema tático e confundir os brasileiros, os argentinos não divulgaram a escalação da equipe nos instantes que antecedem o confronto, como prevê o regulamento da Copa Sul-Americana. A imprensa só conseguiu a relação dos 11 jogadores titulares na sala de arbitragem.

São Paulo "ajuda" ferrolho do Colón com pouca inspiração

O crescimento do Tricolor com Diego Aguirre passa por um estilo de jogo baseado em intensidade, velocidade e decisões rápidas. Elementos que não foram apresentados durante o primeiro tempo no Morumbi. A linha de cinco defensores do Colón tornava ainda mais necessária essa prática são-paulina, mas o que se viu foi uma equipe lenta e preciosista. Houve insistência por cruzamentos e pouca aproximação. Na única tentativa de tabela, Everton chutou com perigo após corta-luz de Nenê e pivô de Diego Souza.

Proposta de jogo dos visitantes fica mais próxima do sucesso

Se a ideia do Colón era se retrancar, muitas vezes com todo o time atrás da linha da bola, a estratégia foi cumprida com eficiência. Os paulistas mal criaram e ainda tiveram dificuldades para conter as seguidas viradas de jogo dos argentinos. Em uma delas, um escanteio foi conquistado e, após furadas na primeira trave, Godoy perdeu chance incrível já nos acréscimos da etapa inicial. 

Nova tabela, nova chance de abrir o placar

A volta do intervalo mostrou um São Paulo ciente de que seria necessário encurtar a distância entre seus atletas e investir em mais triangulações. Foi assim que Hudson acionou o pivô de Diego Souza e se projetou para receber na frente. O bonito chute de primeira desviou na defesa e passou muito perto da trave de Burián.

Aguirre manda o time para o ataque com trocas

Bruno Peres estreou como titular do São Paulo nesta quinta. E de forma surpreendente, atuando como volante. A ideia era qualificar a saída de bola e ganhar dribles e chutes de longa distância. Isso funcionou bem em parte do primeiro tempo, mas o atleta emprestado pela Roma pareceu sentir a falta de ritmo e sumiu. Aguirre, então, lançou o garoto Shaylon em seu lugar, deixando o meio de campo ainda mais ofensivo. Depois, sacou Reinaldo e lançou Gonzalo Carneiro, deixando Everton mais atento à esquerda e Militão mais preso na direita.

Jean ganha chance e ouve pedidos para cobrar falta

O criticado Sidão ficou no banco de reservas contra o Colón. Aguirre decidiu dar mais rodagem a Jean, que atuou pela oitava vez na temporada. Sem muito trabalho na defesa, o goleiro ouviu a torcida gritar seu nome por lance ofensivo. Quando Diego Souza sofreu falta, os torcedores pediram que o camisa 1 fosse à frente para bater. Nenê, porém, foi quem cobrou. A bola desviou na barreira e Bruno Alves pegou a sobra para acertar o travessão.

Marcello Zambrana/AGIF

Golaço explode "hinchada" argentina no Morumbi

O São Paulo era teimoso ao tentar sempre pelo meio. Mesmo jogadores acostumados a lances pelas pontas insistiam em centralizar. A vida do Colón ficava fácil na marcação, a cera deixava os tricolores irritados e o desespero pelo gol causou buracos na defesa. Na primeira investida argentina no segundo tempo, isso foi explorado com excelência. Uma troca de passes abriu a marcação brasileira e deu espaço para Fritzler marcar golaço de primeira, no ângulo de Jean. Os 2,5 mil torcedores do Colón presentes no Morumbi enlouqueceram.

Diego Souza perde a cabeça e escapa de expulsão. Já Brenner...

O prejuízo do São Paulo poderia ter sido ainda maior se o árbitro Leodan González tivesse visto agressão de Diego Souza com o lance parado. O camisa 9 acertou pontapé no rival, mas não foi notado. Depois, Brenner se irritou com falta sofrida na ponta esquerda, empurrou o adversário e não escapou: foi expulso.

FICHA TÉCNICA:
SÃO PAULO X COLÓN

Data/Horário: 2 de agosto de 2018, às 19h30
Local: Morumbi, em São Paulo (SP)
Árbitro: Leodan González (Uruguai)
Auxiliares: Miguel Nievas e Carlos Barreiro (ambos do Uruguai)
Público/Renda: 35.666 presentes/R$ 828.553,00
Cartões amarelos: Hudson e Diego Souza (SAO); Ortiz (COL)
Cartão vermelho: Brenner (SAO)

GOL: Fritzler, aos 34 minutos do segundo tempo (COL)

São Paulo: Jean; Militão, Bruno Alves, Anderson Martins e Reinaldo (Carneiro); Hudson, Bruno Peres (Shaylon), Rojas (Brenner) e Everton; Nenê; Diego Souza. Técnico: Diego Aguirre.

Colón: Burián Castro, Toledo, Olivera, Ortiz e Escobar; Heredia, Fritzler, Godoy e Estigarribia; Alan Ruiz (Bernardi) e Correa. Técnico: Eduardo Dominguez

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