Ganso tem concorrência pesada e ainda joga em posição diferente da do SP

Do UOL, em São Paulo

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    Ganso ainda busca se adaptar a uma nova posição e ao estilo de Sampaoli

    Ganso ainda busca se adaptar a uma nova posição e ao estilo de Sampaoli

Não tem sido fácil o início de Paulo Henrique Ganso como jogador do Sevilla. Além da dificuldade natural de adaptação que atinge praticamente qualquer atleta que faz a transição para o futebol europeu, o meia tem tido duas complicações extras: o técnico Jorge Sampaoli o escala em uma posição diferente da que ele ocupou em toda sua carreira, e a concorrência no setor é pesada.

O Sevilla fez oito jogos oficiais na temporada até aqui, com Sampaoli mudando bastante os esquemas táticos e as escalações entre eles. Ganso jogou quatro partidas, três como titular, e em todas elas foi escalado em uma função mais recuada, como um segundo volante. Tem liberdade para organizar o jogo, mas, sem bola, precisa ocupar espaço na frente da defesa e marcar. Nesta terça-feira, Ganso ficou fora da lista de relacionados para o clássico contra o Betis.

Nova função e concorrência com argentino

O problema para ele é que o Sevilla tem nomes que têm atuado bem na posição, como o japonês Kiyotake e o espanhol "queridinho" da torcida Vitolo. Além disso, o recém-chegado Samir Nasri aumenta a concorrência no setor, o que faz com que as chances de Ganso sair jogando no clássico desta terça (20) contra o Betis, pelo Campeonato Espanhol, sejam baixas.

Usados por Sampaoli como meio-campistas, Kiyotake e Vitolo são pontas de origem. São jogadores velozes, que cobrem largas distâncias no gramado e gostam de conduzir a bola. O contraste com Ganso não poderia ser mais evidente.

Já Nasri é um armador com características mais parecidas com as do brasileiro, mas também está acostumado a jogar um pouco mais recuado e a participar mais da marcação. Em seu único jogo até aqui (vitória por 2 a 1 sobre o Las Palmas), atuou pelo lado direito e recompôs bem quando o time estava sem a bola.

A posição a que Ganso está mais acostumado – a de um meia ofensivo e centralizado, logo atrás do centroavante e sem muitas obrigações defensivas – nem sempre existe nos esquemas de Sampaoli. Mas quando o técnico opta por um sistema com um "10", tem apostado no argentino Franco Vázquez, contratado junto ao Palermo por 13 milhões de euros.

Vázquez tem tido bons desempenhos na função, o que deixa Ganso ainda mais longe de jogar em seu local favorito do campo. Até agora, o brasileiro não foi sequer cogitado por Sampaoli para atuar como um meia avançado.

A rota para Ganso ganhar espaço no time titular, portanto, passa por uma adaptação à nova posição. Se o brasileiro não tem a mesma mobilidade e dinâmica de jogo de Kiyotake, Vitolo e Nasri, pode compensar com um estilo mais cerebral – no empate por 1 a 1 com o Eibar, por exemplo, Ganso jogou 90 minutos e deu um passe preciso que deixou o atacante Correa na cara do gol, resultando na expulsão do goleiro adversário por uma falta fora da área.

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