Torcida quer manter Ganso no Sevilla e crê em reviravolta contra má fase

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

O primeiro semestre de Paulo Henrique Ganso na Europa tem sido abaixo da expectativa. Ele completou uma sequência de três jogos sem nem ao menos ser chamado para o banco de reservas e já está há mais de um mês sem atuar.

"Brilhante, porém lento" são dois dos adjetivos mais usados por torcedores do Sevilla para descrevê-lo. Mesmo assim a torcida acredita que o brasileiro, que custou 10 milhões de euros, ainda pode se adaptar ao futebol espanhol e dar uma reviravolta ao longo do ano. Ao menos é o que pensam cinco representantes de "peñas" sevillistas, como são conhecidas as torcidas organizadas de lá.

"Todo jogador que vem do Brasil passa pelo mesmo", disse o comerciante Joaquin Ruiz, 52 anos. "O primeiro ano passa quase em branco, adaptando-se. Já passaram por isso jogadores da qualidade de Luís Fabiano e Renato Dirnei, que demoraram a adaptar-se, mas depois tiveram um altíssimo rendimento."

Desde agosto, Ganso participou de apenas 12 jogos e apenas três deles pelos 90 minutos. Fez um gol e deu um passe de calcanhar, o que fez uma parte da torcida suspirar por seu futebol. "O que vi de Ganso eu gostei muito, se vê que é um cara muito técnico. Mas é verdade que não terminou de se adaptar", afirmou o audiólogo Ismael Gil, 24, diretor da federação de torcidas do Sevilla. "Espero que se adapte porque junto a Nasri, é o que tem mais qualidade técnica do elenco."

Aitor Alcalde Colomer/Getty Images

Neste ano, o Sevilla briga no topo do Campeonato Espanhol e também disputa a Liga dos Campeões. A esperança dos torcedores é que a maratona de jogos permita a Ganso ter mais minutos em campo para ganhar ritmo de jogo.

"Agora é a hora de ter mais minutos. Se não tiver agora, não vai ter nunca", disse Ismael Gil. Veja abaixo o que quatro torcedores do Sevilla têm a dizer sobre Paulo Henrique Ganso. 

Juan Ramos, 28 anos, técnico em informática, torcida sevillista de Antequara  

Arquivo pessoal

É um jogador com muita qualidade, mas com um futebol ainda um pouco lento para o que a liga espanhola precisa. Não chega ao ritmo que se joga aqui. A torcida do Sevilla somos bastante exigentes também, mas somos exigentes sobretudo com o esforço. Podemos entender que um jogador não saiba fazer as coisas, mas tem que se esforçar pra fazê-las.

Há um zum-zum no estádio quando ele perde muitas bolas quando o pressionam. Há esse zum-zum de que ele está lento. Sabemos que não o vimos muito e não se pode criticar um jogador que não vimos muito. Mas se ele volta a jogar outras 12 partidas e não melhorar, se continuar sendo lento, aí vai ficar mais complicado. 

Joaquín Ruiz, comerciante, 52 anos, torcida sevillista Parque Amato

Arquivo pessoal

Todo jogador que vem do Brasil passa pelo mesmo. O primeiro ano passa quase em branco, adaptando-se. Já passaram por isso jogadores da qualidade de Luís Fabiano e Renato Dirnei, jogadores que demoraram a adaptar-se, mas depois tiveram um altíssimo rendimento.

É verdade que Ganso custou uma quantidade importante de dinheiro, 10 milhões de euros, mas eu acho que era um investimento de futuro e sabendo que neste ano aconteceria isso e o jogador demoraria a se adaptar. Acho que ele deve ficar no Sevilla e adaptar-se à cidade, a seus companheiros, ao jogo que quer [Jorge] Sampaoli.

É um jogador que me encanta, jogadores com esse talento há pouquíssimos. Ganso deve ficar no Sevilla e a acho que a direção não contempla outra possibilidade que não seja manter Ganso no Sevilla.

Ismael Gil, audiólogo, 24 anos, diretor da federação de torcidas do Sevilla

Arquivo pessoal

O que vi de Ganso eu gostei muito, mostrou detalhes de muita qualidade, se vê que é um cara muito técnico, tem muita técnica. Mas é verdade que não terminou de se adaptar. Espero que se adapte porque junto a Nasri, é o que tem mais qualidade técnica do elenco.

Creio que não tem a velocidade nem o físico que deve ter. Joga mais lento porque não está acostumado. É diferente o futebol. Mas também é porque não lhe dão muitos jogos porque também tem um grande concorrente que é o Samir Nasri. Mas acho que Ganso pode render muito ao Sevilla.

Nasri, nem quase nenhum jogador, é capaz de aguentar todos os jogos, quarta e domingo, quarta e domingo. Acho que agora é hora de Ganso. Eu não o emprestaria. Vendê-lo agora não entra na minha cabeça. Mas emprestá-lo tem que estudar a opção. Se o emprestarem é para que ano que vem seja titular indiscutível. Se não, agora é a hora de ter mais minutos. Se não tiver agora, não vai ter nunca.  

Joan Mora, 37 anos, químico, torcida "1000 km del Nervión"

Arquivo pessoal

Ganso é o típico jogador que demora para entrar no ritmo da Liga. Sobra classe, mas tem que se adaptar. Se o Sevilla tiver paciência será um jogador importante. O problema é que neste ano o time tem um elenco muito grande com bons jogadores para mesma posição dele, como Nasri e Joveetic.

Não acho que devem vendê-lo porque é um jogador de muito futuro. O ideal seria que fosse emprestado a outro time, com um estilo de jogo vistoso, onde pudesse ter minutos para ganhar experiência no futebol europeu. Renato, Daniel Alves e Adriano [que jogaram no Sevilla] também se destacaram mais em sua segunda temporada do que na primeira.

A experiência nos diz que os brasileiros demoram um tempo para adaptar-se à Liga. Principalmente aqueles mais técnicos. Também diziam que a Luis Fabiano faltava garrava. Essa personalidade mais calma dos brasileiros não ajuda às vezes.

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