Neymar retorna ao Barça e faz teste de nervos em estádio com racismo

João Henrique Marques

Do UOL, em Barcelona

  • PAU BARRENA/AFP

Neymar é a atração do clássico Espanyol x Barcelona, neste sábado, às 15h45 (de Brasília). O brasileiro volta após cumprir três jogos de suspensão no Campeonato Espanhol e tem pela frente um duelo historicamente violento fora de campo. No estádio Cornellá, local da partida, o jogador é vítima de racismo.

O rótulo ao estádio do Espanyol cabe por conta de Neymar ter sofrido com atos racistas nas três vezes em que atuou no local. Na primeira, em 2014, viu até uma casca de banana ser atirada em campo. Nas duas outras vezes, gritos imitando o som de um macaco eram entoados quando o brasileiro pegava na bola. (veja video abaixo). Os insultos jamais levaram o clube catalão a uma punição.

"A culpa é de quem fez, não de toda a torcida do Espanyol. É certo que tem que denunciar e tomar as medidas necessárias. Devem ser identificados e apontados um a um", disse Piqué, revoltado com a perseguição a Neymar no empate sem gols em janeiro do ano passado.

O confronto foi a última vez que Neymar jogou em Cornellá. O nervosismo tomou conta do atacante, em duelo que reclamou constantemente com o árbitro e desperdiçou chances claras de gol. No fim da partida, tanta reclamação ainda lhe custou um cartão amarelo.


O comportamento de Neymar em campo é uma atração à parte por conta do recente histórico do brasileiro. A dura suspensão pelo cartão vermelho na derrota por 2 a 0 contra o Málaga e os aplausos irônicos ao quarto árbitro ao deixar o campo. A Liga espanhola considerou o ato como desprezo ou desrespeito".

Durante a punição, Neymar participou da eliminação do Barcelona nas quartas de final da Liga dos Campeões para a Juventus. No empate sem gols no Camp Nou, o camisa 11 também deu mostras de descontrole emocional ao receber cartão amarelo - estava pendurado - por dura falta em Pjanic e chorar ao fim da partida.

"Não estou preocupado com o Neymar. Ele é um especialista em aguentar situações de pressão", destacou o treinador do Barcelona, Luis Enrique, na véspera da partida contra o Espanyol.

"Se algum jogador está acostumado a receber faltas duras durante a carreira e raramente ser expulso, esse é o Neymar. Contra o Espanyol será importante que saiba manejar isso. Não tenho dúvidas de que vai conseguir", finalizou.

A rivalidade e os perseguidos

"Imagina o que é levar a coroa real no escudo e se chamar Espanyol dentro da Catalunha", a definição de Jaime Cuadros, sócio do Espanyol, é um resumo da rivalidade com o Barcelona. "Vivemos uma opressão em uma cidade em que nunca nem houve prefeito que não fosse torcedor do Barcelona. Eles têm facilidades e dinheiro para tudo", complementou.

A rixa política entre Barcelona e Espanyol fica pior por conta de uma minoria formada por radicais nas torcidas dos clubes. Os que não toleram a ideologia diferente ainda estão presentes no estádio e chama a atenção negativamente pelo comportamento hostil.

Antes de Neymar, era Daniel Alves que convivia com atos de racismo em Cornellá. Por lá, Suárez é chamado de "canibal" e Messi de "debil mental".

O maior perseguido é Piqué. O zagueiro catalão, árduo defensor do separatismo da Espanha, é vaiado em coro por quase todo o estádio. No último jogo, os rivais do Barça levaram faixas com dizeres sexistas e direcionados à mulher do zagueiro a cantora Shakira. "Shakira é de todos", dizia uma das mensagens.

"É um ambiente divertido para jogar o futebol. Eles (torcedores do Espanyol) se denominam uma maravilhosa minoria, e são tão minoria que nem sequer enchem o estádio", cutucou Piqué após o jogo.

O Espanyol tem a quinta pior média de público da competição, com 20 mil pagantes. O Barcelona é o primeiro com 77 mil.

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