Pagode, churrasco e "pelada": vascaínos madrugam na fila por ingressos

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

No que depender da empolgação, a torcida do Vasco deverá ser maioria neste domingo, na decisão do Campeonato Carioca, contra o Botafogo. Mesmo com o início da venda de ingressos somente para às 10h desta quarta-feira, os cruzmaltinos começaram a formar filas já por volta das 17h de terça. Animados, eles madrugam nos pontos de comercialização dos bilhetes com pagode, futebol improvisado, churrasco e muito álcool.

Na bilheteria 3 do Maracanã, a fila, que começou às 19h, já virava a esquina à meia-noite. Em São Januário, iniciada às 17h20, ela também era grande, mas um pouco menor. Em General Severiano e na bilheteria 4 do Maraca, destinados aos botafoguenses, não haviam torcedores, assim como na sede vascaína do Calabouço, no Aterro do Flamengo (RJ).

Primeiras das filas são mulheres

Uma curiosidade na fila de ingressos para final do Campeonato Carioca é que tanto no Maracanã quanto em São Januário, as primeiras das filas são mulheres. E mais do que isso: elas se conhecem.

Por morarem em São Cristóvão, bairro do estádio do Vasco, as cruzmaltinas Rafaela Gomes (19) e Monique Ramos (23) chegaram na bilheteria por volta das 17h20 desta terça. Já a amiga Renata, da Baixada Fluminense, optou pelo Maracanã e estava na companhia de Wallace e Lorena Nonato já às 19h.

"Nós (primeiras da fila) mostramos que não é só estar na arquibancada, com rostinho bonito, maquiada e assistindo ao jogo. Não! Mostramos que podemos estar na fila, bandeirando e participando de qualquer coisa da torcida, independentemente de ser homem ou mulher", disse Monique.

Futebol improvisado tem "golzinho e "altinha"

Para passar o tempo, muitos vascaínos têm levado bolas e improvisam um futebol às margens do rio Maracanã. Eles se revezam entre "altinhas" - populares nas praias cariocas onde o objetivo é não deixar a redonda cair - ou os tradicionais "golzinhos", feitos com chinelos de dedo. Por conta de não ter proteção no rio, duas bolas já caíram lá dentro, segundo relatos dos torcedores.

Churrasco, muito álcool e até droga

Um grupo de vascaínos fez a festa da galera ao chegar com uma churrasqueira na fila do Maracanã. Com peças de carne e linguiça, eles prometem aliviar a fome durante a madrugada, já que não há opções de alimento no entorno do estádio.

Alguns levaram comidas de casa e, principalmente, bebidas alcóolicas. Garrafas de vodka eram facilmente notadas e alguns cruzmaltinos já apresentavam sinais de embriaguez por volta da meia-noite.

Em São Januário, a reportagem flagrou alguns cruzmaltinos fumando maconha sem maiores descrições.

Pagode

Também no estádio do Vasco, torcedores levaram caixas de som e o ritmo mais tocado é o pagode. Outros estão munidos de instrumentos, como cavaquinho e pandeiro.

Organização independente da fila

Sem a presença de seguranças durante a madrugada, os próprios vascaínos estão se mobilizando para organizar a fila. Eles fazem registros com fotos e fiscalizam para evitar a ação de "furões" e cambistas.

"Tiramos fotos aqui e, se alguém chegar e falar que não está na fila, a gente mostra foto para provar que estava. Aqui não é Flamengo, não. Nós organizamos a fila. Somos uma família. Está tudo organizado", provocou um dos torcedores.

Outro, mais enérgico, demonstrou preocupação com os cambistas:

"Se aparecer cambista aqui nós expulsa (sic)!".
 

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