Entenda as dificuldades para um Fla-Flu decisivo com torcida única no Rio

Leo Burlá, Rodrigo Mattos e Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Montagem

    Torcedores de Flamengo e Fluminense estão mobilizados para a final da Taça Guanabara

    Torcedores de Flamengo e Fluminense estão mobilizados para a final da Taça Guanabara

A manutenção da liminar que determina torcida única na final da Taça Guanabara gera preocupação para representantes da dupla Fla-Flu e da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro).

Enquanto os clubes tentam reverter a decisão na Justiça - até o fechamento da matéria não havia mudança -, as partes se debruçam sobre eventuais problemas que a medida pode acarretar.

O medo da violência nos arredores, a dificuldade de controlar a venda de ingressos para os torcedores do Flamengo - o Fluminense é o mandante - e as dúvidas sobre a realização da partida estão entre as questões debatidas pelos dirigentes,

Na última quinta-feira (2), o juiz Guilherme Schilling, do Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos, não aceitou a argumentação das partes e bateu o pé ao determinar que só tricolores podem ir ao Engenhão, domingo (5), às 16h (de Brasília), para a final da Taça Guanabara.

Veja as preocupações de Flamengo e Fluminense

Medo da violência nos arredores do estádio
Por se tratar de um fato novo, o clássico com torcida única liga o alerta dos cartolas. Mesmo com uma medida que tem o objetivo de estancar a violência, existe o temor por confusões nos arredores do Engenhão. Os acessos são estreitos e a simples presença de torcedores mal-intencionados tem potencial de funcionar como o estopim de novos problemas.

"Essa opção é bem mais perigosa do que a torcida mista. Espero que seja revista a liminar. Não há tempo hábil para mudar o local, não existem datas disponíveis. O caminho a seguir é tentar reverter tudo isso", explicou o diretor de competições da Ferj, Marcelo Vianna.

Dificuldade de controlar a venda de ingressos para rubro-negros
Outra questão está no acesso dos torcedores do Flamengo ao estádio. De acordo com a Justiça, o Fluminense não pode vender bilhetes aos rubro-negros. No entanto, existem campanhas nas redes sociais para que os flamenguistas compareçam camuflados ao estádio, prática que já foi adotada por torcidas em ocasiões anteriores. Outros, porém, defendem apenas a festa na chegada do ônibus da delegação e um Carnaval vermelho e preto para dar apoio aos jogadores mesmo sem o direito de assistir ao jogo das arquibancadas.

"A pessoa não nasce com um chip dizendo se é tricolor ou rubro-negro. Como controlar a entrada?", indagou o vice-presidente do Fluminense, Cacá Cardoso.


Dúvidas sobre a realização da partida
Os clubes admitem a não realização da final se a liminar vetando a torcida mista nos clássicos não for cassada. Tudo isso contribui para que uma provável baixa procura por ingressos aconteça, além de um público bastante reduzido em caso de apenas torcedores de um time no Engenhão. A preocupação está no ar.

"Será uma posição em conjunto com o Fluminense. Podemos adiar, jogar ou não... É um dos caminhos possíveis", afirmou o presidente Bandeira de Mello. "Não descarto não jogar, mas estamos no limite do calendário", completou Cardoso.

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