Após rusgas, Fla e Flu reatam união e estreitam laços antes de final

Leo Burlá e Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

A rivalidade mais do que centenária do Fla-Flu ficou de lado por um interesse em comum: o clássico com duas torcidas no Rio de Janeiro. Depois das recentes rusgas, Rubro-negro e Tricolor se reaproximaram e estreitaram os laços para a final da Taça Guanabara, assegurada no próximo domingo (5), às 16h (de Brasília), no Engenhão.

A semana foi longa e desgastante para os presidentes Pedro Abad e Eduardo Bandeira de Mello. Os dois tiveram sucessivas reuniões em conjunto e com os respectivos departamentos jurídicos até que o desembargador Gilberto Clóvis Farias Matos, da 15ª Câmara Cível, acolhesse o pedido de efeito suspensivo dos clubes e da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) para a realização da final da Taça Guanabara com torcida mista.

Foi uma vitória dupla. O Fluminense tinha o mando de campo da decisão, mas se recusou a pisar no gramado com torcida única. Tanto que os clubes foram ao TJD-RJ (Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro) e se precaveram solicitando autorização para jogar com portões fechados. O pedido foi deferido. Ou seja, se a liminar não tivesse caído, o Fla-Flu seria disputado sem público no Engenhão, em uma clara demonstração de união entre os rivais.

O cenário é bem diferente de quatro meses atrás. Na ocasião, os clubes ficaram em lados opostos e quase romperam. Eram problemas com cotas de TV na Primeira Liga, quebra do acordo de cavalheiros em relação aos clássicos no Campeonato Brasileiro e ainda a polêmica pela partida entre os times em Volta Redonda. A última, inclusive, foi a gota d'água.

O Fluminense entrou no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) com pedido de anulação do jogo por entender que houve interferência externa sobre a arbitragem em uma marcação de impedimento de Henrique. No lance apontado pelo Tricolor, o zagueiro fez um gol irregular e anulado corretamente.

O árbitro Sandro Meira Ricci o validou após os protestos tricolores. Depois de muita reclamação dos flamenguistas e de uma suposta interferência externa, quando o inspetor da partida teria avisado Ricci que o gol seria irregular a partir de imagens da TV, o juiz o anulou definitivamente. O Tribunal arquivou o pedido do clube das Laranjeiras.

Integrantes das diretorias de Flamengo e Fluminense consideravam difícil uma aproximação devido aos recentes acontecimentos. Mas Pedro Abad, que assumiu o Tricolor no final do ano passado, e Eduardo Bandeira de Mello alinharam os ponteiros em nome de um interesse em comum. A partir do ato de defender as tradições do futebol carioca, espera-se que a convivência entre os clubes melhore ainda mais. Depois de tanto desgaste nos últimos dias, os dois só querem saber de mais um clássico.

"O Fla-Flu é o maior clássico do futebol mundial. É um jogo que sempre envolve dramaticidade muito grande. Já vimos diversos ídolos surgirem por causa desse jogo. Não tenho dúvidas de que veremos mais uma grande partida no domingo. Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo... Os torcedores são todos irmãos, seres humanos e não podemos acreditar que na nossa sociedade as pessoas não possam conviver apenas por conta de times diferentes", afirmou Abad.

"Sempre foi o clássico mais charmoso do futebol brasileiro. Movimenta multidões, paixões e rivalidade. Esperamos que seja eterno e cada vez mais saudável. Tenho a certeza de que esse Fla-Flu entrará para a história maravilhosa do clássico. Os amigos sempre se acostumaram a ver os jogos juntos. Quem ganha, zoa o rival e recebe cumprimentos. É tudo dentro de uma harmonia muito grande. Isso é muito importante no momento em que estamos brigando contra essa coisa da torcida única", completou Bandeira.

Em mais uma demonstração de união no momento delicado do futebol carioca, os dois mandatários concederão uma entrevista coletiva juntos, neste sábado (4), na sede das Laranjeiras.

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