"Ronaldinho do Irã", brasileiro diz que parava aeroporto e quase foi à Copa

Bruno Braz e Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Arquivo pessoal

    Gols, cabeleira e faixa no cabelo: Edinho virou "Ronaldinho" no Irã

    Gols, cabeleira e faixa no cabelo: Edinho virou "Ronaldinho" no Irã

Experimente conversar com um iraniano fanático por futebol sobre Ronaldinho. Ele certamente citará gols, dribles e jogadas inesquecíveis do jogador. Mas vocês não estarão falando sobre a mesma pessoa. Para quem acompanha o esporte no Irã, o "R10" em questão também é brasileiro, mas atende pelo nome de Edinho.

Hoje camisa 10 do Macaé, rival deste sábado do Flamengo, às 19h30, no Cláudio Moacyr, o meia é tratado como rei no país asiático. Após nove anos atuando por Mes  Kerman e Tractor, Edinho saiu de lá não apenas com o apelido que remete ao ídolo, eleito duas vezes o melhor jogador do mundo. A cabeleira, a faixa na cabeça e seu desempenho em campo também renderam a ele a cidadania iraniana e muitas histórias para contar.

Hoje fluente no persa, idioma local, o jogador esteve com um pé na Copa do Mundo de 2014. Convencido pelo técnico Carlos Queiroz, Edinho deu entrada na documentação para obter o passaporte iraniano. O documento chegou, mas não a tempo de disputar o Mundial. Quando estava de posse de toda a papelada, o treinador português já tinha divulgado a lista de convocados.

Merhvarz Ahmadi
Mesmo sem a cabeleira, Edinho fez sucesso no Irã

Mas a ponta de frustração por não ter disputado a maior competição esportiva do mundo não é suficiente para apagar as memórias deste andarilho, que soma passagens também por Coreia do Sul, Bulgária, Emirados Árabes, Portugal e Catar. Ele diz que, bem mais complicado do que não ter jogado a Copa, foi acompanhar o ritual de seu time durante um treino.

"Teve uma vez que meu time perdeu três jogos seguidos. No primeiro treino após a terceira derrota, eles levaram um carneiro para o campo e cortaram o pescoço dele. O sangue ficou escorrendo e os jogadores passaram o sangue na chuteira, na canela, no joelho. Aí fui perguntar e o capitão me explicou eles fazem esse ritual para trazer sorte e a vitória de volta", diz Edinho.

O "Ronaldinho do Irã" escapou do banho de sangue e também teve de driblar o assédio dos torcedores. Ídolo nacional, ele diz que é tratado como popstar no país. Se passa quase despercebido por aqui, em solo iraniano experimenta a fama que acompanha o xará famoso mundialmente.

"Muitas vezes eu falo e as pessoas acham que eu exagero, mas só indo lá para saber a força que tem meu nome. Eu conquistei respeito e o carinho do povo no país todo. Onde eu passo, tudo para. O aeroporto já parou, teve de vir polícia para me ajudar a sair porque as pessoas queriam me agarrar, tirar foto", lembrou.

Divulgação / Macaé
Já em ação pelo Macaé, Edinho é uma das apostas da equipe Alvianil contra o Flamengo

Ele garante ter se realizado financeiramente no Irã, mas ainda falta um encontro com Ronaldinho "original" para completar sua rica trajetória no futebol. Mais do que uma foto ou um autógrafo, Edinho quer olhar para Ronaldinho e se enxergar no espelho.

"Meu sonho é estar em algum lugar e encontrá-lo só para contar a minha história, que foi toda praticamente por causa dele", contou.

Vascaíno de coração, Edinho tem a chance de aparecer contra o Flamengo, clube que repatriou Ronaldinho para o Brasil. E ele sabe que uma boa atuação poderia encurtar a distância e aproximar o encontro entre os "Ronaldinhos" de  mundos tão diferentes.

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