Semifinais do RJ renderam menos da metade do que Palmeiras x Novorizontino

Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Vitor Silva/SSPress/Botafogo

    Um Engenhão esvaziado foi a tônica das semifinais da Taça Rio. O Carioca vive crise

    Um Engenhão esvaziado foi a tônica das semifinais da Taça Rio. O Carioca vive crise

O Campeonato Carioca já foi conhecido como o mais charmoso do país. Os números da edição 2018, no entanto, são alarmantes. O Estadual definha em meio ao caos político, econômico e na segurança pública. Nem mesmo os dois clássicos nas semifinais da Taça Rio atraíram os torcedores. Juntos, os jogos Vasco x Botafogo e Fluminense x Flamengo levaram pouca gente a mais ao estádio Nilton Santos do que um já decidido Palmeiras x Novorizontino, válido pelas quartas de final do Campeonato Paulista.

A questão envolvendo a arrecadação é ainda mais surpreendente. Os clássicos do Rio de Janeiro no meio de semana renderam um total de R$ 704.210,00. Os quatro grandes clubes saíram com um considerável prejuízo. No Allianz Parque, a renda foi de R$ 1.471.899,40. Vale lembrar que o Palmeiras já havia vencido o Novorizontino por 3 a 0 e a vaga estava mais do que encaminhada - goleou por 5 a 0. Ainda assim, 25.446 pessoas estiveram presentes.

A diferença é enorme por uma série de motivos. O regulamento confuso do Campeonato Carioca, que praticamente tirou o valor da conquista dos turnos, é um deles. Mas o cenário vai além do que os clubes assinaram na Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro).

O morador do Rio de Janeiro convive com a violência e cada vez mais demonstra a perda do hábito de frequentar os estádios. O Estado vive um recorde de desemprego. Tudo conspira para um Campeonato Carioca cada vez mais falido.

Gero Rodrigues/O Fotográfico/Estadão Conteúdo
A torcida do Palmeiras compareceu em bom número contra o Novorizontino (25.446)
Há, porém, cenário importante relacionado diretamente ao hábito de torcer. Os planos de sócios no Rio de Janeiro são considerados ruins em uma comparação com outros grandes centros e clubes. No Palmeiras, por exemplo, existe a valorização da frequência em jogos diretamente na pontuação do programa. Desta forma, o torcedor é estimulado a frequentar o maior número de partidas para obter prioridades e descontos em compromissos grandes, como os da Copa Libertadores.

No Flamengo, o torcedor paga mais por mês pelas categorias superiores independentemente de ir aos jogos. Não existe estímulo para que as partidas do Estadual sejam frequentadas. O ticket médio do jogo do Palmeiras ainda era mais caro do que o das semifinais da Taça Rio. Em São Paulo: R$ 57,84. Vasco x Botafogo: R$ 16,84; Fluminense x Flamengo: R$ 29,44.

O Campeonato Carioca caminha para a reta final. É bem provável que as partidas decisivas tenham um público melhor mesmo com todos os fatores contrários. Ainda assim, a competição não perderá o carimbo do fracasso em relação a isso. Até o momento, a maior presença de torcedores foi no Flamengo x Vasco, de 27 de janeiro, com 18.587 pessoas.

Com média de ocupação de apenas 15% dos estádios, o Carioca precisa mudar, assim como a promoção para atrair mais torcedores por parte dos clubes. O desafio é claro. Aumentar a frequência das torcidas em partidas comuns, não apenas em finais e nos compromissos da Libertadores. O então campeonato mais charmoso do país está manchado. Resta saber se ainda é possível se reinventar.

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