UOL Esporte Campeonato Gaúcho
 
04/03/2010 - 07h00

Com "paizão" Silas, Grêmio trabalha jovens fora de campo para futuro do clube

Marinho Saldanha
Em Porto Alegre

Os clubes brasileiros têm nas categorias de base sua sustentação. Brilhantes jogadores surgem e são vendidos, sanando dívidas e dando poder aquisitivo às agremiações. No Grêmio não é diferente. No momento da contratação do treinador para os profissionais, o departamento de futebol optou por trazer um técnico que tivesse o perfil de trabalhar com estes jovens e formar novos jogadores. Silas Pereira, junto com a direção gremista, busca lapidar talentos, como Mário Fernandes, para dar lucros ao clube.

"Isso é parte do projeto e patrimônio do clube, o Mário é falado no Brasil todo, por exemplo. Eu reitero que quero cuidar dele, mas de todos os garotos também. Eu quero que eles cheguem o mais longe que possam chegar, primeiro como pessoa depois como atleta. Assim, a chance deles não se perderem ali na frente aumenta e minha missão estará cumprida. Eu quero ajudar, ainda que depois me chamem de chato", falou Silas em entrevista coletiva.

A discussão sobre o tratamento dado aos mais jovens surgiu quando o treinador referiu a necessidade de Mário Fernandes, um dos destaques do time, tomar café da manhã todos os dias para brigar por uma posição na defesa. Ainda na última terça-feira, Silas referiu em entrevista coletiva que o exemplo a ser seguido é o de Juninho Paulista e sua relação com Telê Santana.

Na mesma entrevista em que citou Juninho e Telê, Silas admitiu uma postura paternal em relação aos jogadores mais jovens, fato confirmado em sua nova manifestação. "Eu tenho que ser paizão, eles aceitando ou não tem que seguir, porque é para bem deles. A direção de futebol toda pensa assim em relação a estes garotos. Eles são o futuro do Grêmio, nos gostamos deste trabalho, é um prazer fazer isso", disse o treinador.

Os aspectos trabalhados em relação a Mário, Neuton, Saimon, Fernando, Maylson, Mithyuê e Bérgson, os garotos do elenco principal, são orientações sobre a vida e a conduta necessária para se tornarem atletas de alto nível. "Eles têm que viver a vida porque são jovens. Precisam namorar, ir no shopping, cinema, mas também tem que estudar inglês, italiano e espanhol. Uma das minhas funções é essa, explicar que eles têm vida mas são profissionais. Em muitos casos, estes garotos são a salvação da família deles. Estamos fazendo este trabalho junto com a diretoria" admitiu Silas.

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Mais em evidência, Mário brincou com o "caso do café da manhã", "Minha mãe até me ligou e perguntou se eu não estava me alimentando", disse. "Eu tenho é que acordar as 9 e conseguir levantar para me alimentar", brincou.

A grande preocupação gremista é em relação a noitadas, que poderiam tirar o foco e atrapalhar os, ainda adolescentes, jogadores. "Não há noitadas", garantiu Silas.

Além do aspecto técnico, os atletas oriundos das categorias de base, são a aposta do Grêmio para sanar dívidas e estabelecer uma boa situação financeira. "Estamos muito perto de poder afirmar que estamos bem financeiramente", lembrou o presidente Duda Kroeff. Portanto, mais do que ajudar e formar jogadores e cidadãos, o clube visa lucrar com futuras negociações de atletas criados no Olímpico.
 

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