UOL Esporte Campeonato Gaúcho
 
05/03/2010 - 10h07

Uma semana depois, Walter segue longe do Inter e com futuro incerto

Jeremias Wernek
Em Porto Alegre
  • Atacante vai treinar em separado quando voltar

    Atacante vai treinar em separado quando voltar

Walter Henrique da Silva ainda é jovem, uma promessa, mas já mostrou que é um caso que necessita de estudo. O atacante do Internacional simplesmente decidiu não treinar mais e passou quase quatro dias trancado em seu apartamento em Porto Alegre, incomunicável. Depois, tratou de pedir aumento e dinheiro para visitar a família no Recife. E não parou por aí: ele também criticou o técnico Jorge Fossati, com quem não quer mais trabalhar, e manteve sua ausência no Beira-Rio. A diretoria do clube, boquiaberta, não procurará o jogador e vai puni-lo quando do seu retorno. A grande promessa, que deveria seguir o mesmo caminho de Nilmar, Daniel Carvalho e companhia, se esconde, literalmente, das oportunidades.

Entenda o misterioso caso de sumiço do centroavante

CRONOLOGIA DO SUMIÇO

26/02, sexta-feira Walter falta ao treino em dois turnos e direção fica surpresa.
27/02, sábado Atacante segue sumido, mas se reúne com empresários e pede aumento de 1000%.
01/03, segunda-feira Terceiro dia de trabalhos sem Walter. Francisco Novelletto, presidente da FGF, entra em contato com atacante.
02/03, terça-feira Jorge Fossati confirma afastamento quando da volta de Walter ao Inter.
03/03, quarta-feira Diretoria volta a criticar atleta e treinador mostra irritação.
04/04, quinta-feira Walter almoça até com Borges, do Grêmio, mas não vai ao treino mais uma vez.

Walter é de origem humilde e enfrentou problemas já em seu primeiro ano como profissional, na temporada de 2009. Lutou contra a balança e a distância da mãe. Teve uma grave lesão que o tirou de combate por oito meses, voltando a jogar somente agora, em janeiro. De toda forma, o Inter apostava demais no garoto. Investiu pesado bancando acompanhamento psicológico e aulas particulares de português, iniciativas refutadas pelo jovem. O primeiro capítulo da saga “Walter fujão”, no entanto, ocorre na segunda-feira, véspera da estreia da Libertadores. Ao lado de Leandro Damião, o jogador abandona seu quarto na concentração por cerca de uma hora. A comissão técnica acaba relevando o ato de indisciplina, abrindo um precedente perigoso.

Dentro de campo, Walter é decisivo ao dar o passe para o gol da virada em cima do Emelec, marcado por Alecsandro. De toda forma, Jorge Fossati não se esqueceu do fato no hotel e cobrou o atleta. “Ele ainda não tem como ser titular, mas pode entrar no decorrer dos jogos”, comentou o treinador. Era tudo que Walter não queria. O atacante esperava elogios do comandante e este foi o estopim para a revolta com o uruguaio.

Na quinta-feira o estádio vermelho estava completamente vazio. A exceção foi Walter, o atacante foi treinar mesmo quando o clube estava de folga geral. Depois disso, nada de contar com o atleta de 20 anos nos trabalhos. Na sexta, treinamentos em dois turnos e o primeiro indício da confusão. A ausência em ambos os treinos gerou um comentário inusitado do vice de futebol, Fernando Carvalho. “O Walter é totalmente estranho. Ele simplesmente sumiu, estamos tentando localizá-lo”. Naquele momento, toda a insatisfação do atacante era desconhecida.

Incomunicável e sem querer visitas

O sábado foi de expectativa pela volta do centroavante ao Inter. Nada disso, Walter seguiu trancafiado em seu edifício, ao lado da namorada. Na tarde, o jogador se reuniu com um de seus procuradores, Humberto Rimoli, e revelou mágoas. Sem permitir argumentações explanou contra Jorge Fossati, que teria prejudicado seu rendimento no grupo principal e exigiu aumento salarial de R$ 15 mil para R$ 150 mil, imediatamente. Além de um auxílio para regressar a Pernambuco e ver sua mãe.

No dia seguinte, os colegas de Seleção Sub-20, Sandro e Giuliano, foram os únicos que conseguiram contato e foram recebidos por Walter. Bolívar, líder do vestiário colorado foi barrado pelo zelador do prédio. Jornalistas já cercavam o local tentando visualizar o “fujão”.

TÉCNICO CONFIRMA AFASTAMENTO

Se ele voltar, irá para o Inter B

Jorge Fossati, em 2 de março.

Os treinos voltaram, mas Walter não. Na terça, véspera do jogo contra o Santa Cruz, Fossati confirmou a punição já prevista. “Se ele voltar, irá para o Inter B e mostrar a disposição e a imagem que está consciente que errou”, disse o treinador. A posição irritou ainda mais o jovem, que fomentou com mais intensidade seu desejo de deixar Porto Alegre. “Ele só não foi no sábado por que não tinha dinheiro”, contou uma pessoa ligada ao jogador à reportagem.

Direção praticamente joga toalha

Na quarta, a cúpula voltou a se manifestar sobre o desaparecimento. Um abandono de trabalho que não gerará rescisão de contrato, mas sim uma queda no valor de mercado de Walter. “Pela atitude que ele tomou, ele não tem valor de mercado mais. E o Inter vai atuar rigorosamente neste caso”, comentou o vice de futebol, Fernando Carvalho, em entrevista à Rádio Gaúcha. Na entrevista coletiva pós jogo, o treinador rebateu colocações do atleta. “Se ele acha que foi maltratado, deveria me denunciar. Não vou me defender, o grupo está de testemunha”, disparou.

Finalmente os empresários se manifestaram, depois até de circular uma informação de viagem para Recife. “Dizem que há coisas para o Walter sair do país. Há muita conversa distorcida”, disse Téo Constantin, pessoa designada por Juan Figer – empresário de Walter, a cuidar do caso do centroavante. “Não sei de nada, não vou falar sobre o Walter. Não mais”, esbravejou Humberto Rimoli, procurador que ainda trabalha com o atleta, mas é cobrado pela cúpula vermelha por uma definição.

OPINIÃO DO INTERMEDIADOR

Walter é um caso perdido. Vai acabar jogando no São José, te garanto

Cartola que ajudou aproximação de diretores do Inter com jogador, em 4 março, sobre o futuro de Walter.

Almoço, jogo do São José e silêncio

No dia em que completou uma semana longe do Beira-Rio, Walter se desvencilhou as amarras do seu apartamento e foi almoçar em um restaurante com seus procuradores. Na mesa, porém, a surpresa foi a presença de Kleber Pereira e do atacante do Grêmio, Borges. Ambos encontram o colega de profissão por acaso e aproveitaram para conversar. “É complicado falar sobre isso. Conversei mais sobre o Inter com o Walter”, limitou-se a dizer, Kleber Pereira.

À noite, outro passeio do ex-sumido, Walter. Sentado em um camarote no estádio Passo D’Areia, o ex-jogador do São José torceu para o clube que ajudou em sua ascensão na carreira. O centroavante foi indagado por repórteres, no entanto manteve silêncio e seguiu ao lado do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, amigo do atleta desde os tempos de vacas magras. “Ele é um guri bom, mas com muita gente influenciando”, opinou um colega de Inter. “O Walter é um caso perdido, vai acabar jogando no São José”, disparou um dirigente que ajudou na aproximação do jogador com os dirigentes do Internacional.

O clube espera, mas não procura. Walter parece mais calmo, porém não abre mão do reajuste salarial. Assim que voltar, será afastado, treinando com o time B, cerceado de brilhar e com chances de ser sacado da lista da Libertadores. Um futuro promissor que vai se perdendo em uma semana.
 

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