Barrios fala pela 1ª vez e lembra de quando deu trabalho a Geromel

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

  • Guilherme Araújo/TXT Assessoria

    Atacante lembrou jogos na Alemanha e detalhou negociação com o Grêmio

    Atacante lembrou jogos na Alemanha e detalhou negociação com o Grêmio

Diversas conexões ajudaram Lucas Barrios a deixar o Palmeiras e fechar com o Grêmio. Cinquenta e três dias depois de trocar São Paulo por Porto Alegre, o centroavante esbanja familiaridade com o novo clube, com o qual tem algumas ligações. De Francisco Arce a Geromel, do salário menor à motivação de seguir no futebol brasileiro, o paraguaio está à vontade.

Fala até sobre quando deu trabalho ao ídolo da torcida do Grêmio, nos tempos em que os dois eram rivais. 

"Lembro de jogar contra ele. O momento do Dortmund era ótimo, fomos campeões três vezes. Acho que nesses momentos contra o Geromel o Dortmund estava muito bem. Mas não era fácil jogar e ganhar do Colônia, não. O time era forte", disse Barrios, que já falou com agora colega de time sobre os duelos entre Palmeiras e Grêmio na Copa do Brasil.

"Não lembramos de um jogo, de uma jogada específica, mas lembramos muito da Copa do Brasil no ano passado também. O jogo lá em São Paulo, eu joguei e fui bem. Ele falou que foi difícil, bem difícil. Mas é bom competir, jogar", disse o paraguaio, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte pouco antes do início da semifinal do Gauchão, contra o Novo Hamburgo, neste domingo, às 16h (Brasília).

No papo, o primeiro dele desde que chegou ao Grêmio, Barrios ainda lembra as vitórias da seleção paraguaia diante do Brasil em duas edições de Copa América, fala sobre Renato Gaúcho, o treinador que brinca sobre os gols que fez, e aponta Palmeiras, Flamengo, River Plate e Atlético Nacional-COL como os rivais mais fortes, no momento, na busca pelo título da Libertadores.

Confira a entrevista completa:

"Palmeiras tinha muitos jogadores"

A negociação foi comigo aceitando as condições para chegar aqui. Eu tinha mais um ano e meio de contrato com o Palmeiras, me ajustei ao que o Grêmio poderia me pagar. Eu queria seguir no futebol brasileiro, não queria ir embora do Brasil. E achava que era difícil no Palmeiras. Não difícil, mas tinham muitos jogadores lá. E no Grêmio o elenco era forte, as chances eram boas. E eu vim para demonstrar meu futebol e seguir jogando.

60% de salário a menos para ir ao Grêmio

O esforço foi econômico. Quando falei com o presidente (do Grêmio) me disseram o que podiam pagar. Não foi uma transferência, mas minha vontade de jogar aqui. Meu contrato é de dez meses, em dezembro termina o vínculo. Falei que tudo bem e desci meu salário em quase 60%. Disse ao Grêmio que a parte financeira não era tão importante, era mais relevante a parte esportiva. Novos objetivos, seguir jogando. Às vezes é preciso abrir mão de alguma coisa para ter outra.

Por que ficar no Brasil?

Quando vim para o Palmeiras, sempre olhava o futebol brasileiro e sempre gostei. Joguei a Libertadores em 2009 e me chamou atenção dos times do Brasil, o futebol daqui. Queria jogar aqui, ver como é. Joguei em todo o mundo, tive boas experiências e faltava jogar no Brasil. Deu tudo certo, consegui ganhar Copa do Brasil, Brasileirão e sigo atrás de novos objetivos.

Prass, Zé Roberto e Dudu, ex-gremistas, deram dicas?

Quando a gente vinha jogar aqui, contra o Grêmio, conversávamos sobre o time, a cidade. Falaram muito bem. Ultimamente não dava para falar. Tinha a negociação, não falei nada. Quanto menos falasse, melhor. Mas falei com eles antes, conhecia. Conhecia pelo Arce também, ele é treinador da minha seleção. Eu já conhecia o Grêmio.

Arce deu aval para a mudança

Ele disse que estou seguindo os mesmos passos dele. Jogou em Grêmio e Palmeiras, foi campeão nos dois. Tomara que eu consiga vencer aqui para confirmar os passos dele mesmo.

Festa na chegada a Porto Alegre

Marinho Saldanha/UOL

Na China fui bem recebido, no aeroporto tinha gente também, eu estava indo para lá depois de jogar no Dortmund. Mas o que vi aqui eu não vi em nenhum outro lugar. Recebi um carinho muito grande e tomara que tudo corra bem, dê certo, para retribuir esse carinho todo.

Imagem do Grêmio antes e depois

Quando eu jogava no Palmeiras, sempre admirei o time. E o time recentemente estava encaixado, bem. Enfrentamos eles na Copa do Brasil, sabíamos que era um time forte. Hoje, aqui, me dou conta que o Grêmio é ainda maior. Por tudo que ganhou, por tudo que significa. Hoje, o ambiente que se tem aqui, a torcida fanática. Isso faz o time muito maior.

Dois gols pelo Grêmio

Lucas Uebel/Grêmio

Eu me preparei muito bem na pré-temporada para fazer um bom ano. Tenho quase quatro jogos e três gols (juntando com o Palmeiras). Fico contente com esse momento, tomara que em algum momento venha uma sequência para ajudar ainda mais o time.

Geromel, ídolo no Grêmio

Quando um jogador fica muito tempo na Europa significa que é valorizado. O clube gosta, a torcida gosta. E o time faz esforço para ficar. Como foi comigo, que fiquei três anos no Dortmund e poderia ter ficado mais, mas optei por um projeto maior na China.

Estrangeiros ajudam na adaptação

Ajuda pela língua. Quando vem um novo companheiro, como La Gata, a gente procura ajudar. Tentei ajudar em todos os sentidos. Eu estou falando bem português, joguei com brasileiros lá fora e quando cheguei ao Brasil já falava bem. Sigo melhorando para ter boa relação. Mas o nosso grupo não tem essa divisão de gringos e brasileiros, todo mundo conversa normal. E isso é ótimo para o clube.

Brasil merecia ganhar em 2011, mas perdeu muitos gols

Lembrança é da Copa América de 2011. A gente ganhou, nos pênaltis. Acho que nunca vi um time do Brasil criar tanto e perder tantos gols. Tinha Neymar, Pato, Ganso. Eles tiveram umas 10 situações de gol, chances claras. O Brasil merecia passar por tudo isso, mas estávamos com sorte. O goleiro pegava tudo, o chute ia para fora. Eu vi aqui, o time e a qualidade dos jogadores. E quando falei com meu empresário, disse que seria uma boa jogar no Brasil.

Paraguai carrasco do Brasil?

Sim, sim. Eliminamos as duas vezes nos pênaltis, em Copa América. Em 2011 foi 0 a 0 e em 2015 foi 1 a 1. Em 2011 Fred, André Santos e Elano perderam (pênalti), né? A gente estava com sorte, fomos à final. Mas contra o Uruguai não deu, eles foram campeões.

Maior lembrança de seleção paraguaia

A Copa do Mundo, em 2010, o jogo contra a Espanha. Estávamos bem, erramos o pênalti. O Casillas pegou. Mas jogar uma Copa, chegar às quartas e jogar bem foi uma experiência boa. Paraguai, contra seleções grandes, cresce. Cresce muito. Hoje tem uma troca grande de experiência e os jovens vão pegando rodagem.

O atual elenco do Grêmio

Grêmio está forte, ser campeão da Copa do Brasil não é fácil. O Grêmio ganhou e com merecimento, jogou muito bem. Mas a qualidade que tem aqui é grande. O elenco está bem formado, os reforços estão se adaptando. Jogadores da base estão crescendo. Acho que aos poucos, o time vai encontrar o seu estilo. E como fala o treinador: 'Que aproveite a oportunidade quando joga, senão o trem passa'.

Renato Gaúcho se gaba do passado

Lucas Uebel/Grêmio Divulgação

Ele é engraçado, sempre está falando que foi bom atacante. Que tem de ver os vídeos dele (risos). A verdade é que o time sempre recebe bem a mensagem dele. Ele faz o time jogar, investe na dinâmica. E sabemos o que ele foi para o Grêmio, o que transmite para a torcida. Passa tranquilidade a todos também, mas com responsabilidade de fazer o melhor pelo time.

Palmeiras é o grande adversário?

Acho que sim. Palmeiras vai ser um grande adversário, Flamengo também. Se reforçaram muito, vão brigar. O River Plate também é muito forte, o Atlético Nacional da Colômbia. Acho que tem uns cinco ou seis que vão brigar. Os outros brasileiros podem crescer também. E mata-mata você sabe como é, tudo pode acontecer. A gente tem de terminar o grupo como estamos agora, em primeiro, e ir forte para o mata-mata. Como foi na Copa do Brasil.

São Paulo ou Porto Alegre?

Ainda não conheço bem Porto Alegre. Morei um mês no hotel, agora estou no meu apartamento. E estava na correria com o time, com as viagens, mas estou gostando. São Paulo é muito grande, morei lá um ano e oito meses e foi muito bom. Eu vim ao Brasil e gostei, não só das cidades, mas também das pessoas.

FICHA TÉCNICA
GRÊMIO X NOVO HAMBURGO

Data e hora: 16/04/2017 (domingo), às 16h (Brasília)
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Árbitro: Diego Real
Auxiliares: Élio Nepomuceno e Leirson Martins

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Edílson, Geromel, Kannemann e Marcelo Oliveira; Ramiro, Maicon, Léo Moura, Bolaños e Pedro Rocha; Luan
Técnico: Renato Portaluppi

NOVO HAMBURGO: Matheus; Renan, Julio Santos, Pablo e Assis; Amaral, Preto, Jardel e Juninho; Branquinho e João Paulo
Técnico: Beto Campos

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