Volta do rachão está no DNA da "fome de títulos" que mudou o Grêmio

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

  • Richard Ducker/Framephoto/Estadão Conteúdo

O treino recreativo, popularmente conhecido como 'rachão', pode não acrescentar nada na tática ou estratégia para o jogo. No Grêmio, no entanto, a volta do jogo entre o grupo principal foi uma ferramenta para criar competitividade maior. A fagulha de uma chama que comissão técnica, jogadores e direção veem como essência para a série de conquistas recentes.

Mas o rachão que aumentou a 'fome de vencer' do Grêmio não é a disputa simples de toda terça ou sábado. Com Renato Gaúcho, o Tricolor inseriu regras e usou o recreativo para mexer com o lado psicológico dos jogadores.

Os times do rachão são fixos, e os jogos são feitos em séries de cinco treinos, como playoffs na NBA, por exemplo. Quem vencer mais partidas dentro da sequência de duelos, ganha. E quem perde após cinco disputas, precisa pagar. A dívida é quitada em cestas básicas e a competição se estende até o fim do ano. Os atletas também precisam jogar com no máximo dois toques na bola. 

"Rapaz, o rachão aqui é quase um jogo. Temos uma rivalidade grande ali…", comentou Ramiro. "Meu time é o sem colete. Ano passado a gente atropelou. Esse ano estamos apanhando, mas de leve. Quem perde, paga em cestas básicas. Já pagamos duas vezes. Não queremos mais perder...", acrescentou depois.

Lucas Uebel/Grêmio
Arthur brinca de goleiro durante treino do Grêmio. No rachão, cena não é tão comum

O time sem colete, também chamado de "A", é formado por Geromel, Ramiro, Bressan, Marcelo Oliveira, Michel, Arthur, Jailson, Everton, Léo Gomes, Dionathã, Thaciano, Kaio, Thonny Anderson, Paulo Victor, Bruno Grassi, Maicosuel e André.

A equipe de colete, também chamada de "B", é composta de Luan, Cícero, Léo Moura, Maicon, Cortez, Kannemann, Paulo Miranda, Alisson, Madson, Lima, Vico, Jael, Poletto, Marcelo Grohe, Léo, Matheus e Hernane. Dois funcionários do Grêmio, quando necessário, completam as equipes. Os coringas são 'Jaspion' e 'Faísca', integrantes do grupo de trabalho do vestiário. Renato Gaúcho também joga o recreativo com frequência.

"Sempre coloquei na cabeça deles a palavra 'ganhar'. Temos que ganhar, ganhar e ganhar. Por isso, até vi uma entrevista do Ramiro falando que tem competição até no rachão. Eu falei para eles: "vocês precisam aprender a competir até nos treinamentos". Meu grupo aprendeu a gostar de ganhar até em dois toques. E essas ideias eles levam para dentro de campo. É algo fundamental", disse o treinador.

Lucas Uebel/Grêmio
Ramiro vibra durante treino. É no dia do rachão que elenco mostra mais euforia

Como todo recreativo, alguns jogadores atuam em funções diferentes. Goleiros acabam jogando na linha, mas são raros os casos de jogadores que atuem debaixo das traves sem estarem acostumados com as luvas. E é nessa atividade que ocorrem os registros de maior alegria do elenco. A cada gol, euforia de um lado e frustração de outro. Em nenhum outro dia da semana a reação é igual. A disputa, a vontade de vencer, vem inserida em um contexto onde o primeiro reflexo é se sobrepor ao colega e ganhar motivos para zoação.

A injeção de ânimo foi a primeira característica do trabalho de Renato nesta terceira passagem pelo Grêmio. O incentivo a competição e trabalho nessa ideia de "fome de vitórias" veio a reboque. E aí o detalhe curioso: com Roger Machado, o Tricolor havia abolido o rachão. A véspera das partidas era marcada por um treinamento voltado para parte tática.

A vontade de ganhar sempre, e tudo, justifica o empenho do Grêmio com o Gauchão. Depois de quase oito anos sem conquistar o estadual, e muitas vezes abrindo mão da disputa e até minimizando o campeonato, o Tricolor está com a mão na taça. O time visita o Brasil de Pelotas com a vantagem de 4 a 0 no jogo de ida. O rachão pode não ter agregado na tática, mas faz parte de um contexto onde ganhar virou hábito. Um hábito que o Grêmio quer consagrar outra vez neste domingo, no estádio Bento Freitas.

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