G. Jesus e consolação para Guardiola: o que está em jogo em Manchester

Do UOL, em São Paulo

  • Alex Livesey/Getty Images

Antes do início da atual temporada, o confronto entre Pep Guardiola e José Mourinho era uma das principais atrações do Campeonato Inglês. Contratados por Manchester City e Manchester United, respectivamente, os dois vitoriosos treinadores chegaram à Terra da Rainha sob expectativa de polarizarem holofotes e a briga por título. Não é nada disso, contudo, que vai acontecer nesta quinta-feira (27), quando as equipes dirigidas por eles se enfrentarão em partida válida pela 26ª rodada do certame nacional (o duelo estava previsto originalmente para fevereiro, mas foi postergado). A lista de atrações do dérbi é bem diferente, aliás. Em vez de postulantes à taça, os dois times de Manchester entrarão em campo pensando em fatores como rivalidade pessoal, prêmio de consolação e o possível retorno do brasileiro Gabriel Jesus aos gramados.

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Gabriel Jesus vem aí?

Revelado pelo Palmeiras e contratado pelo City em 2016, Gabriel Jesus permaneceu no país natal até o término do Campeonato Brasileiro. Debutou na equipe inglesa apenas no início deste ano, empilhou atuações impressionantes (três gols e duas assistências em cinco jogos), mas sofreu uma fratura no pé direito em fevereiro, em partida contra o Bournemouth.

No domingo (23), Jesus esteve no estádio Wembley, mas não chegou a participar do embate do Manchester City contra o Arsenal – o time dele e de Guardiola perdeu por 2 a 1 na prorrogação e foi eliminado da Copa da Inglaterra. Segundo o jornal "Daily Mirror", o brasileiro pode reaparecer entre os titulares no clássico desta quinta. E talvez até ao lado do argentino Sergio Agüero – antes da lesão do camisa 33, os dois vinham disputando o mesmo espaço no comando do ataque.

O fato é que o retorno de Jesus ao City é iminente. Na última quarta-feira (26), em entrevista coletiva, Guardiola disse que o atacante já foi totalmente liberado pelos médicos. "Ele está pronto, mas sua condição física não é ótima", declarou o treinador. É possível que o brasileiro seja usado no lugar do meia espanhol David Silva, que sente dores musculares.

Clive Mason/Getty Images

Mourinho contra os desfalques

No Manchester United, uma das grandes questões do clássico é como José Mourinho vai lidar com uma extensa lista de desfalques. Além de Marcos Rojo e Zlatan Ibrahimovic, que estão lesionados e não voltarão na atual temporada, o português provavelmente não poderá contar com o francês Paul Pogba, um dos pilares de seu meio-campo. Phil Jones, Chris Smaling e Juan Mata completam a lista de nomes dos Red Devils que estão no estaleiro.

O cenário abriu uma enorme oportunidade para Marcus Rashford, atacante que costuma atuar pelos lados e tem sido usado por Mourinho no comando do ataque. Ele será titular contra o City, e o desempenho do jogador pode ter peso no comportamento do Manchester United na próxima janela de transferências – a contratação de um centroavante era uma das principais especulações envolvendo o clube, mesmo antes da lesão de Ibrahimovic.

Reuters / Darren Staples

Rivalidade de treinadores apimenta o clássico

Por conceitos, abordagens táticas e estilos diferentes, Guardiola e Mourinho foram técnicos que polarizaram o futebol mundial durante anos. Duelos entre ambos movimentaram cinco clubes e alguns dos principais atletas do planeta nas últimas temporadas, e o banco de reservas sempre foi fundamental nessas partidas.

Até aqui, foram 17 confrontos de Guardiola com Mourinho. O espanhol tem larga vantagem (oito vitórias, seis empates e três derrotas), incluindo um triunfo por 2 a 1 em setembro, no primeiro turno da atual edição da Premier League.

O histórico positivo de Guardiola, entretanto, não conta toda a história. Quando ele comandava o Barcelona e Mourinho estava à frente da Inter de Milão, por exemplo, o português venceu apenas um em quatro duelos válidos pela Liga dos Campeões da Uefa 2009/2010. Com esse resultado, eliminou os catalães e abriu caminho para conquistar o principal torneio de clubes do continente.

O retrospecto de Guardiola x Mourinho também é recheado de polêmicas e de reclamações de parte a parte – sobre arbitragem, principalmente. Nesse contexto, até a escalação do árbitro Martin Atkinson para o clássico desta quinta-feira já virou motivo de polêmica. O juiz de 46 anos já trabalhou em três clássicos de Manchester, e o United venceu todos.

Carl Recine/REUTERS

A primeira temporada de Guardiola sem títulos?

Ex-jogador de sucesso, Guardiola começou a trabalhar como técnico na temporada 2007/08. Desde então, jamais passou um ano sem erguer um troféu. Foram 22 taças em oito campanhas como técnico de Barcelona B, Barcelona e Bayern de Munique. E agora, no Manchester City, apenas a matemática sustenta essa trajetória prolífica.

Eliminado da Liga dos Campeões e das copas inglesas, o Manchester City tem 64 pontos obtidos em 32 partidas do Campeonato Inglês. O Chelsea, líder do torneio, já coletou 78 pontos em 33 jogos. Mesmo se vencer o United, portanto, o time de Guardiola terá de fazer um milagre para conquistar o título.

O próprio Guardiola admitiu que a atual temporada será sua primeira sem um troféu. "Uma hora ia acontecer. E se eu continuar como treinador por muitos anos mais, voltará a acontecer. Há muitos times grandes na Europa que não ganharão nada nesta temporada", disse o espanhol em entrevista coletiva.

Juan Medina/Reuters

Por que o clássico pode ser um prêmio de consolação

Numa temporada em que as duas torcidas têm pouco o que comemorar, há algumas razões para o clássico desta quinta-feira ser um prêmio de consolação. Além da rivalidade entre os treinadores e da evidente questão local, City e United figuram atualmente na mesma faixa da tabela de classificação do Campeonato Inglês.

Com 64 pontos, o City é o quarto colocado e está na zona de classificação para a próxima edição da Liga dos Campeões da Uefa. O United, com 63, iria para a Liga Europa se o torneio nacional acabasse agora.

O Manchester City não fica fora da zona de classificação para a Liga dos Campeões desde o dia 12 de fevereiro, mas tem registrado um desempenho extremamente claudicante na Premier League em 2017. A situação do Manchester United é mais periclitante: o time de Mourinho não aparece entre os quatro primeiros do certame nacional desde o dia 15 de setembro do ano passado.

O United, aliás, não conseguiu vaga na Liga dos Campeões em duas das últimas três temporadas. A própria contratação de Mourinho foi uma tentativa da diretoria de estancar uma fase negativa – na atual campanha, o time também tem chance de obter vaga via Liga Europa.

Por que a classificação à Liga dos Campeões vale tanto?

Além de evidentes questões financeiras e de status, estar na próxima edição da Liga dos Campeões é imprescindível para os planos de reconstrução de City e United. Os dois times já começaram a movimentar o mercado de transferências e flertam com cifras vultosas por reforços de peso. Todas essas movimentações, contudo, estão condicionadas à realidade da temporada seguinte.

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