Com brasileiros e agressivo no mercado, Liverpool reafirma novo patamar

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Reuters/Carl Recine

    Alisson cumprimenta Jurgen Klopp em amistoso do Liverpool

    Alisson cumprimenta Jurgen Klopp em amistoso do Liverpool

Segundo maior vencedor do Campeonato Inglês com 18 títulos, mas sem levantar um troféu desde 1990, o Liverpool precisou reagir dentro e fora de campo para ter um presente compatível com o seu passado. Mais agressivos tanto na proposta de jogo do técnico Jurgen Klopp quanto na busca por reforços, e com toque brasileiro nesse novo tempero, os Reds chegam à temporada 2018-19 da Premier League para reafirmar uma mudança de comportamento e, enfim, findar o jejum de conquistas.

A contratação de Klopp, em outubro de 2015, virou o primeiro passo dessa revolução, mas foi preciso aderir a uma filosofia que o treinador costumava condenar em seus rivais: gastos exorbitantes com reforços. Para a temporada que se inicia, o Liverpool foi o clube da elite inglesa que mais investiu em contratações: 167,9 milhões de libras, ou cerca de R$ 828 milhões. Três das dez negociações mais altas na janela britânica de transferências foram concretizadas pelo clube, sendo o goleiro brasileiro Alisson o mais caro: 55,8 milhões de libras (R$ 275 milhões).

Se pairava uma dúvida sobre a influência do Liverpool no mercado da bola, mostrar-se forte também financeiramente virou obrigação após perder a queda de braço com o Barcelona por Philippe Coutinho, no início de 2018. A resposta foi imediata: fechar com o zagueiro holandês Virgil Van Dijk, cobiçadíssimo por rivais, em negócio concretizado junto ao Southampton por 75 milhões de libras (R$ 370 milhões na cotação atual), o defensor mais caro da história.

Outro brasileiro contratado a cifras espantosas, o volante Fabinho, ex-Monaco, era sondado por gigantes com mais prestígio, como Manchester United e Paris Saint-Germain, mas optou pelos Reds, que desembolsaram 39 milhões de libras (R$ 192,2 milhões) durante a Copa do Mundo da Rússia.

Mais do que agregar novas peças e mostrar poder de persuasão perante os alvos no mercado da bola, o Liverpool não sofreu grandes baixas no elenco. Autor de 44 gols em 52 jogos na temporada passada, o egípcio Mohamed Salah disse "não" ao assédio do Real Madrid para seguir formando o trio de ataque com o senegalês Mané e o brasileiro Roberto Firmino, que causou calafrios em defesas pela Europa.

O dinheiro ajudou bastante, mas os resultados em campo também fortaleceram esse "novo" Liverpool, que na temporada passada foi vice-campeão da Liga dos Campeões, perdendo para o Real Madrid na final, e figurou entre os líderes da Premier League até terminar o torneio em quarto lugar.

Com três brasileiros na escalação considerada ideal - os recém-chegados Alisson e Fabinho, além de Firmino -, o Liverpool estreará no Campeonato Inglês neste domingo (12), às 9h30 (de Brasília), contra o West Ham, no Anfield. Será o primeiro dos 38 passos que Klopp espera dar rumo a uma conquista que o clube não comemora há quase 29 anos, e que vem forrado por muito investimento para se tornar real.

"Ainda somos o Rocky Balboa, e não Ivan Drago. Nós temos de fazer mais, lutar mais. Essa tem de ser a nossa atitude", disse o treinador, colocando-se como o icônico personagem de Sylvester Stallone no cinema para posicionar o Liverpool na disputa pelo título da Premier League.

A boa notícia para o torcedor, nesse caso, é que Rocky Balboa sofre, apanha a valer, mas termina a luta como o grande vencedor.

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