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Com brasileiros e agressivo no mercado, Liverpool reafirma novo patamar

Reuters/Carl Recine
Alisson cumprimenta Jurgen Klopp em amistoso do Liverpool Imagem: Reuters/Carl Recine

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo (SP)

11/08/2018 04h00

Segundo maior vencedor do Campeonato Inglês com 18 títulos, mas sem levantar um troféu desde 1990, o Liverpool precisou reagir dentro e fora de campo para ter um presente compatível com o seu passado. Mais agressivos tanto na proposta de jogo do técnico Jurgen Klopp quanto na busca por reforços, e com toque brasileiro nesse novo tempero, os Reds chegam à temporada 2018-19 da Premier League para reafirmar uma mudança de comportamento e, enfim, findar o jejum de conquistas.

A contratação de Klopp, em outubro de 2015, virou o primeiro passo dessa revolução, mas foi preciso aderir a uma filosofia que o treinador costumava condenar em seus rivais: gastos exorbitantes com reforços. Para a temporada que se inicia, o Liverpool foi o clube da elite inglesa que mais investiu em contratações: 167,9 milhões de libras, ou cerca de R$ 828 milhões. Três das dez negociações mais altas na janela britânica de transferências foram concretizadas pelo clube, sendo o goleiro brasileiro Alisson o mais caro: 55,8 milhões de libras (R$ 275 milhões).

Se pairava uma dúvida sobre a influência do Liverpool no mercado da bola, mostrar-se forte também financeiramente virou obrigação após perder a queda de braço com o Barcelona por Philippe Coutinho, no início de 2018. A resposta foi imediata: fechar com o zagueiro holandês Virgil Van Dijk, cobiçadíssimo por rivais, em negócio concretizado junto ao Southampton por 75 milhões de libras (R$ 370 milhões na cotação atual), o defensor mais caro da história.

Outro brasileiro contratado a cifras espantosas, o volante Fabinho, ex-Monaco, era sondado por gigantes com mais prestígio, como Manchester United e Paris Saint-Germain, mas optou pelos Reds, que desembolsaram 39 milhões de libras (R$ 192,2 milhões) durante a Copa do Mundo da Rússia.

Mais do que agregar novas peças e mostrar poder de persuasão perante os alvos no mercado da bola, o Liverpool não sofreu grandes baixas no elenco. Autor de 44 gols em 52 jogos na temporada passada, o egípcio Mohamed Salah disse "não" ao assédio do Real Madrid para seguir formando o trio de ataque com o senegalês Mané e o brasileiro Roberto Firmino, que causou calafrios em defesas pela Europa.

O dinheiro ajudou bastante, mas os resultados em campo também fortaleceram esse "novo" Liverpool, que na temporada passada foi vice-campeão da Liga dos Campeões, perdendo para o Real Madrid na final, e figurou entre os líderes da Premier League até terminar o torneio em quarto lugar.

Com três brasileiros na escalação considerada ideal - os recém-chegados Alisson e Fabinho, além de Firmino -, o Liverpool estreará no Campeonato Inglês neste domingo (12), às 9h30 (de Brasília), contra o West Ham, no Anfield. Será o primeiro dos 38 passos que Klopp espera dar rumo a uma conquista que o clube não comemora há quase 29 anos, e que vem forrado por muito investimento para se tornar real.

"Ainda somos o Rocky Balboa, e não Ivan Drago. Nós temos de fazer mais, lutar mais. Essa tem de ser a nossa atitude", disse o treinador, colocando-se como o icônico personagem de Sylvester Stallone no cinema para posicionar o Liverpool na disputa pelo título da Premier League.

A boa notícia para o torcedor, nesse caso, é que Rocky Balboa sofre, apanha a valer, mas termina a luta como o grande vencedor.

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