UOL Esporte Libertadores
 
08/04/2010 - 18h13

Ronaldo vira arma para desviar foco após eliminação e testa papel de líder

Alexandre Sinato
Em São Paulo

Ronaldo voltou a dar uma entrevista coletiva no Parque São Jorge após 44 dias. E o objetivo de sua presença foi claro: desviar o foco da eliminação do Corinthians no Paulista. Principal jogador do elenco e dono de salário milionário, o camisa 9 assumiu o papel de “escudo”. Tudo para amenizar eventual desconfiança, críticas ou qualquer repercussão negativa após a campanha decepcionante no Estadual.

“Não estudei jornalismo, mas convivo há muitos anos com vocês [jornalistas] e peguei um pouco de experiência nesse sentido. Claro que não queremos apenas desviar o foco porque ocorreu um fato importante, já que o Paulista é gostoso de jogar, mas temos que desviar o foco mesmo, pois temos uma competição muito importante pela frente. Assim vamos protegendo o grupo e o clube de alguns comentários, algumas críticas”, admitiu o Fenômeno na tarde desta quinta-feira.

O atacante falou durante 28 minutos. Respondeu perguntas sobre o Corinthians, sobre sua forma física e suas pretensões, mas também foi alvo de questões sobre Copa do Mundo, Lionel Messi, briga com a balança, campeonatos estaduais, Roberto Carlos, seleção de Dunga...

Ciente do peso de suas declarações, Ronaldo calculou bem todas as respostas. Mostrou inteligência com as palavras para absorver as questões mais duras e usou o bom humor para descontrair o ambiente nos temas mais genéricos. Se a meta era desviar o foco, ele cumpriu o papel com perfeição.

O camisa 9 se dispõe a ajudar o Corinthians nesses momentos. Fez o mesmo na derrota por 1 a 0 para o Paulista, quando foi alvo de vaias pela primeira vez desde que chegou ao Corinthians. Segundo ele, uma de suas funções no elenco é essa. Seu estilo de liderança serve para proteger o grupo nos momentos mais duros.

“Minha postura sempre foi a mesma: se eu puder proteger meus companheiros vou proteger e farei com o maior prazer, mesmo que tenha que sofrer críticas duras. Daquela vez tive que assumir minha responsabilidade e tomar a frente do grupo, recebendo as críticas. Um elenco é feito de vários tipos de liderança. Existe o mais falante em campo, o capitão, e também participo disso com meu tipo de liderança”, argumentou.

A presença de Ronaldo na entrevista desta quinta-feira também evidencia a preocupação do Corinthians com a eliminação. Na última quarta, após a goleada por 5 a 1 sobre o Rio Claro, o presidente Andres Sanchez fez um pronunciamento com o mesmo objetivo. Prova de que a Libertadores é a prioridade do clube, mas a queda no Paulista não era esperada. Reflexos do centenário.

O cuidado alvinegro é para que a obsessão pela Libertadores não cresça ainda mais a ponto de afetar o time em campo. O Fenômeno, por exemplo, fez questão de elogiar a reação positiva da torcida na última quarta-feira e aproveitou para pedir que a pressão não seja exagerada. Ela já está grande, de acordo com o jogador.

“Nós não temos culpa que o Corinthians não ganhou a Libertadores até hoje. A pressão vem em cima de nós porque temos essa chance, mas é só isso, ninguém vai fugir de pressão alguma. Só não precisamos receber mais pressão do que realmente já existe”, opinou.

O Corinthians vai testar sua reação e a reação da torcida na próxima quarta-feira, quando a equipe visita o Racing em Montevidéu em busca da vaga nas oitavas de final da Libertadores. Oito dias depois, o time encerra sua campanha na primeira fase do torneio ao receber o Independiente Medellín no Pacaembu.
 

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