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Desorganização marcou a venda de ingressos. Cambistas agiram livremente

15/05/2010 - 15h51

Cambistas comemoram fim de ingressos no Morumbi e vendem por até R$ 150

Felipe Munhoz
Em São Paulo

Comemoração de cambistas, ações orquestradas para vender bilhetes mais caros e drive-thru de ingressos transformaram os famosos furões em lugar comum. Esse foi o cenário que marcou a venda de ingressos neste sábado para o duelo das quartas de final da Copa Libertadores entre São Paulo e Cruzeiro.

Depois de vender 30 mil ingressos em dois dias, as bilheterias do estádio do Morumbi voltaram a ficar cheias neste sábado. Os torcedores enfrentaram filas de mais de três horas e testemunharam todo o circo que se forma em volta de uma partida importante do futebol brasileiro.

FERNANDÃO POUPADO NO BRASILEIRO

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    Destaque da partida contra o Cruzeiro na última quarta pela Libertadores, o meia-atacante Fernandão sequer foi relacionado para o duelo contra o Botafogo, neste domingo às 16h no Morumbi pelo Brasileirão.

    O técnico Ricardo Gomes decidiu poupar o jogador e mais quatro titulares já visando o duelo de volta contra o Cruzeiro, na outra quarta, no Morumbi, que vale vaga nas semifinais da Libertadores.

Enquanto as ações de cambistas e a desorganização corriam soltas, dois policiais militares cumpriam uma de suas atribuições: multar os carros. Próximo dali, na mesma calçada, um grupo de 20 cambistas comiam as suas marmitas, enquanto outros seguiam dando duro. Eles se revezavam.

Pouco tempo depois, parou um carro de luxo e chamou alguém. Um cambista trajado com o uniforme de uma das torcidas organizadas do São Paulo atravessou a rua e conversou com o cliente. Então, o vendedor deixou o homem esperando um pouco e voltou com o ingresso. De longe, só deu para ver notas de R$ 50 - eles ofereciam ingressos de arquibancada a R$ 150. A primeira impressão era de se tratar de um caso único, mas logo chegaram outros e cumpriram o mesmo protocolo.

A fila ia longe e os furões agiam bem próximos à bilheteria, onde se concentravam os orientadores da empresa Futebolcard, como estampavam os coletes dos funcionários. Ao todo, eram no máximo dez empregados para organizar uma fila de cerca de cinco mil pessoas. Mais à frente, outro problema: dois guichês vendiam apenas meia-entrada – a mais procurada -, enquanto outros vendiam inteira. Quem queria comprar o bilhete sem desconto não podia passar para frente. Precisava esperar os compradores de meio-ingresso.

A impaciência e o clima tenso aumentaram quando um torcedor ouviu um funcionário orquestrar: “Pare de vender a meia (entrada)”. Pronto, a confusão ganhava mais um agravante. Torcedores reclamaram em alto tom e o orientador voltou atrás. Meia hora depois surgiu um novo anúncio: “Acabou a arquibancada laranja (local que se concentra a torcida organizada)”. Festa entre os cambistas: “Acabou a laranja, mano. É nós”, comemora um revendedor.

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“Mandamos bem, de cinco em cinco minutos [referindo-se ao trabalho bem feito furando a fila e comprando mais para revender]”, completa.

Um torcedor chegou ao guichê para comprar o ingresso da arquibancada laranja (R$ 50) e não tinha. Resultado, acabou comprando bilhete para a arquibancada azul (vendida a R$ 70). Ainda esperando por ali, o rapaz escuta que as vendas da arquibancada laranja voltaram. Indignado, ele tenta voltar ao mesmo guichê e negocia com a vendedora. No entanto, escuta dela que anteriormente não tinha, mas chegaram novas unidades depois.

Sem obter sucesso, ele afirmou que tentou trocar, porém, a vendedora disse que não era permitido, não tinha como dar um jeito porque tinha câmeras filmando e o torcedor acabou comprando o mais caro por questão de minutos. Faltando quatro anos para a Copa de 2014, há muito que mudar no país-sede do Mundial.
 

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