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Junior Lago/UOL

Inter começa nesta quarta a decidir o título da Libertadores contra o Chivas

11/08/2010 - 09h03

Mudanças, polêmicas e decisões tensas marcam caminho do Inter na Libertadores

Daniel Cassol e Jeremias Wernek
Em Porto Alegre

Foi no mínimo conturbada a chegada do Inter à sua terceira final de Libertadores. Contrariando a tese do futebol que prega tranquilidade e continuidade nos clubes, o Inter perdeu jogadores, trocou o técnico e ainda encarou confusões e polêmicas dentro de campo. Depois de um começo fraco, a equipe engrenou na competição e chegou à final com classificações heróicas conquistadas nos últimos minutos.

O Inter joga a primeira partida da final em Guadalajara, no México, após perder treinador, mudar o time titular, lutar nos bastidores para trazer reforços e passar por brigas e situações inusitadas em campo. Entre destaques e curiosidades, confira alguns detalhes e passagens da campanha do Internacional na Libertadores.

MUDANÇAS

  • Nabor Goulart/Freelancer

    Walter começou como esperança de gols, mas deixou o Inter...

  • Nabor Goulart/Freelancer

    ...assim como o técnico Fossati, que pôs o Inter na semifinal...

  • Lucas Uebel/Vipcomm

    ...com ajuda de Giuliano, autor do gol da classificação na Argentina.

Absoluto em casa, sem vitória fora

Jogar no Beira-Rio foi garantia de tranquilidade para os colorados. O Inter venceu todas as seis partidas jogadas em Porto Alegre, praticamente sem ser ameaçado pelos adversários. Quando encarou times fortes e fechados, como Estudiantes e São Paulo, a vitória simples garantiu a classificação no jogo da volta. Fora de casa, no entanto, o desempenho foi o oposto. Sob o comando do cauteloso Jorge Fossati, os colorados empataram os três primeiros jogos fora de casa. Na fase eliminatória, perderam todos até agora, precisando justamente da força do Beira-Rio para passar de fase. No total, o Inter anotou 13 gols e sofreu nove.

Os gols providenciais de Giuliano

Para os colorados, a campanha do Inter na Libertadores valeu um exame no coração. Depois de eliminar o Estudiantes com um gol de Giuliano aos 43 minutos do segundo tempo, o Inter ainda passou um sufoco no Morumbi, suportando a pressão do São Paulo na partida que terminou em 2 a 1. E os gols providenciais de Giuliano, autor de quatro no total, mudaram mesmo a trajetória da equipe na competição: ainda na primeira fase, o meia saiu da reserva para marcar o terceiro gol do Inter contra o Deportivo Quito, aos 47 minutos, e assim tirar o Cruzeiro e colocar o Banfield no caminho colorado nas oitavas de final.

Sai Fossati, entra Roth

Depois da classificação quase no último giro do relógio contra o Estudiantes, os dirigentes do Inter sentiram que era hora de mudanças. A derrota para o Vasco no Brasileirão foi a gota d’água para a demissão do uruguaio Jorge Fossati. Com ele, o Inter não encantava, não tinha repetição de esquema tático e pecava demais. A busca por um novo comandante começou com pensamento ousado: Felipão. Passou por Adílson Batista, o sempre presente Abel Braga, mas acabou com Celso Roth. A partir do anúncio, a torcida passou a acreditar nas chances de um treinador que não possui grandes títulos no currículo. Com Roth, o Inter retomou as vitórias e eliminou o São Paulo com merecimento, não apenas usando o regulamento – como era com Fossati.

POLÊMICAS

  • José Jácome/EFE

    Abbondanzieri conseguiu 'reverter' um pênalti no Equador...

  • AP Photo/Natacha Pisarenko

    ...e Lauro protagonizou uma briga após o jogo contra o Estudiantes.

  • Jefferson Bernardes/VIPCOMM

    De volta, Tinga repetiu 2006 e foi expulso contra o São Paulo.

Mudanças no grupo

Não foi apenas o comando técnico do Inter que mudou. Além de Jorge Fossati, três jogadores inscritos na Libertadores deixaram o Inter em meio à competição. O zagueiro Danilo Silva foi vendido ao Dínamo de Kiev. O atacante Walter se ‘rebelou’ e foi parar no Porto, de Portugal. Kleber Pereira não aprovou e acabou sendo dispensado. Outra baixa na relação de inscritos foi a do zagueiro Ronaldo Conceição, que sofreu uma lesão muscular no seu jogo de estreia no Inter.

Ação nos bastidores

Agindo nos bastidores, o clube conseguiu fazer com que a CBF antecipasse o período de transferências do exterior. Assim, o Inter pôde inscrever Renan, Tinga e Rafael Sóbis. Mas uma derrota em outra disputa barrou Tinga no primeiro jogo da semifinal: o clube tentava reverter em multa, mas o jogador teve de cumprir suspensão devido à expulsão na final de 2006. O Inter ainda fez menção em questionar a realização da final no gramado sintético do estádio Omnilife, de Guadalajara, mas logo percebeu que esta seria uma batalha perdida.

Mudanças no time

Sorondo, Danilo Silva, Edu. Jogadores que desapareceram da equipe titular – Danilo porque foi negociado – figuravam no Inter que estreou na Libertadores diante do Emelec. Além deles, o goleiro Abbondanzieri perdeu a condição de titular para Renan. E Walter, antiga esperança de gols, também deixou o Inter. O time que chega à final da Libertadores tem Bolívar e Índio como dupla de zaga e Taison, recuperado por Celso Roth, como atacante ao lado de Alecsandro, autor de quatro gols na competição.

Walter e Giuliano, destaques individuais

O primeiro destaque do Inter nem está mais no Beira-Rio. O atacante Walter saiu do banco de reservas para ajudar o time a virar o placar da estreia contra o Emelec. Depois, assumiu a titularidade e marcou gols importantes. Intempestivo, o centroavante sumiu duas vezes dos treinos e exigiu ser transferido. Depois de uma novela, concluiu sua ida para o Porto, sem deixar saudades entre os dirigentes. Ainda na primeira fase, Giuliano despontou como um jogador predestinado. Autor de quatro gols, o meia é responsável pelo adversário das oitavas de final, pelo avanço contra o Estudiantes e, mais recentemente, pela vitória em cima do São Paulo, no jogo de ida das semifinais. No entanto, nunca foi titular absoluto, tanto com Fossati quanto agora, com Celso Roth.

A melhor e a pior atuação

A atuação segura, superior e vitoriosa diante do São Paulo, no primeiro jogo das semifinais, pode ser eleita como a melhor do Inter até aqui. Celso Roth estreava no torneio, mas tinha um time no ponto, após quatro vitórias seguidas no Brasileiro. O único gol, marcado por Giuliano, poderia ter sido acompanhado de, no mínimo, mais dois. Foi a vitória em casa que permitiu ao time atuar com mais segurança no Morumbi e confirmar a passagem para a decisão. Pelo destempero, os erros crassos e o placar, a derrota para o Banfield, na Argentina, no primeiro jogo das oitavas de final, por 3 a 1, não deixa dúvidas de qual foi a pior exibição do Internacional na competição. Depois de um bom primeiro tempo, o time de Fossati se perdeu, levou três gols, teve um jogador expulso e viu seu comandante simular ter sido agredido por um objeto vindo da arquibancada.

A experiência de Abbondanzieri

A experiência ‘copeira’ também foi fundamental na campanha do Inter para chegar à final. No primeiro jogo da equipe fora de casa, contra o Deportivo Quito, um lance inusitado poderia ter dificultado o caminho do Inter na Libertadores. No segundo tempo da partida, que terminou em 1 a 1, o árbitro colombiano José Buitrago avaliou que Pato Abbondanzieri havia feito um pênalti, quando na verdade foi atingido com o atacante adversário. A reclamação de Abbondanzieri foi tão convincente que o árbitro acabou revendo a decisão e desistindo de assinalar a penalidade. Contratado pela experiência em Libertadores, Abbondanzieri acabaria perdendo a posição de titular para Renan após a chegada de Celso Roth.

A ‘peleia’ em Quilmes

No dia 20 de maio, na Argentina, o Inter eliminou o campeão da América de 2009. Deixou para trás o time de Verón, mas saiu de campo debaixo de socos e pontapés. Após o gol de Giuliano, aos 43 minutos, Walter provocou os argentinos. D’Alessandro foi para o lado dos colorados no estádio comemorar a classificação. O goleiro Orion partiu para cima dos brasileiros e foi ‘contido’ por Lauro e seus socos. Abbondanzieri se estranhou com Desábato, mas ficou só na conversa. Na saída de campo, além de provocar os torcedores do Estudiantes, Walter agrediu um adversário por trás, na entrada do túnel, sem perceber que era seguido pelo árbitro Oscar Ruiz. O resultado foi uma suspensão para o goleiro reserva do Inter e também ao centroavante. Um já deixou o clube e o outro está quase seguindo o mesmo caminho.

As coincidências com 2006

O ano de Copa do Mundo, a derrota no Campeonato Gaúcho, o segundo lugar no Brasileirão do ano anterior, o São Paulo pela frente. Tudo foi motivo para os colorados compararem a atual campanha com a trajetória da equipe no título da Libertadores em 2006. No final das contas, duas coincidências foram quase trágicas para as pretensões do Inter. Assim como na final de 2006 no Beira-Rio, Tinga foi novamente expulso contra o São Paulo, que marcou o primeiro gol no Morumbi em uma falha de Renan muito semelhante à cometida por Rogério Ceni há quatro anos.
 

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