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AP Photo/Silvia Izquierdo

Kleber levanta a taça, e Inter comemora a conquista do título da Libertadores-2010

18/08/2010 - 23h59

Herói de 2006 ressurge, Inter vira depois de susto e conquista o bi da América

Daniel Cassol, Jeremias Wernek e Marinho Saldanha
Em Porto Alegre

Antes do apito inicial, parecia que seria fácil. A vantagem era toda do Inter, que havia vencido por 2 a 1 em Guadalajara. Mas o time de Celso Roth entrou em campo nervoso, errou passes, sofreu um gol no primeiro tempo e esboçou um quadro de tragédia no Beira-Rio. Mas um herói colorado, uma jovem promessa e o 'talismã' da equipe na competição viraram o jogo e deram ao Inter o bicampeonato da Libertadores.

Primeiro, Rafael Sóbis, destaque há quatro atrás, empatou uma partida de muitas faltas e de um futebol modesto do time gaúcho. A virada aconteceu 15 minutos depois, com o jovem Leandro Damião. Aos 44, Giuliano, o artilheiro dos gols nos minutos finais, apareceu de novo e consolidou a vitória colorada.

Os mexicanos haviam saído na frente com um belo gol de voleio marcado por Fabian, no final da primeira etapa. “Nosso grupo é muito forte e não era um gol que iria nos desestabilizar. Conseguimos um grande feito, que foi reverter essa situação e conseguir o título”, disse Bolívar ao final do jogo. O Chivas ainda chegaria ao segundo gol no final da partida, mas com o resultado de 3 a 2, o Internacional chega ao bicampeonato da Libertadores.

Depois de quatro anos, o Inter volta a conquistar a América. O clube consolida seu domínio em terras sul-americanas e volta a ter a oportunidade de disputar o Mundial Interclubes em dezembro. Iguala o número de títulos da Libertadores do rival Grêmio, segue sendo o único clube brasileiro com conquistas internacionais desde 2006 e entra definitivamente para a lista dos grandes do futebol mundial. Mas, pelo menos nos 45 minutos iniciais da final no Beira-Rio, tudo isso parecia ficar distante.

O jogo

O primeiro tempo da decisão do Beira-Rio foi amarrado. O Internacional não foi nem um arremedo daquele que dominou o jogo de Guadalajara. Já o Chivas, amparado pelas faltas no centro do campo, se manteve seguro. Especulava com lançamentos longos ou ataques pelos flancos. No time gaúcho, Sóbis começou apagado e o meio teve como destaques Tinga e D’Alessandro. Kleber e Nei não chegavam com constância e simplesmente serviam para tabelas e combinações dos meias.

PRINCIPAIS LANCES DA DECISÃO


O iluminado Rafael Sobis repete 2006 e novamente decide para o Inter em uma final de Libertadores
PRIMEIRO TEMPO
9 min - D'Alessandro cobra falta e Sandro cabeceia no meio do gol
22 min - Fabián dispara da intermediária e a bola passa sobre o gol de Renan
24 min - Tinga faz grande jogada pela direita e lança Taison, que chuta para defesa de Luis Michel
42 min - GOL DO CHIVAS! Bravo ganha de Bolívar no alto e cabeceia para Fabián, de voleio, marcar
SEGUNDO TEMPO
8 min - Rafael Sóbis recebe na cara do gol mas não consegue passar por Luis Michel
16 min - GOOOL DO INTER!! Kleber cruza da esquerda, Sóbis se antecipa e empata a partida
24 min - D'Alessandro dribla e chuta de direita, de fora da área, para boa defesa de Luis Michel
31 min - GOOOL DO INTER!!! Damião dispara em contragolpe, chuta firme e faz o segundo do Inter
44 min - GOOOL DO INTER!!! Giuliano faz jogada pessoal, ganha da marcação e bate por cima,
47 min - GOL DO CHIVAS! Bautista acerta a trave e no rebote Araújo marca para o time mexicano

O Inter parecia pouco à vontade para se expor e arriscar jogadas de ataque. O silêncio da torcida ao longo de toda a etapa inicial era um sinal de que o maduro Inter que havia dominado o jogo no México havia levado a cautela dos discursos da semana para dentro do gramado do Beira-Rio.

Três lances no primeiro tempo mostraram quanto a responsabilidade da vantagem pesava sobre os jogadores do Inter. Aos 11 minutos, o sempre sério Guiñazu atrasou mal duas bolas na defesa e deixou o companheiro Kleber pressionado junto a bandeirinha de escanteio. Aos 28, foi a vez do capitão Bolívar dar uma “rosca” na bola em frente à área. Quatro minutos depois, o lateral Nei entregou lance para os mexicanos, que foram parar na área de Renan.

Substituto de Alecsandro, que ficou fora por lesão, Rafael Sóbis só foi chutar ao gol com 28 minutos do primeiro tempo. Aos poucos, mesmo sem mudar o estilo cauteloso de jogo, o Inter conseguiu as primeiras oportunidades de gol. Tinga fez jogada individual pela direita e tocou para trás. Sóbis deixou e a bola sobrou para Taison chutar, para defesa de Luis Michel. Eram 24 minutos. Logo em seguida, Bolívar pegou uma sobra na cobrança de escanteio e chutou para fora.

Mas o caminho para o Inter abrir o marcador era ocupado por um adversário firme e capaz de contragolpear rapidamente. Foi assim que, aos 42 minutos, De Luna cruzou para Bravo, que ajeitou de cabeça para o interior da área. Fabián, quase na marca do pênalti, acertou um voleio sem chances para Renan. Era apenas o segundo gol sofrido pelo Inter dentro do Beira-Rio na Libertadores.

A torcida vermelha explodiu com gritos de apoio. Celso Roth levou as mãos à cabeça e deixou o campo rapidamente. “Temos que fazer dois gols, precisamos fazer”, disse Tinga, na saída de campo. “Foi uma jogada no alto, que acabou pingando. Foi um lance difícil, pode tentar mais vezes que não vai conseguir. Mas foi um descuido”, justificou Bolívar, que perdeu para Bravo no lance do gol.

O susto do primeiro tempo fez o Inter voltar do intervalo com vontade de resolver as coisas imediatamente. D’Alessandro trocou de lugar com Taison e o volante Guiñazu apareceu mais no ataque. Mas, de novo, o Inter esbarrava na marcação mexicana.

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O Inter seguia nervoso, ao passo que o Chivas comprovava o que haviam dito os jogadores mexicanos ao longo da semana, quando lembravam das boas atuações fora de casa na competição. Firme na defesa e com bom toque de bola, aos poucos o Chivas foi acalmando o jogo e deixando o Beira-Rio em silêncio outra vez.

Mas o que era tensão se transformou em alegria aos 16 minutos do segundo tempo. Quando o Chivas parecia que voltaria a controlar o jogo, Kleber acertou um cruzamento em curva da esquerda e Rafael Sóbis, herói do título de 2006, se antecipou ao goleiro e empurrou para o gol. Um gol para mudar o rumo da partida e devolver a confiança no bicampeonato.

O Inter tentou recuperar o futebol da equipe que até então havia vencido todas as partidas dentro de casa no Beira-Rio. Mais seguros, os colorados tocavam a bola e chegavam com mais força ao ataque, agora com a participação do meia Giuliano, que entrou no lugar de Taison. O Chivas, no entanto, não deixava de assustar, principalmente em falhas da defesa do Inter.

Rafael Sóbis deixou o campo para entrada de Leandro Damião, que acabou acertando o companheiro Tinga. O volante quase sai de campo mais cedo, assim como havia acontecido em 2006, mas Tinga voltaria a campo com uma touca de natação vermelha, protegendo o corte na cabeça.

Antes disso, porém, o próprio Leandro Damião se redimiu do golpe no companheiro e evitou que o final da partida se tornasse ainda mais dramático. O jovem atacante recebeu um lançamento e, em disparada, entrou sozinho na área e chutou forte. A bola bateu em Luis Michel e morreu nas redes, para a explosão do Beira-Rio.

O jogo seguiu pegado até o final, Tinga acabou deixando o campo para entrada de Wilson Matias e o Inter segurou o resultado. Aos 44 minutos, Giuliano confirmou a fama de 'talismã' da equipe e fez o terceiro gol do Inter, depois de ter substituído Taison. Foi o sexto gol do meia na Libertadores. O Chivas ainda chegaria ao segundo gol, após cobrança de falta. Araújo aproveitou o rebote e marcou.

Mas já não havia mais tempo. Oscar Ruiz apontou o centro do gramado e as provocações entre mexicanos e brasileiros se transformaram em um princípio de briga. O título já era do Inter. Depois de ter vencido por 2 a 1 em Guadalajara, o Inter confirmou o favoritismo e chegou à sua segunda conquista da Libertadores.

INTERNACIONAL 3 X 2 CHIVAS

Internacional
Renan; Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Sandro, Guiñazu, Tinga (Wilson Matias) e D’Alessandro; Taison (Giuliano) e Rafael Sóbis (Leandro Damião)
Técnico: Celso Roth

Chivas
Luis Michel; Magallón, Reynoso, De Luna e Ponce; Báez, Araújo, Fabián e Bautista; Omar Arellano e Omar Bravo.
Técnico: José Luis Real

Data: 18/08/2010 (quarta-feira)
Local: estádio Beira-Rio, em Porto Alegre
Público: 53.124
Renda: R$ 2.148.430,00
Árbitro: Oscar Ruiz (COL)
Auxiliares: Abraham González (COL) e Humberto Clavijo (COL)
Cartões amarelos: De Luna (Chivas), Fabián (Chivas), Bautista (Chivas), Omar Bravo (Chivas), Bolívar (Inter)
Cartão vermelho: Omar Arellano (Chivas)
Gols: Fabián (Chivas), aos 42 minutos do primeiro tempo; Rafael Sóbis (Inter), aos 16 minutos do segundo tempo; Leandro Damião (Inter), aos 31 minutos; Giuliano (Inter), aos 44 minutos do segundo tempo; Araújo (Chivas), aos 47.

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