Verdadeira taça Libertadores não fica com campeão e pode parar de crescer

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

O River Plate ergueu a taça da Libertadores pela terceira vez na sua história. Mas o troféu mostrado aos milhares de torcedores presentes ao Monumental de Nuñez não é o original, feito em 1959, no Peru. O objeto de desejo de tantos clubes há anos é mantido no museu da entidade, em Assunção, e não passa mais pelas mãos dos jogadores na imagem clássica da festa de título no gramado. Desde 2007, os campeões levam apenas a réplica para casa, e a taça original nem sequer é levada para o palco da decisão.

O UOL Esporte ouviu a Conmebol, a Prataria Camusso, responsável pela concepção da taça, além do atual fabricante das réplicas, o brasileiro Nilmar Tomassi.  E constatou também que a base da taça deve parar de crescer, como tem ocorrido nos últimos anos.

Depois de conquistarem o título, os atletas do River receberam uma das réplicas feitas por Tomassi, que há oito anos está à frente da montagem de todas as taças da Libertadores. Com a peça original no Paraguai, a versão idêntica ficará com o clube argentino até o fim do ano, quando a Conmebol fará o sorteio dos grupos da edição 2016.

Na oportunidade, o River receberá uma versão cujo tamanho é 75% do original. O fato está ligado à preservação do troféu, que foi danificado durante a comemoração do Once Caldas, em 2004. Anos depois, a réplica entregue a Estudiantes (2009) e Corinthians (2012) também sofreu uma avaria, com a queda do pequeno jogador do topo.

"Desde que comecei a fazer as réplicas, a taça original não sai mais do museu da Conmebol. Todos os troféus entregues aos campeões são réplicas. Ela tem um valor simbólico e por isso não pode mais sair. A peça original é de prata", explicou Tomassi em entrevista ao UOL Esporte

Sugestão à Conmebol

Tomassi também explica que o troféu não deve ser sua madeira estendida, a fim de colocar mais placas com menção às equipes campeãs. "Como a base está muito alta, sugeri à Conmebol refazer as plaquinhas, ou tirando a largura para colocar mais uma coluna ou o comprimento. Ela ficaria muito pesada por conta da madeira. Hoje, ela pesa mais que a taça", disse Tomassi.

Espaço até 2022

O troféu da Libertadores é composto por uma base de madeira de 35 centímetros. Nela, são colocadas as plaquinhas de prata com o nome e distintivo do clube vencedor da edição. No espaço, é possível colocar até 63 unidades. Após 56 anos de disputa, o troféu irá comportar placas até 2022.

Padronização

Durante décadas, os próprios clubes eram responsáveis pela colocação das placas na base do troféu. Isso mudou em 2009, com um padrão definido: unidades de dez centímetros de largura por 3,5 centímetros de altura. "Antes, havia placas de todos os tamanhos e cores. Cada clube tinha sua condição de fazer a sua placa. Fizemos, então, uma padronização delas", disse Tomassi, que colocou a plaquinha na taça logo após às finais de 2011, 2012 e 2013, ainda no gramado.

Mudança ao longo do tempo

A taça da Libertadores surgiu sem a base de madeira. Na década de 1970, ela ganhou o componente, da cor preta. Em 1982, entretanto, a Conmebol mudou a peça, que passou a ter aspecto mais claro, além de ser maior, com mais espaço para o nome dos times campeões. A base foi aumentada em 2004 para que mais placas pudessem ser fixadas.

Surgimento 

O troféu da Libertadores foi criado em 1959, em Lima, capital peruana, na Prataria Camusso, após um pedido do Teófilo Salinas, dirigente peruano da Conmebol. O design da peça foi criado por Alberto de Gásperi e o intérprete foi o ourives Carlo Mario Camusso. 
 
"Ele nos deu uma ideia e fizemos um desenho, que foi rejeitado. Nós fizemos outro e gostou. O que levou mais tempo foi a aprovação. Quando o Dr. Salinas viu o resultado final , ele ficou encantado", afirmou Carlo Tonani Camusso à reportagem.
 
Medidas 
 
Segundo a Conmebol, a taça pesa 10,25 kg e tem altura de quase 99 centímetros. São 63 centímetros de prata 925 e 35 centímetros de madeira de cedro. De acordo com Tomassi, ela é sempre transportada em uma caixa de 1,10 metro de comprimento.
 
Recuperação
 
Após o jogador Herly Alcázar, do Once Caldas, deixar o troféu cair durante a comemoração do título, parte da peça se desfez e precisou ser restaurada. O processo foi realizado no Chile, com conclusão no início de 2005.
 
A taça, anos depois, passou pelas mãos de Tomassi. "A original tinha um eixo interno que ligava o jogador à base de madeira. Se rompesse, soltava tudo. Recebi a o troféu meio desmontado e eu fiz a recuperação. Foram feitas peças para reforçar a estrutura interna para ela poder ter mais consistência", disse.
 
Acidente na comemoração corintiana
 
Dezessete dias depois de ser campeão da Libertadores, o Corinthians quebrou o boneco do topo, que caiu. A réplica foi, então, arrumada em uma prataria da cidade de São Paulo. "Nem sempre participo (das restaurações). Com o Corinthians, foi assim. O certo seria retornar para fazer o reparo, pois tem uma série de detalhes de montagem", frisou Tomassi.
 
Buraco na base
 
Em 1983, o zagueiro e capitão gremista Hugo de León ergueu a taça da Libertadores e depois enfiou a cabeça no vão da base. No interior da peça havia um prego, que cortou a testa do uruguaio. Hoje, o buraco não existe mais. "Tinha um parafuso muito grande que sustentava ela toda. Agora há uma tampa que fecha. Toda a parte de fixação fica escondida dentro da madeira", explicou Tomassi.
 

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