Uísque no bico, piadas e reforço palmeirense: a festa da torcida uruguaia

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

Teve festa em Itaquera após a eliminação corintiana. Mas ela foi restrita a um grupo de cerca de 220 pessoas separadas em quatro ônibus com placas estrangeiras. Em um dos veículos uma garrafa de uísque Grant's apareceu assim que os torcedores do Nacional entraram. Foi bebida no bico e o conteúdo logo desapareceu na garganta dos uruguaios que viajaram 36 horas de Montevidéu até São Paulo para testemunhar a equipe empatar com o Corinthians em 2 a 2 e avançar às quartas de final da Libertadores.

Pelas janelas era possível ver as luzes das motos da Polícia Militar que escoltavam o ônibus, mas ninguém reparou. O estado de espírito era de felicidade coletiva. Ele apareceu já na saída do estádio, feita por um local escondido por tapumes de metal que tinham um cordão de homens do Batalhão de Choque a frente deles.

Sem condições de sair na vizinhança para procurar um táxi, outros 58 uruguaios que viajaram de avião ao Brasil pegaram carona até um local seguro, lotando os corredores dos veículos.

De repente, torcedores que precisaram contar o dinheiro e economizar até na refeição estavam celebrando com desconhecidos que viajaram de avião e procuravam uma maneira de chegar aos hotéis das imediações da Avenida Paulista. Nos 19 quilômetros que conviveram estavam eufóricos. Qualquer piada era gargalhada coletiva. Se havia demora, a explicação era a de que os policiais militares eram são paulinos e palmeirenses e escoltariam o grupo até a fronteira do Uruguai e Rio Grande do Sul. Risos estridentes.

Mas depois de meia hora os diferentes se separaram no Terminal do Tietê e cada um seguiu seu caminho. Banho quente e colchão macio para as pessoas que embarcarão num avião na manhã desta quinta e muito chão para o restante. Eles seguiriam até Balneário Camboriú (SC), comeriam e continuariam viagem. Os quatro ônibus devem chegar em Montevidéu na manhã de sexta-feira.

Alegria compartilhada

A festa contou com um reforço brasileiro. Alexsandro Rodrigues, 33 anos, mora perto da Arena Corinthians, e quando saiu o segundo gol dos uruguaios, pegou o carro e foi para o estádio se juntar à torcida do Nacional. Antes, tomou o cuidado de vestir uma calça para esconder a tatuagem do Palmeiras que tem na panturrilha direita. Ele rumou direto para o local de saída dos visitantes. Tirou fotos com os torcedores do Nacional e, empolgado, distribuiu os chaveiros que tinha do clube do coração.

Alexsandro falou que sempre faz isso e esteve no estádio apoiando os torcedores do Cerro Porteño, Santa Fe e Cobresal, os adversários do Corinthians na fase de grupos da Libertadores. Desta vez a zica deu certo e ele não cabia em si de alegria. Depois de abraços e cliques, pegou alguns telefones e prometeu mandar as fotos por WhatsApp. Despediu-se dos torcedores acenando em direção ao ônibus como alguém que deixa um parente querido na rodoviária. Perdeu o melhor da festa que aconteceu em movimento.

 

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