"Arapuca" criticada pelo São Paulo vira arma do Atlético-MG em decisão

Guilherme Palenzuela, Thiago Fernandes e Victor Martins

Do UOL, em São Paulo e Belo Horizonte

Em 2013, Juvenal Juvêncio chamou Independência de 'arapuca'

Em 2013, Atlético-MG e São Paulo decidiram as oitavas de final da Copa Libertadores no Independência, estádio adotado pelo clube mineiro como caldeirão contra os adversários em detrimento do Mineirão. Aquela partida terminou com goleada atleticana por 4 a 1, que causou eliminação e início de crise do São Paulo. O então presidente Juvenal Juvêncio falou uma de suas frases que entraria para a história:

"Num campo desse tamanho [encena com as mãos um campo pequeno] que é uma arapuca! Vi que teve gente aí, mal-amada, que não gosta dessa frase... É uma arapuca! Só que uma arapuca triplicada, porque o governo do estado investiu R$ 1 bilhão para fazer o Mineirão e não se joga lá! Joga-se numa arapuca uma pré-decisão de um campeonato como a Libertadores da América", bradou Juvenal, falecido em dezembro de 2015 em decorrência de um câncer de próstata.

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A mesma "arapuca" que o São Paulo sofreu em 2013 é, nesta quarta-feira, três anos depois, a arma para que o Atlético-MG consiga vencer e chegar à semifinal da Copa Libertadores. Às 21h45 os times começam a partida no Independência para decidir quem será o único representante do Brasil na semifinal. O time mineiro foi derrotado no Morumbi por 1 a 0 e precisa reverter a vantagem paulista.

Casa atleticana

O Independência não foi só o estádio do 4 a 1. O Atlético-MG adotou o local como casa ainda em 2012 a partir de uma parceria com a BWA, empresa administradora, e por isso não viu necessidade de fazer um acordo com a concessionária Minas Arena para jogar no Mineirão logo após a reinauguração.

Aos poucos e principalmente durante a Libertadores de 2013, clube e torcida encontraram identidade no Independência, que se tornou símbolo de resistência e acabou como um dos símbolos do título no torneio, mesmo sem receber a final, por limite de público – "Caiu no Horto, tá morto": a piada virou ditado por causa das seguidas vitórias do Atlético no Independência, que fica no bairro do Horto, em Belo Horizonte.  

Os times atuais são bem diferentes daqueles que se enfrentaram em 2013, com quatro remanescentes do lado alvinegro (Victor, Marcos Rocha, Leonardo Silva e Leandro Donizete) e somente um do lado tricolor (Paulo Henrique Ganso).

Outra diferença é a situação pré-jogo. Em 2013, o Atlético chegou a Belo Horizonte com vantagem, após vencer por 2 a 1, no Morumbi. Agora, depois da derrota por 1 a 0 fora de casa, a equipe alvinegra precisa vencer por dois gols de diferença para chegar à semifinal da Libertadores sem precisar da disputa de pênalti. Pressão nos minutos iniciais e intensidade durante os 90 minutos, os trunfos do Atlético para tornar o Independência em Arapuca mais uma vez. O São Paulo joga pelo empate e passa à semifinal até se perder por um gol de diferença desde que marque um.

O Atlético-MG seguirá com a dúvida sobre a participação de Robinho na decisão até uma hora antes do apito inicial. O atacante se recupera de dores na coxa esquerda, não treinou na terça-feira, mas foi relacionado para a partida – a tendência é que comece no banco de reservas.

"O importante é a gente não deixar o São Paulo confortável no Independência. Temos que tirar a equipe deles da zona de conforto, tentar desequilibrá-los psicologicamente", comentou o capitão Leonardo Silva, que lembra algo importante. Os jogos no Horto envolvem muito mais do que o campo.

No São Paulo, as novidades foram boas para Edgardo Bauza, que já na segunda-feira treinou com o time que será titular: Wesley deixa a equipe para o retorno de Michel Bastos, autor do gol no Morumbi, como titular. Não há preocupações sobre os estados físicos de Maicon e Eugenio Mena, também escalados no time principal.

FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO-MG X SÃO PAULO

Data: 18 de maio de 2016, quarta-feira
Horário: 21h45 (de Brasília)
Motivo: Quartas de final da Copa Libertadores
Local: Estádio Independência, em Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Andrés Cunha (URU)
Assistentes: Carlos Pastorino e Horácio Ferrero (URU)

ATLÉTICO-MG: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Erazo e Douglas Santos; Leandro Donizete, Eduardo e Patric; Cazares, Lucas Pratto e Carlos (Robinho).
Técnico: Diego Aguirre.

SÃO PAULO: Denis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; Thiago Mendes e Hudson; Kelvin, Ganso e Michel Bastos; Calleri.
Técnico: Edgardo Bauza.

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