Sem Ganso, SP remendado repete o que time campeão de 2005 fez contra River

Guilherme Palenzuela

Do UOL, em São Paulo

Os dias que precedem o primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores envolvem o São Paulo no clima de preocupação com os desfalques de Paulo Henrique Ganso e Kelvin, lesionados, para o jogo contra o Atlético Nacional. Há onze anos, em 2005, a situação era similar: Cicinho e Grafite fora, além de outros ausentes, e a incerteza de como enfrentar o River Plate. Com dois dias de treino, um novo time se formou e conseguiu vencer por 2 a 0.

Reforço fracassa e Mineiro é improvisado

Eduardo Knapp/Folha Imagem

Aquela Copa Libertadores de 2005 teve a peculiaridade de não parar durante a Copa das Confederações. Com isso, os clubes que tiveram atletas cedidos à seleção brasileira não puderam utilizá-los no segundo jogo das quartas de final e nas duas partidas da semifinal. O lateral direito Cicinho foi um deles, em ausência que acabou criando quebra-cabeça complicado para Paulo Autuori.

AFP PHOTO / DOUGLAS MAGNO

O São Paulo já tinha perdido Grafite, com grave lesão no joelho, no primeiro jogo das quartas de final contra o Tigres, do México, no qual Rogério Ceni marcou dois gols de falta e perdeu, de pênalti, a chance de fazer o terceiro. Sem Cicinho, o time no México foi escalado com o recém-contratado Michel na lateral direita. O rendimento foi tão abaixo do esperado que Autuori decidiu improvisar o volante Mineiro como ala direito na primeira partida, contra o River.

Assim como acontece em 2016 e diferentemente do que ocorreu em 2010 e 2006, o São Paulo jogou o primeiro jogo da semifinal de 2005 no Morumbi. Com Mineiro na ala direita, o volante Renan – hoje são-paulino de arquibancada – atuou como titular. A solução, no entanto, veio no segundo tempo quando o meia Souza entrou na ala direita.

A situação é semelhante ao caso de Thiago Mendes, volante que ganha força para jogar como meia direita e substituir Kelvin. No lugar de Ganso, Ytalo deverá ser escalado como segundo atacante.

Amoroso: adaptado em dois treinos

Eduardo Knapp/Folha Imagem

Além da lesão de Grafite houve outro problema: Diego Tardelli se tornou desfalque ao ser convocado para a seleção brasileira sub-20, e a única alternativa para escalar o ataque da semifinal era usar Roger, contratado da Ponte Preta, ao lado de Luizão. Veio, então, a contratação de Amoroso.

"Faltava uma peça para repor a contusão do Grafite. Eu cheguei e meu companheiro de ataque era o Luizao, então ficou tudo mais fácil. Quando cheguei, a primeira coisa que notei no CT foi um time focado para ser campeão, pois éramos uma equipe experiente. Não deu tempo de pensar na preparação, pois fazia dois dias que estava no São Paulo. Era jogar com a experiência e a vontade", conta Amoroso, ao UOL Esporte.

 

Em 2016, o São Paulo não contratou um reforço antes das semifinais para suprir a carência de um lesionado, mas também firmou uma contratação para, de uma forma ou de outra, manter o nível do time: o zagueiro Maicon, cujo contrato de empréstimo acabaria no dia 30 de junho, foi contratado por R$ 22 milhões – o maior investimento da história do clube.

Solução veio do banco

Eduardo Knapp/Folha Imagem

A escolha por Mineiro na ala direita não se concretizou como um sucesso no primeiro tempo daquela partida, no Morumbi. No miolo do meio de campo, ao lado de Josué, Renan teve função específica: "Me foi dada a incumbência de marcar o Gallardo, camisa 10 e melhor do time do River, que hoje é o treinador. Autuori me mostrou antes do jogo na concentração alguns vídeos dele, e isso ficou muito marcado para mim. Como o primeiro tempo acabou 0 a 0 e eu entrei no jogo especificamente para essa função de eliminar o Gallardo, no intervalo ele voltou com o Souza e me tirou. Colocou o Mineiro no meio, Souza de ala, e aumentamos o volume de jogo", contou Renan, ao UOL Esporte, há dois meses.

A entrada de Souza foi determinante na partida e sacramentou a superioridade são-paulina no Morumbi. Também há dois meses, o meia se referiu à partida como a mais marcante de sua passagem pelo clube. "Foi um dos melhores jogos que fiz na minha carreira. Para mim tudo deu certo, consegui mudar o cenário do jogo. É o primeiro jogo que me vem a cabeça quando lembro do São Paulo", disse - a partida terminou com gols de Danilo, hoje no Corinthians, e Rogério Ceni. 

Caso o técnico Edgardo Bauza comece a partida de quarta-feira com o time que mais se espera (Denis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; Hudson e João Schmidt; Thiago Mendes, Ytalo e Michel Bastos; Calleri), algumas das alternativas de banco que podem repetir o que fez Souza há onze anos são Carlinhos, Luiz Araújo e Alan Kardec. 

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos