Crise argentina coloca pressão sobre "ricos" brasileiros na Libertadores

Do UOL, em São Paulo

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    Jogadores do Atlético Tucumán, que tem folha salarial dez vezes inferior ao gasto do Palmeiras

    Jogadores do Atlético Tucumán, que tem folha salarial dez vezes inferior ao gasto do Palmeiras

Agendado para esta terça-feira (07), o início da fase de grupos da Copa Libertadores de 2017 será especial para times de Argentina e Brasil, países com mais títulos na história da principal competição de clubes do continente. De um lado, a maior crise da história da modalidade. De outro, elencos recheados de estrelas, salários astronômicos e um contingente jamais visto no torneio.

Até por isso, há um elemento de pressão extra sobre os brasileiros. Há casos como o Palmeiras, que teve folha salarial de R$ 10 milhões mensais na última temporada. O time alviverde vai debutar em duelo com o Atlético Tucumán, time argentino que gastou pouco mais de R$ 1 milhão a cada 30 dias de 2016.

A comparação não é cruel apenas nesse duelo. O Flamengo também vai estrear na quarta-feira (08), contra o San Lorenzo, no Maracanã. O estádio estará lotado – mais de 40 mil ingressos já foram vendidos – para ver nomes como Diego e Guerrero com a camisa rubro-negra. Para o rival, a ordem é defender. "É um dos [rivais] mais difíceis. Eles jogam bem, e nós temos de ter cuidado com os atacantes. Vamos atacar com paciência e inteligência", avisou Paulo Díaz, defensor da equipe argentina, em entrevista ao jornal "Olé".

A preocupação do San Lorenzo com o Flamengo tem a ver com a questão técnica, evidentemente, mas também escancara o atual momento dos argentinos. Sem jogos oficiais desde dezembro do ano passado, os vizinhos sul-americanos encontram-se mergulhados em uma das maiores crises de sua história.

O futebol argentino está parado por dívidas dos clubes com jogadores. Na última quinta-feira (02), uma reunião na sede da AFA (Associação de Futebol da Argentina) acabou sem qualquer desfecho positivo para o futebol local. A rodada que estava agendada para o último fim de semana foi postergada para o próximo, mas ainda não há qualquer convicção de que os jogos sejam realizados.

A crise argentina foi deflagrada pela morte de Julio Grondona, cartola que comandou a AFA com mão de ferro durante anos. A eleição para a presidência do órgão, realizada no fim de 2015, acabou com empate entre Luis Segura e Marcelo Tinelli – cada um teve 38 sufrágios. O único problema: havia apenas 70 votantes.

No dia 24 de fevereiro, a AFA mudou seu estatuto e deixou a cargo do colégio de advogados de Buenos Aires a definição dos candidatos habilitados em eleições da entidade esportiva – essa atribuição era anteriormente do comitê de ética da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). A Fifa rechaçou o novo modelo e ameaçou suspender a entidade, o que pode até afetar a seleção argentina, que ainda tenta classificação para a Copa do Mundo de 2018. Ainda não houve solução para o impasse.

Em meio ao caos político e econômico, as quatro divisões do futebol argentino estão paradas. Alguns clubes devem a seus jogadores há mais de cinco meses, e o governo ainda não repassou à AFA os US$ 33 milhões referentes à rescisão do contrato de cessão dos direitos e mídia do Campeonato Argentino. Os atletas pedem que esse dinheiro seja repassado diretamente a eles.

O San Lorenzo e o Godoy Cruz, adversário do Atlético-MG na primeira rodada da fase de grupos, farão na Libertadores as primeiras partidas em 2017. O Estudiantes, rival do Botafogo na próxima terça-feira (14), disputou apenas amistosos até agora.

A crise dos argentinos é especialmente relevante por questões técnicas. O país venceu as edições de 2014 (San Lorenzo) e 2015 (River Plate) da Libertadores, e ainda que o atual detentor da taça seja o colombiano Atlético Nacional, a tradição dos rivais sempre preocupa os brasileiros, que não ficam com o título desde 2013 (Atlético-MG).

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