F. Melo acusa racismo de rival e diz: 'Mulher deve ter traído com negão'

Danilo Lavieri e José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo

  • Paulo Whitaker/Reuters

O volante Felipe Melo afirmou ao canal SporTV após a partida contra o Peñarol que foi alvo de insultos racistas de um rival durante a vitória do Palmeiras por 3 a 2 nesta quarta-feira (12), no Allianz Parque, pela Libertadores. O jogador disse que foi chamado de "macaco" no Allianz Parque. Clique aqui para ver os gols da vitória palmeirense.

"Tenho (que ter sangue frio), sobretudo pelo cara que fez o gol deles que me chamou de macaco. Durante muito tempo ficou me chamando de macaco. Acho que na TV dá para pegar. Sou preto mesmo, acho que ele deve ter algum problema, a mulher dele já deve ter traído ele com algum negão, alguma coisa assim", disse o camisa 30.

O palmeirense afirmou que não fará denúncia pelo caso e disse que, no passado, teria agredido o responsável pelas ofensas.

"Denunciar nada, faz parte do futebol isso aí. Faz parte do futebol não, desculpa. Isso excede ao futebol. Se fosse o Felipe de um tempo atrás, eu já virava um socão. Graças a Deus tenho controlado mais meu ânimo", afirmou.

Felipe Melo disse não lembrar o nome do responsável pelas ofensas, mas descreveu Gaston Rodríguez, jogador que entrou no segundo tempo e foi o autor do segundo gol do Peñarol. "O cara que fez o gol deles, que entrou no segundo tempo. Mas, enfim, é moreno escuro. Na época da escravidão ele ia tomar chibatada igual a eu (SIC)", lembrou. O clube uruguaio disse ao UOL Esporte que seu atleta não se pronunciará sobre o caso.

Pouco depois, Felipe Melo disse ter conversado com Rodríguez e ouvido do uruguaio um pedido de desculpas pelos insultos. "O jogador veio, pediu desculpa e já está tudo bem", relatou. "Coisa do jogo. A gente tem que perdoar. Tudo é perdoável. O importante é reconhecer o erro de coração. Eu acho que existe uma autrocrítica. Ele viu que errou, pediu desculpa, o que mais eu tenho que fazer? O mal tem que ser cortado pela raiz."

Sobre a vitória, o volante elogiou a entrega demonstrada pelo Palmeiras e recordou a "promessa" feita antes da partida, de que "daria tapa na cara de uruguaio" se fosse preciso.

"É um time muito aguerrido (Peñarol), demonstraram aí. Tivemos muito mais oportunidades de gol do que eles. Não conseguimos fazer, mas é o que eu falei, na força ninguém vai ganhar da gente não. Essa intimidade que está sendo criada foi o que fez a gente vencer o jogo", comemorou.

Jailson também sofre ofensas

De acordo com o diretor de futebol Alexandre Mattos, Felipe Melo não foi o único atleta do Palmeiras a ser alvo de racismo. O goleiro reserva Jailson também teria sido ofendido.

"A gente sabe que isso é individual. Vamos conversar com o Felipe Melo e com os outros. Parece que teve com o Jailson também. Se precisar que a gente faça algo, a gente vai fazer. Mas é questão individual", disse ao UOL Esporte.

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