Onde o Atlético-PR jogará pela Libertadores contra o Santos? Veja cenários

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Napoleão de Almeida/UOL

    Arena está alugada para a Liga Mundial de Vôlei e Atlético busca alternativas

    Arena está alugada para a Liga Mundial de Vôlei e Atlético busca alternativas

Reviver o drama da final de 2005, quando acabou alijado de decidir a Libertadores em sua Arena, não estava nos planos do torcedor do Atlético Paranaense. Mas, como se previa, a Conmebol não aceitou transferir a data do jogo de ida pelas oitavas de final contra o Santos, marcado para 5 de julho, quando o estádio estará à disposição da FIVB (Federação Internacional de Volei) e agora o Atlético tem nas mãos um problema: onde mandar essa partida?

A situação se agrava por duas razões: a primeira, a exigência de capacidade mínima de 20 mil pessoas no estádio indicado. A segunda, o regulamento que determina que a mudança de sede seja para no máximo 100 km da praça indicada, conforme descrito no item 1 do artigo 9:

Reprodução
Regulamento também proíbe partidas com mais de 100 km de distância da praça-sede

Assim sendo, as opções do Atlético estão inicialmente limitadas a Vila Capanema, do Paraná Clube, ao Couto Pereira, do Coritiba, e a Arena Joinville, localizada a pouco mais de 100 km – 126, de acordo com os mapas.

Procurada pela reportagem, a Conmebol disse que não irá interferir na indicação, apesar de considerar o Couto Pereira uma opção óbvia. A entidade se disse ciente da "alta rivalidade entre os clubes" e acredita que é um "tema para ponderação dos clubes e da Federação local". Da mesma maneira, a Federação Paranaense foi procurada e preferiu não se manifestar oficialmente, "por que sequer fomos perguntados de algo ainda". A FPF se disse à disposição para ajudar.

Cada opção, porém, tem um problema:

ARENA JOINVILLE

Vinicius Castro/ UOL
Arena Joinville está em obras, mas aparece como opção mais provável

O estádio fica a pouco mais de 100 km de Curitiba, o que no entender da Conmebol é algo irrelevante. Há uma tolerância quanto à distância. A questão é que a Arena Joinville, que foi casa do Atlético em 2013 em alguns jogos no Brasileirão, está em reformas. "A capacidade é de 22 mil pessoas. Nós estamos instalando cadeiras em todo o estádio, ele está em obras nesse momento e nesse momento ele não tem mais de 20 lugares. Hoje a capacidade é de quase 18 mil espectadores", contou Marco Braga, secretário de Comunicação da Prefeitura de Joinville.

O empecilho não é definitivo. Há a possibilidade de liberação do local, um espaço que está sendo ampliado, cuja previsão de entrega é para agosto. Braga ressaltou que o Atlético não procurou a Prefeitura de Joinville, proprietária do estádio, mas que as portas estão abertas, a despeito dos episódios entre torcedores atleticanos e vascaínos após o jogo da rodada final do Brasileiro de 2013. "A gente procurou não alugar mais por que teve um desgaste naquele Atlético x Vasco, mas ali tiveram vários equívocos. Faltou policiamento, por uma decisão dela à época, faltou separar melhor. Mas não temos rusga nenhuma com o Atlético Paranaense."

A ideia é vista com simpatia pelo secretário. "Uma Libertadores é um evento de grande visibilidade para o Município. Eu acho que a cidade não pode perder essa oportunidade", diz Braga, que pode inclusive obter o laudo da capacidade legalmente e vender menos ingressos, como o Santos fará na Vila Belmiro (ver abaixo).

VILA CAPANEMA

EFE/Hedeson Alves
Atleticanos acompanharam a Libertadores 2014 na Vila Capanema

A Vila Capanema foi casa do Atlético na Libertadores de 2014 e já recebeu jogos das oitavas de final da competição em 2007, quando o Paraná Clube enfrentou o Libertad, do Paraguai. À época, os laudos do estádio indicaram capacidade acima de 20 mil pessoas, o que não acontece mais. Atualmente, o estádio tem liberação da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para um máximo de 16.772 pessoas, com recomendação para venda de 14.660 ingressos. É uma situação similar à da Vila Belmiro, do Santos, onde o clube paulista deve mandar o jogo de volta.

No site da Federação Paulista a capacidade máxima liberada da Vila Belmiro é de 21.360 pessoas, mas a recomendação é para que não se vendam mais que 14 mil ingressos.

Questionado, o Paraná também disse não ter sido procurado pelo Atlético até o momento. Para que a Vila Capanema se torne uma opção, será preciso que algumas reformas sejam feitas no estádio nos próximos 20 dias e que a PMPR e os bombeiros façam nova vistoria. Nos bastidores, a diretoria tricolor vê com bons olhos a possibilidade, mas tem dúvidas quanto aos custos e tempo necessários para as reformas necessárias para a liberação.

COUTO PEREIRA

Reprodução/Google Street View
Couto Pereira: melhor opção aos olhos da Conmebol enfrenta resistência da torcida coxa-branca

A escolha mais óbvia também é a politicamente mais complicada. Atualmente, o Couto Pereira tem capacidade para 40.502 pessoas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Em 2005, naquela decisão, o Coritiba enviou laudos à Conmebol atestando que o estádio comportava apenas pouco mais de 35 mil pessoas. Hoje essa justificativa não cabe, mas nem há muito o que se justificar: o Coritiba é o dono da praça e pode alugar para quem quiser. Recentemente o Atlético alugou o estádio para um duelo contra o Grêmio, pelo Brasileirão de 2015.

E é esse o ponto: internamente, há uma divisão no Coritiba sobre o aluguel da praça, mas entre os torcedores alviverdes não há dúvidas, a resposta deve ser não. Procurado, o Coxa não se manifestou oficialmente e disse "não ter sido consultado sobre a hipótese até o momento". Nos bastidores, porém, o que corre é a dúvida: alugar e faturar com o evento ou preservar o desejo da torcida? A decisão está nas mãos do presidente Rogério Bacellar.

Bacellar foi questionado há poucos dias sobre a possibilidade em uma reunião do Conselho e garantiu que não alugará o estádio, mesmo sendo uma prerrogativa que independe de consulta. Nos últimos tempos, o Atlético tem sido parceiro do Coritiba em empreitadas fora do gramado, como na transmissão dos Atletibas do Paranaense pelo YouTube. Nas palavras de um diretor, a questão é: "vivemos boa fase com a torcida, não sabemos se é uma boa se indispor assim. O dinheiro ajudaria, sempre ajuda. Mas isso cabe ao presidente decidir."

Para o Atlético, a opção do Couto Pereira seria melhor não só para que o time não saia da cidade, mas também procurando atender aos sócios do clube. Na última atualização feita pelo clube publicamente, o Atlético tinha cerca de 24 mil sócios, volume maior que a capacidade dos outros estádios citados.

E SE NENHUM ENCAIXAR?

Questionada sobre a impossibilidade de alguma das três praças atenderem ao Atlético, a Conmebol preferiu não se manifestar, dizendo crer num acordo. Entretanto, em último caso, a confederação pode acatar a indicação do Estádio do Café, em Londrina, para o jogo. Londrina está 388 km distante de Curitiba e seria preciso consultar o Santos para a mudança. O Peixe pode ser simpático à ideia: no último levantamento de torcidas na cidade, da Paraná Pesquisas em 2012, o Santos era o quinto time preferido dos londrinenses, enquanto o Atlético aparecia apenas na 11ª posição. 

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