Rival do Palmeiras é o Barcelona do Equador, mas também é catalão

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • RODRIGO BUENDIA/AFP

    Origens da Catalunha relacionam diretamente o Barça do Equador ao famoso da Espanha

    Origens da Catalunha relacionam diretamente o Barça do Equador ao famoso da Espanha

O nome Barcelona não é à toa. O rival do Palmeiras na noite desta quarta-feira, em Guayaquil, possui origem imigratória assim como o próprio clube alviverde, fundado e abraçado pela comunidade italiana. Na versão equatoriana, assim como na espanhola, os catalães ditaram o clube.

Durante a década de 1920, Guayaquil prosperava economicamente com o crescimento da exportação do cacau – principal produto da região. O interesse estrangeiro pela matéria-prima do chocolate trouxe imigrantes para uma cidade até então em desenvolvimento; imigrantes, estes, que trouxeram práticas locais para o Equador, como o futebol.

Conforme relatado no livro História do futebol guayaquileño, que possui a aprovação da Associação de Futebol de Guayas (província de Guayaquil), jovens da região (imigrantes e também equatorianos) se reuniram na casa de Eutimio Pérez Arumí, um ex-capitão espanhol, no dia 1º de maio de 1925 para decidir sobre a fundação de um clube futebolístico.

A mais importante decisão da noite teve influência na origem dos imigrantes presentes na reunião. Mais que espanhóis, os jovens eram catalães em sua maioria e impuseram a vontade de homenagear o time mais famoso da terra natal, do outro lado do Oceano Atlântico.

JOAQUIN SARMIENTO/AFP
Nascido dos imigrantes, Barcelona é considerado o clube de maior torcida no Equador

Fora o nome, o símbolo do clube remetia ao clube espanhol. As cores dos uniformes, no entanto, se diferenciam ao do time atualmente estrelado com Neymar, Messi e Suárez. Em sua versão sul-americana, o Barcelona veste amarelo com detalhes vermelhos, como a bandeira da comunidade autônoma espanhola. 

Primeiro clube equatoriano a disputar a Copa Libertadores da América em 1961, o Barcelona é tratado atualmente como o clube mais popular do país. De acordo com estimativa divulgada pela Conmebol, mais de 7 milhões de pessoas apoiam o clube no Equador.

Esta popularidade torna o clube atrativo para grandes estrelas, mesmo que em ocasiões esporádicas. Alberto Spencer, equatoriano e um dos maiores nomes da história do Peñarol – ganhou três Libertadores pelos "carboneros" (1960, 1961 e 1966) – defendeu o Barcelona na última temporada da carreira, e ainda conquistou o Equatoriano de 1971.

Equatorianos tiveram Ronaldinho...por uma noite

A Catalunha foi da melhor fase de Ronaldinho como jogador de futebol - com a camisa blaugrana, individualmente, o ainda atleta (não anunciou a aposentadoria oficialmente) se sagrou melhor do mundo duas vezes. O Barça equatoriano, por outro lado, recebeu a fase final de carreira da antiga estrela, agora uma atração de exibição. Por uma noite, o ex-camisa 10 da seleção vestiu a camisa amarela.

Divulgação/Barcelona de Guayaquil
Ronaldinho na apresentação como "reforço" do Barcelona do Equador

O Barcelona (do Equador) apresentou Ronaldinho como a grande estrela da "Noite Amarela" de 2016, quando o clube abre oficialmente a temporada diante do torcedor no Estádio Monumental.

O craque brasileiro negociou por uma partida e passou por toda a provação de um jogador de grande equipe: apresentação oficial, entrevista coletiva e, por fim, exibir o próprio talento. Tudo por uma noite.

Ronaldinho, que vestiu a camisa 91 como homenagem ao 91º aniversário do clube de Guayaquil, atuou por 77min na vitória por 4 a 3 sobre o Universidad San Martin, do Peru. O antigo camisa 10 do Barça catalão colaborou com uma assistência e transportou o Camp Nou para o Monumental por pelo menos uma noite.

FICHA TÉCNICA
BARCELONA-EQU x PALMEIRAS

Local: Estádio Monumental, em Guayaquil (Equador)
Data: 5 de julho de 2017 (quarta-feira)
Horário: 21h45 (de Brasília)
Árbitro: Patricio Loustau (Argentina)
Assistentes: Diego Bonfa e Gustavo Rossi (ambos da Argentina)

BARCELONA-EQU: Máximo Banguera; Pedro Velasco, Darío Aimar, Xavier Arreaga e Mario Pineida; Ely Esterilla; Oswaldo Minda, Matías Oyola, Damían Diáz e José Ayoví; Jonatan Álvez.
Técnico: Guillermo Almada.

PALMEIRAS: Fernando Prass; Mayke, Yerry Mina, Edu Dracena e Juninho (Tchê Tchê); Thiago Santos, Tchê Tchê (Bruno Henrique) e Alejandro Guerra; Róger Guedes, Willian e Dudu.
Técnico: Cuca.

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