Após usar "truques" de 2016, Cuca vai ter que se reinventar até fim do ano

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

  • Nelson Almeida/AFP

    O técnico Cuca durante jogo do Palmeiras contra o Barcelona

    O técnico Cuca durante jogo do Palmeiras contra o Barcelona

Entre os torcedores do Palmeiras, já há quem diga "Feliz 2018". A expressão é usada por aqueles que não se importavam com mais nada para esta temporada a não ser com o título da Libertadores. A queda diante do Barcelona-EQU na noite da última quarta-feira não só coloca um ponto final neste sonho como deixa evidente que o trabalho de Cuca não evoluiu da maneira esperada.

O time equatoriano avançou às quartas de final da Libertadores após perder por 1 a 0 no tempo normal, mas sair vitorioso na disputa de pênaltis por 5 a 4. Clique aqui para assistir aos lances da partida.

Apegado à estratégia de 2016, o técnico repetiu quase todos os "truques" que teve no ano passado para tentar mudar o ambiente do time e da torcida, como ir para Atibaia e usar a mesma calça vinho por jogos seguidos, por exemplo.

No campo tático, ele também se apegou ao que deu certo na conquista do Brasileiro, mas não conseguiu fazer o time mostrar um futebol eficiente. Como desembarcou no Palmeiras como o salvador da pátria, a expectativa era a de que o time conseguisse mostrar melhor desempenho em relação ao que mostrava sob o comando de Eduardo Baptista. E não foi isso o que aconteceu.

O exemplo mais claro foi o excesso de bolas levantadas na área dos equatorianos no primeiro tempo. Sem querer mudar o seu esquema tático, Cuca voltou a colocar Dudu como um meio-campo criativo. E novamente não teve o resultado que esperava.

Na prática, a equipe dependia de ligações diretas entre zaga e ataque pela falta de presença no setor de transição. Toda e qualquer falta era a senha para que os zagueiros subissem e tentassem um desvio de cabeça.

No segundo tempo, deu chance a Moisés e viu o time finalmente criar chances de perigo. A equipe até abriu o 1 a 0, mas não conseguiu o segundo e acabou eliminada nos pênaltis.

A queda coloca por água abaixo um investimento de mais de R$ 100 milhões em cima de um título que era sinônimo de obrigação no Palestra Itália. A 15 pontos do líder do Brasileiro e eliminado da Copa do Brasil, o Palmeiras se limitará a buscar posições no G-4 para ao menos evitar a pré-Libertadores no ano que vem.

Sem poder fazer grandes contratações para esta temporada (a janela internacional está fechada e a maioria dos atletas da Série A já ultrapassou o limite de sete jogos), Cuca precisará se reinventar para fazer o elenco funcionar. Com os fracassos nos testes que fez até aqui, ele tem a esperança de que Moisés consiga manter uma sequência de jogos para coordenar a criação alviverde.

Ao menos a princípio, mesmo com o próprio técnico colocando seu trabalho em risco, o plano da diretoria alviverde não é demitir Cuca, tampouco o seu diretor de futebol, Alexandre Mattos.

Em sua defesa, aliás, Mattos sempre lembra que resgatou o orgulho do torcedor palmeirense. Em 2014, a equipe lutou para não cair. Em 2015 e 2016, os dois primeiros anos dele no Palmeiras, o time foi campeão da Copa do Brasil e do Brasileirão.

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