Bota na defesa e Grêmio no ataque? Jair e Renato invertem ordem histórica

Bernardo Gentile e Jeremias Wernek

Do UOL, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre

  • Montagem/UOL

    Treinadores guiam times com estratégia oposta ao histórico dos clubes

    Treinadores guiam times com estratégia oposta ao histórico dos clubes

Botafogo e Grêmio são, historicamente, donos de estilos muito característicos em campo. O duelo válido pelas quartas de final da Libertadores, contudo, põe frente a frente formações que inverteram essa ordem. O time de Jair Ventura é fechado, enquanto a equipe de Renato Gaúcho ofensiva. Os dois treinadores são o fio condutor de uma temporada que salta aos olhos tanto em General Severiano como na Arena.

Jair e Renato também são distintos em outras áreas. O treinador do Botafogo é entusiasta de cursos e flerta com ar acadêmico. O comandante do Grêmio aposta pesado na gestão de pessoas e na experiência como ex-jogador. É essa contradição, tanto dos técnicos quanto dos times, que começará a ser colocada a prova nesta quarta, no no estádio Nilton Santos, no primeiro jogo do duelo que vale vaga na semifinal da Copa Libertadores. 

Grêmio inédito

O Grêmio de 2017 é mais ofensivo que aquele do ano passado, campeão da Copa do Brasil. Ainda com herança de Roger Machado, o Tricolor de 2016 foi turbinado por ajustes pontuais e ganho de confiança nos jogos eliminatórios. Na virada do ano, as mudanças no elenco pavimentaram a troca no conceito.

"Acima de tudo, para ter futebol bonito e agressivo, como o Grêmio tem agora, é preciso peças. Não adianta ter na cabeça um modo de jogar sem os jogadores para isso. Tem de ter as peças. Penso em ser bem ofensivo. Tem jogadores para isso? Não? Não adianta. Quero ser bem defensivo. Tenho as peças? Não? Não adianta", disse Renato Gaúcho em recente entrevista ao UOL Esporte. "Essa filosofia (jogo ofensivo) vem desde o ano passado. Esse ano nós tivemos um pouco mais de tempo, mudamos alguns jogadores e podemos trabalhar mais a filosofia de jogo", completou.

O trabalho que começou com um quê de contingência agradou muito. O Grêmio, hoje, estuda aplicar os princípios de jogo usados no time principal em todas as equipes das categorias de base. A ideia altera uma filosofia histórica do clube, que conquistou a maioria de seus grandes títulos com um futebol de maior imposição física.

E Renato não esconde que seu grande trunfo é a experiência como ex-jogador. Mesmo sem gostar do rótulo de 'boleiro', o treinador se diferencia e é elogiado por saber abordar o elenco e lidar com necessidades e obrigações dos atletas.

Jair e o caminho inverso

O Botafogo atual é o exemplo do caminho oposto. Tradicionalmente um time técnico, com jogadores de grande individualidade e estilo fluido, o clube carioca derrubou gigantes do continente e faz grande ano sendo reativo. Acima de tudo, é um time organizado.

Jair Ventura chegou ao clube em 2008, quando passou a integrar a comissão técnica de Cuca como auxiliar da preparação física. Apesar de falar a língua dos jogadores, ele não tem o perfil boleiro como alicerce do trabalho. Ao contrário. O jovem treinador é um dos estudiosos da bola e grande defensor dos cursos ministrados no Brasil. Com o bom desempenho, ganhou destaque na luta pelo reconhecimento dos diplomas do país no estrangeiro.

Estudioso, Jair assumiu o Botafogo em agosto do ano passado e chegou à conclusão que o time precisava jogar de maneira reativa e organizada para ter melhores resultados. A proposta era completamente oposta à do ex-técnico Ricardo Gomes, que valorizava posse de bola e sofria com resultados ruins após voltar à elite do futebol brasileiro.

A proposta de Jair deu muito certo e os jogadores compraram a ideia. Mais de um ano após assumir, as características do time pouco mudaram. "Aguerrido", "organizado" e "defensivo" ainda são as melhores qualidades ressaltadas desse Botafogo. Jair Ventura, porém, não gosta de ser rotulado como técnico de um único sistema. Até mesmo no Botafogo, que conta com poucas opções no elenco, ele tenta mudar a forma de jogar. O problema é que a falta de resultados com outra formação, especialmente as mais ofensivas, atrapalha. Há, portanto, um dilema.

"Em alguns momentos você tem de fazer algumas coisas diferentes porque precisa de um resultado. Eu não posso ter de ganhar uma partida e botar mais volantes ou então mais zagueiros. Também não me prendo a uma única maneira de jogar. Não vou ficar preso a um sistema de três volantes se eu não tenho os três volantes. A gente só muda por necessidade. Eu não vou mudar uma coisa que está dando certo", disse Jair recentemente.

Disciplinado taticamente e forte na defesa, o Botafogo abre o duelo recebendo o Grêmio - dono de 98 gols na temporada. O segundo jogo está marcado para 20 de setembro, em Porto Alegre. Durante os 180 minutos, a tendência é a confirmação de uma inversão histórica entre os rivais. E um teste forte para os conceitos de Jair Ventura e Renato Gaúcho, os artífices desse cenário diferente.

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