Após anos de "raça", é o Grêmio do jogo bonito que pode voltar à final

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

  • Dolores Ochoa/AP

    Luan é expoente técnico do Grêmio, em vias de jogar quinta final de Libertadores

    Luan é expoente técnico do Grêmio, em vias de jogar quinta final de Libertadores

O Grêmio já teve Sandro Goiano, Fábio Rochemback, Riveros, André Lima e Tuta na tentativa de reproduzir uma fórmula que ganhou tudo na década de 1990. Dez anos depois, é um time bem diferente que deve reconduzir o clube a uma final de Copa Libertadores. Nesta quarta-feira (1), Renato Gaúcho volta a botar em campo uma equipe ofensiva e que joga bonito. Uma formação que desafia a própria história do Tricolor e se baseia em seu técnico para voltar a decidir o maior torneio continental. 

Diante do Barcelona-EQU o Grêmio defende a maior vantagem da história em semifinal. Em nenhuma outra edição o time visitante conseguiu três gols de margem já na primeira partida.

Só este dado já ajuda a entender que time é esse. Com 107 gols marcados no ano, o Grêmio é uma evolução dele mesmo. A equipe forjada por Roger Machado, em 2015 e 2016, ganhou confiança para sair da fila de 15 anos em dezembro ao bater o Atlético-MG na final da Copa do Brasil. Ao longo da atual temporada, ganhou rasgados elogios pelo estilo.

Um jogo fluído, vertical, letal dentro e fora de casa. Baseado em ordens simples de um treinador da velha escola. O empírico Renato Gaúcho, do alto de seu status de ídolo, é quem conduz um Grêmio que nem parece vestir azul, branco e preto. A ironia é fina.

"O Renato, todos nós sabemos, tem papel fundamental nesse desempenho do time. Alerta para coisas fundamentais no campo. Temos de dar mérito a ele, é um cara que dá moral a todos. Isso faz o grupo ter toda força e explorar bem seu potencial", comentou Fernandinho.

Centro da ideia de jogo, o treinador chegou a cogitar uma terceira fase em 2017. Ainda esperando pela volta de Luan, Renato Portaluppi flertou com uma mudança de estilo e cogitou resgatar o futebol de resultado que ficou tatuado no Grêmio com Luiz Felipe Scolari e todos que o seguiram. Ao receber o camisa 7 de volta, no entanto, conseguiu retomar princípios da filosofia ofensiva.

Luan é o artilheiro, Barrios a experiência e Geromel o líder silencioso, mas cabe a Arthur ser o maestro discreto. De ascensão meteórica, o volante destronou Maicon em menos de dez meses. Aos 21 anos, saiu do time de transição para a seleção brasileira e, no Equador, na primeira partida diante do Barcelona de Guayaquil, coordenou o time.

Arthur e os demais jogadores do elenco escutam comandos diretos e em linguajar de fácil compreensão. "Toca e se apresenta" e "fica até o fim (no lance)" são orientações costumeiras. Além de apostar bastante nas tabelas, Renato Portaluppi resume ao fechar as palestras citando o 'bê-a-bá' do futebol. Uma cartilha montada com base na experiência dele como ex-jogador e sem método científico extremo.

O empirismo de Renato fica em segundo plano por conta dos resultados. E eles são fruto, também, da maneira como o treinador encara o dia a dia. Liberdade ao elenco para dialogar, trocar ideias sobre a escalação e muita confiança. Um voto quase sem fim de segurança para que os atletas arrisquem e não se intimidem em caso de erro na primeira tentativa.

A última vez que o Grêmio esteve em uma final de Libertadores foi com Mano Menezes. Ainda à sombra da Batalha dos Aflitos, da vitória improvável em cima do Náutico com sete jogadores em campo, o atual técnico do Cruzeiro montou um Grêmio bem Grêmio, que sofreu ao extremo. Em 2009, o clube começou a caminhada com Celso Roth, teve o interino Marcelo Rospide e depois apresentou Paulo Autuori. Caiu na semifinal contra o Cruzeiro com um time já sem identidade. Nos anos seguintes houve trauma de duelos eliminatórios em todas as competições, incluindo Gauchão. Renato, o herói de 1983, mudou a história de novo.

Contra o Barcelona-EQU, o Grêmio joga para voltar à decisão depois de uma década. Para coroar a ideia de jogo ímpar em sua história. E para sonhar com um novo capítulo de sua reinvenção recente.

FICHA TÉCNICA
GRÊMIO X BARCELONA-EQU

Data e hora: 1/11/2017 (quarta-feira), às 21h45 (Brasília)
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Transmissão na TV: Globo, Sportv e Fox Sports
Árbitro: Roberto Tobar (CHI)
Auxiliares: Carlos Astroza (CHI) e Cristhian Schiemann (CHI)

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Edilson, Geromel, Kannemann e Bruno Cortez; Michel (Jailson), Arthur, Ramiro, Luan e Fernandinho; Lucas Barrios
Técnico: Renato Gaúcho

BARCELONA-EQU: Banguera; Velasco, Aimar, Arreaga e Pineida; Minda, Oyola; Esterilla, Damián Diaz e Marcos Caicedo; Jonatan Álvez
Técnico: Guillermo Almada

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