Com um quê de Renato e amizade de Neymar, Luan busca consagração no Grêmio

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • AFP PHOTO / Rodrigo BUENDIA

    Luan já marcou sete gols na campanha do Grêmio na Libertadores 2017

    Luan já marcou sete gols na campanha do Grêmio na Libertadores 2017

O estilo de jogo ácido, combinado ao mítico número 7 às costas, permite pequenas e tímidas comparações. A disputa de uma final de Libertadores ajudam a ligar as histórias de Luan e Renato Gaúcho. Juntos, comandado e comandante buscarão o tri continental na noite desta quarta-feira, contra o Lanús, na Argentina.

A disputa da decisão da Libertadores é o capítulo mais importante de história de Luan no Grêmio. Aos 24 anos, o atacante cumpre um roteiro singular no futebol ao sair do interior paulista rumo a Porto Alegre. Em menos de cinco anos, ele deixou de ser promessa na Copa São Paulo para virar protagonista e maior esperança gremista na final contra os argentinos. 

Arma poderosa do time de Renato Gaúcho, com ascensão ainda maior a partir da chegada de Barrios e a liberdade para flutuar em campo, Luan vive numa linha tênue entre a ousadia e a timidez: de poucas palavras nas entrevistas, o atacante esquece tal postura em campo.

Um dos exemplos disso ocorreu em julho, em um treino do Grêmio na Arena da Baixada: no rachão antes do jogo contra o Atlético-PR, Luan ousou com um chapéu em Renato. Bem executada, a jogada arrancou risadas dos próprios companheiros. O chefe, por sua vez, curvou-se ao talento do jogador ao abaixar a cabeça e aceitar o drible.

Pessoas próximas ao jogador juram que a relação entre os dois é de pai e filho, assim como é com outros jogadores do elenco. Na Argentina, Renato pode ver seu pupilo repetir parte da sua história: em 1983, Renato estava em campo quando o Grêmio venceu o Peñarol por 2 a 1 no Olímpico e conquistou a primeira Libertadores - o camisa 7 fez o cruzamento para o gol da vitória, marcado por César.

Getty Images
Luan pode repetir feito de Renato em 1983

Em alta no Grêmio, turbinado pelo título da Copa do Brasil do ano passado, já com Renato, Luan disse não a uma transferência ao Spartak Moscou. Mesmo com valores superiores àqueles oferecidos pelo clube gaúcho, o jogador preferiu ficar no futebol brasileiro "para conquistar um título histórico" com a camisa do time tricolor - pesou também o fato de a Rússia não ser um destino prioritário para o jogador.

Amigos de infância por perto

Fora de campo, longe dos jornalistas, Luan mantém esse mesmo estilo. O atleta gremista gosta de conversar bastante e mantém amizades, mesmo de longe, com os craques Neymar e Gabriel Jesus, além do funkeiro Nego do Borel - as relações foram fortalecidas durante os Jogos Olímpicos do Rio.

Criado pela mãe, Márcia Cristina, e a avó, Luan perdeu o pai aos dois anos, após um acidente de moto. Hoje, o jogador vive longe da família, inclusive do irmão Lucas - o trio ainda mora em Rio Preto e comparece em alguns jogos do Grêmio em Porto Alegre. Já Luan costuma voltar à cidade paulista nas férias.

Na capital gaúcha, Luan mora com quatro amigos de infância. Todos eles cresceram na zona norte de São José de Rio Preto. Um deles, Geovani, atua como volante no Cruzeiro de Porto Alegre. Amigos há 11 anos, ambos tiveram a chance de viver do futebol por meio do projeto "Missão Resgate", de uma igreja de Rio Preto.

Ainda adolescente, Luan teve poucas chances no futebol de campo e se destacou inicialmente no futsal. O atacante só teve a primeira experiência no campo em um clube profissional em 2012, aos 19 anos - nessa época, celebrou nas ruas de Rio Preto o Mundial conquistado pelo Corinthians.

Divulgação/Grêmio
Renato, campeão da Libertadores em 1983, vai comandar Luan na decisão de 2017

"Ele se profissionalizou no Tanabi. Ele tinha sido inscrito por outros clubes, mas não jogava. Então chamei ele para fazer uma avaliação. Foi o primeiro clube profissional dele. No começo de 2013, emprestei ao América para jogar a Copa São Paulo", contou Irineu Alves, presidente do Tanabi.

Depois de disputar a Copinha pelo time de Rio Preto e se destacar, Luan acertou sua transferência para o Catanduvense, onde disputou a série A2 do Campeonato Paulista. A ida ao Grêmio aconteceu no mesmo ano. Geovani, por sua vez, chegou ao Cruzeiro no começo de 2017.

Ao lado dos amigos em Porto Alegre e sem esquecer suas origens em São José do Rio Preto, Luan se tornou a maior esperança gremista no duelo com o Lanús na Argentina. Um empate fora de casa dará ao time gaúcho mais um título da Libertadores.

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