Lanús se orgulha de ser berço de Maradona, mas guarda pouco do ídolo

Jeremias Wernek

Do UOL, em Lanús (Argentina)

Lanús, palco da finalíssima da Libertadores de 2017, se orgulha de ser o berço de Diego Armando Maradona. O maior jogador argentino de todos os tempos veio ao mundo em um hospital do município ao sul de Buenos Aires e incrementa o currículo da cidadela de meio milhão de habitantes. Mas a história do camisa 10 com o local não é muito maior que isso

A ligação entre cidade e ex-jogador rendeu uma recente mensagem de apoio, registrada em vídeo, mas nada muito além (veja acima). Maradona só jogou pelo Lanús uma vez e sem ser em partida oficial. Em 2008, ele participou de um amistoso no estádio do clube.

Ele morou em um bairro carente que fica em cidade vizinha. Na casa do clube 'granate', o polêmico ídolo hermano serve mais de referência geral, como um ilustre conterrâneo.

Reprodução/Diario26
Camisa do Lanús usada por Maradona virou artigo raro após amistoso

Em 1960, a família de Maradona vivia onde hoje é Lomas de Zamora. A cidade cravada entre Buenos Aires e Avellaneda não tinha hospital aberto quando o bebê de Dalma Salvadora Franco decidiu nascer. A saída foi percorrer cerca de 2 km e ir a Lanús, município vizinho. Lá houve o parto, em um 30 de outubro. 

Dieguito foi o quinto filho de um total de oito. Ao lado dos irmãos e dos pais, morou até a adolescência em Villa Fiorito, um bairro carente que engoliu até o campinho onde ele começou a jogar bola. O lugar era chamado de 'Las Siete Canchitas' e em meados de 2009 passou a acomodar casebres. As estruturas frágeis passaram a se proliferar no local.

Villa Fiorito havia se tornado pequena demais para tanta gente que não tinha mais para onde ir. O campo de várzea onde Maradona aprendeu a correr, começou a encantar com dribles curtos e até deu sua primeira entrevista, se tornou artigo de luxo. Espaço inútil demais diante de tamanha carência de terra. As casas ali são obras de materiais obtidos ao acaso.

No meio das vielas formadas pelo espaço entre os casebres resiste uma trave. O retângulo de metal, com um branco amarelado do tempo, foi mantido sem um motivo claro. Ninguém ali sabe se ficou em pé por preguiça, capricho ou afeto.

"Isso me deixa indignado. Não sei, não sei o que pensam. Mas me dá pena e me deixa mal ao ver, lembrar tudo que vivemos ali e agora enxergar isso", contou Goyo Carrizo à TL9, ex-colega de Maradona e que teve projeto social para crianças carentes no campo de várzea do bairro.

A história poderia ter sido diferente. Lá atrás, antes de entrar para as categorias de base do Argentinos Juniors e iniciar uma caminhada arrebatadora que teve ápice na década de 1980, Maradona fez teste no Lanús. O clube não ficou com o menino à época.

"Maradona foi um grande jogador, se destacou muito desde cedo. Lanús fez testes com ele, mas não passou naquele dia. Um azar... Azar nosso. Infelizmente, não? (risos)", brinca Nestor Diaz Pérez, ex-presidente do Lanús. "Ele sempre viveu por aqui, mas nunca jogou conosco", completa com um tom de lamento.

O clube busca, até hoje, a camisa usada por Diego Armando Maradona no amistoso contra o Talleres de Escaladas, a única vez que ele entrou em campo fardado com o tom grená.

"Sabemos que algum torcedor está com a camisa daquele jogo, mas nunca localizamos. Nem sequer sabemos o nome. E a gente tem feito um grande esforço para buscar esse item raro", conta Mariano Arcorace, presidente do museu do Lanús.

Maradona tem sido um baluarte do esporte argentino nos últimos tempos. Citado e até presente em vários eventos, ele pode dizer que tem ligação direta com o ente envolvido na final da Libertadores. Afinal de contas, vizinhos são oportunos quando se precisa de ajuda.

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