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Santos alega omissão do River e culpa checagem de delegado em caso Sánchez

 Ivan Storti/Santos FC
Uruguaio Sánchez está no meio de uma polêmica Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

2018-08-24T19:45:25

24/08/2018 19h45

O Santos luta com as armas que tem e escalou o advogado Mario Bittencourt, ex-responsável pelo jurídico do Fluminense, para liderar a batalha santista no caso envolvendo o meia Sánchez. Bittencourt ressalta pontos que, em sua visão, eximem o Alvinegro de qualquer erro na suposta escalação irregular do jogador diante do Independiente. 

Além de alguns argumentos já divulgados ao longo dos últimos dias, como a informação que conta no sistema Comet de que o jogador estava apto para atuar, a jurisprudência no caso envolvendo o Lanús, além do pedido de isonomia em comparação a atitude da Conmebol no caso envolvendo River Plate nesta Copa Libertadores, o advogado aponta outros dois fatos para tentar mostrar que o Santos é inocente ao escalar o uruguaio no duelo na Argentina: uma omissão por parte do River Plate ao negociar Sánchez em 2016 e o fato de não ter recebido qualquer aviso do delegado da partida, quando este fez a checagem dos jogadores antes da partida contra o Independiente.

O primeiro argumento diz respeito a uma omissão do River Plate no ato de transferência de Sánchez para o Monterrey (MEX). O advogado sustenta na defesa santista que o time argentino, no qual Sánchez atuava quando foi suspenso em 2015, não fez constar no TMS (sistema de transferências regulado pela Fifa) que havia alguma pendência quando o negociou com o Monterrey, no ano seguinte. Os mexicanos, por sua vez, não repassaram a questão ao Santos, que escalou o jogador sem ter ciência de um possível problema, acreditando que estava respaldado ao consultar os sistemas da Fifa e da Conmebol.

“É obrigatório que o TMS informe que o jogador carrega uma posição, e o River disse que nada constava (quando o negociou com o Monterrey). O Santos consultou os sistemas e viu que estava tudo certo”, disse ele ao UOL Esporte.

O segundo argumento usado por Bittencourt é para tentar provar que a Conmebol usa o sistema Comet para verificar se os atletas estão aptos a jogar ou não, diferentemente do que tem sido divulgado nos últimos dias, como no caso da entrevista dada nesta sexta-feira pelo diretor de competições de clubes da entidade sul-americana.

Neste caso, o advogado destaca uma “coincidência”. O delegado do jogo em Buenos Aires foi o mesmo que trabalhou em Lanús (ARG) x Chapecoense. Na ocasião, ele garantiu que o zagueiro Luiz Otávio não estava apto a disputar o jogo. Já no caso santista, o mesmo profissional disse que nada constava e liberou Sanchez (veja o vídeo abaixo). Bittencourt sustenta que a ferramenta da Conmebol para inscrições (Comet) foi a base usado nos dois casos.

"A Conmebol consulta o Comet e os delegados de partida também, por isso no dia do jogo o delegado vai ao vestiário e atesta que o jogador tem condição, porque também consultou o Comet", garantiu Mario.

Antes da defesa por escrito, o Santos enviou ofício a Conmebol cobrando que a entidade conceda ao clube no “caso Sánchez” a mesma decisão que tomou envolvendo o jogador Bruno Zuculini, do River Plate. Neste caso, a entidade máxima do futebol sul-americano alegou falta de denúncia de adversários, além de alegar que o River consultou a entidade por escrito para verificar se ele estava apto a atuar, e por isso não puniu os argentinos por escalação irregular.

"A Conmebol tenta diferenciar os casos dizendo que o River consultou por escrito, mas ela Conmebol também informou que o atleta podia jogar. Ou seja, ela também se equivocou. A gente acredita que ela tenha se equivocado porque ela também consulta o Comet", afirmou Bittencourt em entrevista à Fox Sports. 

O caso será julgado às 15 horas (de Brasília) de segunda-feira (27), na véspera do reencontro entre as equipes pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América.

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