Quem é o "novo Ceni" que colocou Julio Cesar no banco em Portugal

Do UOL, em São Paulo

  • TOBIAS SCHWARZ/AFP

O melhor goleiro brasileiro na Liga dos Campeões joga em Portugal, já foi convocado para a Copa América e colocou um dos melhores do país na história da posição no banco de reservas. Mesmo assim, pouca gente por aqui conhece Ederson Moraes, o camisa 1 do Benfica.

Pudera: aos 23 anos, ele está apenas em sua primeira temporada como titular. E a posição foi conquistada após suar muito para superar o antigo titular, Julio Cesar, ex-Flamengo e Inter de Milão e goleiro do Brasil em duas Copas do Mundo. Curiosamente, o técnico Rui Vitória só se convenceu que o novato tinha superado o veterano justamente contra o Napoli, adversário português na Champions League nesta terça-feira: no jogo na Itália da fase de grupos, Julio Cesar foi criticado na derrota por 4 a 2, o que acabou com o rodízio na posição.

Era o novo Ceni na base do São Paulo

Para começar, o garoto de Osasco começou jogando como zagueiro, mas ele admite que logo viu que não tinha muito talento. "Eu comecei a jogar como zagueiro e lateral, mas vi que não tinha qualidade. Estava na escolinha de futebol e pedi para minha mãe falar para o treinador me botar no gol".

Foi a melhor decisão que ele poderia ter tomado. Aos 11 anos, chegou ao São Paulo e rapidamente virou aposta para se tornar o sucessor de Rogério Ceni. Por cinco anos, foi uma das estrelas das divisões de base do time paulista, até chamar a atenção de um olheiro da rede do português Jorge Mendes, um dos empresários mais poderosos do planeta – ele cuida, entre outros, da carreira de Cristiano Ronaldo.

Protegido do empresário de C. Ronaldo
Xinhua/Pedro Mer

Foi Mendes que levou o garoto, então com 16 anos, para conhecer o Benfica. Ele ficou encantado com a estrutura do clube português e decidiu assinar um contrato. Não que tenha ficado muito tempo no clube. Primeiro, ele foi mandado para um time da terceira divisão, o Riveirão, para a temporada 2011/2012. Nos 12 meses seguintes, o destino foi o Rio Ave, na elite portuguesa. Foi tão bem que o Benfica resolveu resgatá-lo em 2015, após jogar bem por três temporadas.

Quando voltou, ele já era considerado uma realidade. Mas a sua frente estava Julio Cesar, com experiência de três Copas do Mundo e que já tinha sido considerado o melhor goleiro do planeta. Só quando o veterano, então com 36 anos, sofreu uma séria contusão muscular, Ederson teve a chance no Benfica. Não decepcionou.

Guardiola e Ronaldinho já são fãs

Ele entrou em campo contra o Zenit, no jogo de volta das oitavas de final da Liga dos Campeões, em vitória por 2 a 1, na Rússia. Mais impressionante foram suas atuações nas quartas de final. O Benfica foi eliminado pelo Bayern de Munique, mas fez bonito, perdendo na Alemanha por 1 a 0 e empatando em 2 a 2 em Lisboa. O grande trunfo português foi a perna esquerda do goleiro, e seus lançamentos longos. "Por causa dele, tivemos de defender muito atrás", admitiu o técnico.

Guardiola ficou tão impressionado que chegou a pedir a contratação do brasileiro quando chegou ao Manchester City, para ser a sombra de Joe Hart – o negócio não foi para frente e o City preferiu trazer um goleiro mais experiente, o chileno Claudio Bravo. O espanhol não é o único fã do goleiro do Benfica: "Ele será o próximo titular da seleção", disse Ronaldinho Gaúcho, em passagem por Portugal em novembro.

Seria titular na Olimpíada, mas se machucou
Lucas Figueiredo/Mowa Press
Ederson concede entrevista pela primeira vez como goleiro da seleção principal

Na seleção, o jogador já foi lembrado. Na Copa América do centenário, no meio do ano, ele foi convocado pelo técnico Dunga. A ideia era inseri-lo no grupo principal e dar experiência ao jogador, que seria o titular do Brasil nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Ederson, que vinha sendo chamado sempre para a seleção sub-23 de Rogério Micale, se contundiu na preparação.

Não jogou nem a Copa América, nem os Jogos Olímpicos. Com o técnico Tite, ainda não teve chances. O ex-comandante do Corinthians preferiu dar oportunidades justamente para os atletas que estiveram na Olimpíada (como Weverton, do Atlético-PR) e na Copa América (como Alisson, hoje no Roma).

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