Questão de honra! PSG quer mostrar que Neymar errou ao recusar proposta

João Henrique Marques

Do UOL Esporte, em Barcelona

  • AP Photo/Alvaro Barrientos

Jatinho, rede de hotel, mega salário. A proposta financeira do PSG empolgou o estafe de Neymar. Só que a escolha de seguir no Barcelona aconteceu muito pela falta de confiabilidade em um projeto apoiado no tÍtulo da Liga dos Campeões. Agora, chegou a hora do clube francês colocar à prova o plano destinado ao brasileiro.

O PSG encara o Barcelona, nesta terça-feira (14), às 17h45min (de Brasília), no Parc des Princes, em Paris, na partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. Vencer é questão de honra para o clube francês.

Neymar da Silva Santos, o pai do jogador, e André Cury, empresário de Neymar ligado ao Barcelona, duvidavam de que o PSG era capaz de fazer o atacante virar o melhor jogador do mundo. O título da Liga dos Campeões era visto como utopia, e o nível técnico do Campeonato Francês como abaixo do Espanhol ou Inglês.

Restou a Neymar uma decisão de quem tem amor pelo Barcelona. Apesar do descontentamento na reta final da temporada passada, o camisa 11 decidiu pela renovação até 2021.

Neymar passou o mês de maio com a proposta do PSG na cabeça. Mensagens trocadas com os amigos brasileiros do clube, Marquinhos, Lucas e Thiago Silva, o animavam cada vez mais. O risco da transferência preocupava o Barcelona.

Neymar confiava já ser o segundo melhor jogador do mundo, estando à frente de Cristiano Ronaldo no último ano. Todo esse cenário dava tranquilidade aos dirigentes do Barcelona, mas gerava ameaças do pai de Neymar: "Devemos fazer as coisas direito e saber se na Espanha nos deixam trabalhar ou saímos. Se estamos criando problema para a Espanha, não devemos ficar", disse em entrevista à rádio Cadena Ser em novembro do ano passado.

O comentário só passou a ser levado a sério quando o PSG apareceu com força no cenário em março de 2016. O clube sondava um possível substituto para Ibrahimovic e o interesse foi aumentando à medida que a saída do sueco ficava evidente. A proposta elevada preocupava o Barça. Só o que o pior ainda estava por vir: Neymar se interessou.

O camisa 11 teve queda de rendimento na segunda metade da temporada e passou a ouvir críticas de torcedores e jornalistas pela vida noturna agitada em meio aos jogos importantes do time. Na eliminação na Liga dos Campeões para o Atlético de Madrid considerou boa as atuações e não gostou do que passou a encarar como perseguição por ser avaliado pela mídia como o pior do tridente.

Neymar mudou o comportamento deixando de usar redes sociais e se fechando em casa até conquistar os títulos do Campeonato Espanhol e da Copa do Rei. Só que o incômodo ainda era grande com a falta de protagonismo e o crescimento de Luis Suárez, visto como a segunda força do Barça na temporada (somente atrás de Messi). Neste momento, o sim ao PSG também foi dado pelo camisa 11.

A prioridade de Neymar ainda era uma nova tentativa de ser melhor do mundo pelo Barcelona. Só que a possibilidade de passar somente mais uma temporada no clube como planejado antes de rumar ao PSG jamais foi aceita pelos dirigentes. Ou a venda aconteceria por 190 milhões de euros de maneira imediata ou o contrato seria renovado. Para ganhar a disputa, coube ao Barça não só elevar propostas, como também convencer Neymar de que o caminho ao Bola de Ouro era mais fácil de ser trilhado estando ao lado de Messi, e que a chance havia ficado menor por sua culpa, com o excesso de gols perdidos e irregularidade na segunda metade da temporada. O jogador foi então convencido.

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