Eliminação inédita na Liga confirma: City é o pior trabalho de Guardiola

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

  • Reuters / Lee Smith

Pep Guardiola estreou como técnico do Barcelona em 2008. Até 2017, comandou Barcelona e Bayern de Munique em sete edições da Liga dos Campeões. Em todas, chegou, no mínimo, até as semifinais. Não aconteceu o mesmo com o Manchester City.

Pela primeira vez na carreira, Guardiola falhou na tarefa de colocar seu time entre os quatro melhores da Europa. Na quarta-feira, o City foi eliminado pelo Monaco nas oitavas de final do maior importante torneio continental da Europa. A derrota só comprova como o trabalho do técnico espanhol na Inglaterra é o pior de sua carreira – em números, em performance ou no desenvolvimento de jogadores.

Decadência na Liga dos Campeões
Eric Gaillard/Reuters

Começando pela Champions League, as dificuldades do espanhol já vinham aparecendo desde sua saída do Barcelona. Com o clube catalão, ele foi campeão duas vezes e chegou às semifinais outras três.

Com o Bayern de Munique, chegou três vezes às semi, mas não conseguiu se classificar para a decisão: foram três derrotas seguidas, sempre para espanhóis: Real Madrid (2013/2014), Barcelona (14/15) e Atlético de Madri (15/16).

Com o Manchester City, logo na primeira fase eliminatória ele encarou o melhor ataque da Europa (o Monaco marcou 84 gols nos primeiros 29 jogos do Campeonato Francês). Com problemas na defesa, acabou sucumbindo: o confronto terminou 6 a 6 na soma dos placares, mas os franceses avançaram por ter marcado mais gols fora de casa.

Apesar da derrota, a partida marcou um feito de Guardiola: foi seu 100º jogo pela Liga dos Campeões - ele é, de longe, o mais vencedor entre os treinadores com tantas partidas no currículo. Os 3 a 1, no entanto, marcaram outro recorde para o espanhol: o City foi o primeiro time eliminado após marcar cinco gols em um confronto do torneio.

Primeiro campeonato nacional fora dos 2 primeiros lugares?

Mas os problemas não aparecem só no torneio continental. Na Inglaterra o trabalho de Guardiola também não anda no mesmo nível dos anteriores. Ele foi campeão nacional com o Barcelona em quatro dos cinco Espanhóis que disputou. Com o Baryern de Munique, foram três títulos da Bundesliga em três temporadas.

Com o City, as chances de títulos são remotas. Com 56 pontos em 27 rodadas, a equipe está dez pontos atrás do líder Chelsea. A luta pelo vice-campeonato, porém, está acirrada. O segundo colocado, Tottenham, tem os 56 pontos do City, mas leva vantagem no saldo de gols – 33 contra 24.

Com isso, a única chance de título de Guardiola é na Copa da Inglaterra. Sua equipe está na semifinal, contra o Arsenal – o duelo está marcado para o dia 23 de abril. E o técnico sabe da importância. "Se eu não ganhar um título, a temporada será um desastre", disse Guardiola antes da partida contra o Monaco. "Eu sei o que fiz antes e sei que sou cobrado por essa história".

Defesa é um problema insolúvel
Reuters / Andrew Couldridge

O problema é que a falta de resultados não é o único problema. Os problemas de sua equipe também estão sendo questionados. Tudo bem que Guardiola nunca foi um treinador que desse muita atenção à defesa – os times que montou no Barcelona e no Bayern costumavam ficar tanto com a bola nos pés que poucos times conseguiam ataca-los com consistência. Mas o que está acontecendo em Manchester é completamente fora da curva. O City levou 29 gols no Campeonato Inglês e 16 na Liga dos Campeões. Em 35 jogos...

Não à toa, ele já trocou seu goleiro titular e não tem ideia de como montar uma defesa confiável com os jogadores que tem à disposição. Ele usou todos os zagueiros que tem à disposição e ainda improvisou laterais e meio-campistas na zaga. E ninguém sabe qual formação pode solucionar a agonia defensiva.

O brasileiro Fernandinho é exemplo disso. Já jogou de volante, zagueiro e lateral. Foi criticado em todas elas. Na derrota para o Monaco, por exemplo, sua atuação rendeu críticas não só a ela, mas a Guardiola. "O espanhol pode ser o técnico com o desempenho mais vencedor após 100 jogos em competições europeias, mas mostrou ingenuidade tática ao usar apenas Fernandinho no meio-campo contra um time jovem e agressivo", escreveu a BBC.

O Mirror foi no mesmo caminho. Segundo o jornal, Fernandinho "recebeu uma tarefa impossível de ser realizada como único volante defensivo": "Usando apenas Fernandinho para oferecer proteção à defesa, o City ficou exposto e vulnerável, pagando um preço alto pela aposta de seu técnico – que, no final, não funcionou".

Evolução dos jogadores também preocupa
Darren Staples/Reuters

Esse, porém, é só um exemplo. O jovem zagueiro inglês John Stones também poderia ser usado. Ou o argentino Otamendi. Ou o sérvio Kolarov. Em seus trabalhos anteriores, Guardiola ficou marcado por tirar o máximo de alguns de seus jogadores. No Barcelona, por exemplo, ele transformou Mascherano em zagueiro e fez de Busquets um dos melhores meio-campistas do mundo – além de dar liberdade para Messi, Xavi e Iniesta brilharem.

No Bayern, ele foi o responsável por Alaba virar um dos melhores laterais do futebol europeu, Lahn se tornou um volante de respeito e o goleiro Neuer virou ícone de uma nova escola de atuação para sua posição. Ele ainda levou Douglas Costa, antes escondido no Shakhtar, a ser um dos destaques do time.

E no City? Até agora ele tem o desempenho de Kevin de Bruyne, que tem se consolidado como um dos melhores de sua posição, para mostrar eficiência e dois prospectos que podem virar grandes jogadores: o alemão Sane e o brasileiro Gabriel Jesus. É pouco.

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